07 de julho de 2026

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Região Sudeste tem quase 5 milhões de empresas com dívidas

Economia Inadimplência 07/07/2026 16:17 Camila Abdelmalack (economista-chefe da Serasa Experian)

Em maio, a região Sudeste do Brasil registrou quase 5 milhões de empresas com contas atrasadas, somando cerca de R$ 128,2 bilhões em dívidas. São Paulo é o estado com o maior número de negócios endividados. A maioria das empresas inadimplentes é de micro e pequeno porte, e o setor de serviços é o mais afetado.

São Paulo, 07 de julho de 2026 Em maio, a região Sudeste registrou 4.984.589 empresas com dívidas atrasadas, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Ao todo, foram contabilizadas 35.583.998 dívidas não pagas, que somaram cerca de R$ 128,2 bilhões.

Entre os estados, São Paulo concentrou o maior número de empresas com dívidas, com 3.094.295 CNPJs negativados, seguido por Minas Gerais (887.261) e Rio de Janeiro (869.138). Em termos financeiros, São Paulo registrou a maior dívida média por empresa da região (R$ 27.176,03), enquanto o Rio de Janeiro apresentou o maior valor médio por dívida (R$ 3.972,84).

  • O Sudeste concentra a maior parte das empresas com dívidas no Brasil, com destaque para São Paulo.
  • O valor total das dívidas na região chegou a R$ 128,2 bilhões em maio.
  • Micro e pequenas empresas representam a maioria dos negócios com contas atrasadas no país.
  • O setor de serviços é o mais afetado, com 55,6% das empresas inadimplentes.
  • As dívidas com serviços e bancos/cartões são as mais comuns entre as empresas.

Cenário nacional

No Brasil, o número de negócios negativados manteve um patamar recorde em maio de 2026, com mais de 9 milhões. No período, o volume de dívidas chegou a R$ 229,9 bilhões. Em média, cada empresa com dívidas acumulou sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08 e valor médio por dívida de R$ 3.515,52.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que o resultado de maio mostra uma mudança importante na situação das empresas. "O dado chama atenção não apenas pela manutenção da inadimplência em um patamar recorde, mas também pelo aumento do valor total das dívidas. Isso mostra que o desafio das empresas não está apenas em evitar a negativação, mas principalmente em conseguir reduzir o passivo acumulado. Em um contexto de crédito ainda restritivo, juros elevados e desaceleração da atividade econômica, muitas empresas enfrentam dificuldades para recompor caixa, administrar o capital de giro e recuperar sua capacidade financeira", afirma.

Setores com mais dívidas e perfil das empresas

Do total de empresas que estavam com dívidas em maio, 55,6% eram do setor de "Serviços". Na sequência apareceram aquelas do "Comércio" (32,3%), "Indústria" (8,1%) e do setor "Primário" (0,9%).

Camila complementa que "até recentemente, a principal pressão vinha da estrutura de custos e das condições de financiamento. Agora, começamos a observar também um ambiente menos favorável para a geração de receita. Esse é um ponto importante porque a desaceleração da atividade econômica tende a reduzir o faturamento justamente em um momento em que as empresas ainda convivem com níveis elevados de endividamento. Isso ajuda a explicar por que o processo de regularização financeira continua lento e desafiador".

Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com o segmento de "Serviços" (31,5%), seguido por "Bancos/Cartões" (19,5%). Na sequência apareceram "Cooperativas" (8,6%), "Utilities" (6,9%) e "Telefonia" (5,7%).

"Quando observamos a composição das dívidas, percebemos que a maior parte da inadimplência empresarial não está concentrada no sistema financeiro. Isso mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar o conjunto de compromissos necessários à manutenção da operação e do capital de giro. Em um ambiente de crédito mais restritivo, reorganizar esses passivos se torna mais difícil, o que contribui para a permanência de um estoque elevado de dívidas", explica Camila.

Visão regional

Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas com dívidas em maio de 2026, com destaque para São Paulo (3.094.295), seguido por Minas Gerais (887.261) e Rio de Janeiro (869.138). Na sequência apareceram estados como Paraná (593.565) e Rio Grande do Sul (522.521). A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões, segundo Camila Abdelmalack.

Micro e pequenas empresas também bateram o recorde

Do total de empresas com dívidas no país, as micro e pequenas seguiram como maioria expressiva, com 8,5 milhões de CNPJs negativados. O grupo concentrou 59 milhões de dívidas que somaram R$ 198,8 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas não pagas, com dívida média de R$ 23.177,51 e valor médio por dívida de R$ 3.369,41.

"O quadro das micro e pequenas empresas chama atenção porque estamos falando de negócios que, em média, acumulam quase sete pendências financeiras ao mesmo tempo. Muitas vezes, o valor individual de cada dívida pode não parecer elevado quando analisado isoladamente, mas o acúmulo desses compromissos representa uma pressão significativa sobre o caixa. Isso ajuda a explicar por que o processo de retorno à adimplência tem sido mais lento para esse grupo", conclui a economista-chefe da datatech.