08 de julho de 2026

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Governo culpa empresas por veto da União Europeia à carne brasileira

Economia Exportação 08/07/2026 14:01 Notícias ao Minuto Brasil noticiasaominuto.com.br

O Ministério da Agricultura disse ao Congresso que parte da adaptação às novas regras sanitárias da Europa dependia das empresas privadas. A União Europeia proibiu a carne do Brasil a partir de 3 de setembro.

O governo brasileiro disse que parte da culpa pela proibição da venda de carne do Brasil para a União Europeia é das empresas privadas. A informação está em um documento oficial.

  • A União Europeia proibiu a compra de carne brasileira a partir de 3 de setembro.
  • O governo brasileiro diz que as empresas não se adaptaram às novas regras sanitárias.
  • Alguns remédios proibidos na Europa ainda são usados no Brasil em bois, porcos e frangos.
  • O Brasil só enviou uma proposta considerada boa para a Europa em abril de 2026.
  • Países vizinhos do Brasil, como Argentina e Uruguai, continuam vendendo carne para a Europa.

O Ministério da Agricultura e Pecuária respondeu à Câmara dos Deputados e afirmou que a adaptação às novas exigências sanitárias europeias dependia, em grande parte, das empresas brasileiras.

Segundo o documento, alguns remédios que matam bactérias e são proibidos pela União Europeia continuam registrados no Brasil para uso em bois, porcos e frangos. Por isso, o governo optou por não proibir esses medicamentos em todo o país.

Diante disso, o ministério defendeu que as medidas necessárias para permitir as exportações ao mercado europeu dependem da criação e aplicação, pelo setor produtivo, de sistemas privados de controle capazes de cumprir as regras de Bruxelas.

Esses mecanismos deveriam garantir que os animais destinados à exportação para a União Europeia não recebessem remédios proibidos pelo bloco durante todo o ciclo produtivo. Só assim o governo brasileiro poderia emitir a certificação sanitária exigida.

O documento, datado de 25 de junho, é assinado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A resposta foi enviada a um pedido de informação do deputado federal Evair de Melo sobre a retirada do Brasil da lista europeia, por causa das novas regras sobre o uso de remédios na produção animal.

Apesar da exclusão, o ministério sustenta que não houve falha administrativa, atraso regulatório ou insuficiência diplomática por parte do governo brasileiro.

Na resposta ao Congresso, o Mapa afirma que, ao longo de três anos, enviou ofícios, realizou reuniões técnicas e pediu repetidamente que entidades do setor apresentassem propostas para atender às exigências da Comissão Europeia.

Entre as entidades chamadas para as discussões estavam associações das indústrias exportadoras de carne bovina, frigoríficos, proteína animal, laticínios, queijo e mel, além da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil.

Em documentos enviados ao setor produtivo, o ministério apontou fragilidades nas propostas apresentadas pelas empresas. Segundo o Mapa, faltavam elementos auditáveis e controles básicos, como registros sobre alimentação dos animais e uso de medicamentos nas propriedades.

Documentos oficiais também mostram que a autoridade europeia criticou a recorrente falta de informações completas enviadas pelo governo brasileiro durante as negociações realizadas entre 2023 e 2026.

O ministério relata que apenas em abril deste ano o Brasil encaminhou à Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia uma proposta considerada, em linhas gerais, satisfatória pela área técnica brasileira.

A proposta previa um período de transição, mas a Comissão Europeia informou que não aceitaria essa alternativa e manteve preocupações, principalmente em relação à cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Depois da manifestação europeia, o setor produtivo revisou o protocolo. Em maio, o Mapa aprovou o Protocolo de Exportação de Bovinos Livres de Medicamentos Antimicrobianos, de adesão voluntária.

Segundo o documento, em reunião realizada no mesmo mês, a Direção-Geral de Saúde e Segurança Alimentar informou ao embaixador brasileiro que não se manifestaria sobre o protocolo e que não havia aceitado a proposta de período de transição.

Técnicos do governo brasileiro classificam a medida da União Europeia como uma barreira sanitária irrazoável contra um parceiro comercial importante. O bloco, por sua vez, alega falta de garantias suficientes.

O governo afirma que continua negociando com a União Europeia, que oficializou o veto à carne brasileira a partir de 3 de setembro.

A exclusão da lista europeia cria uma desvantagem competitiva para os exportadores brasileiros dentro do Mercosul, já que países vizinhos conseguiram manter suas posições no mercado europeu.