07 de julho de 2026

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Caminhos para o futuro da indústria brasileira de máquinas

Economia Indústria 07/07/2026 11:53 Gino Paulucci Jr., ABIMAQ

O presidente do conselho da ABIMAQ, Gino Paulucci Jr., analisa as ações do governo para modernizar a indústria nacional, destacando os avanços e os desafios que ainda precisam ser superados para garantir um crescimento sustentável do setor de máquinas e equipamentos.

Na última edição do Informaq, acompanhamos as ideias do vice-presidente Geraldo Alckmin sobre a neoindustrialização. Ele mostrou como o governo está agindo para modernizar a indústria, destacando a importância do setor de máquinas e equipamentos, que é a base para a produção de outros bens. É muito importante ver o reconhecimento de que nenhuma área da economia brasileira, como o agronegócio (que cresceu 11,3% em 2025) ou a infraestrutura, consegue evoluir sem máquinas modernas. Isso mostra o quanto a ABIMAQ é uma parceira importante para criar políticas que aumentem a produtividade e a competitividade do país.

O balanço do vice-presidente traz dados que nos enchem de esperança. A criação de linhas de crédito fortes, como o Plano Mais Produção e a volta do FINAME pelo BNDES, mostra que há dinheiro disponível para as fábricas. Programas como o de Depreciação Acelerada e novos financiamentos, como os R$ 10 bilhões do MOVE Brasil e os R$ 15 bilhões do Plano Brasil Soberano para energia e modernização, são sinais muito importantes. A produção de máquinas e equipamentos cresceu 9,1% em 2024 e continuou subindo, com alta de 6,5% em março de 2026. Isso mostra que a indústria reage bem quando encontra os incentivos certos para investir.

  • Setor-chave: A indústria de máquinas e equipamentos é o motor que impulsiona outros setores, como o agronegócio e a construção civil.
  • Investimentos recordes: O governo está liberando bilhões em crédito, como os R$ 15 bilhões do Plano Brasil Soberano, para modernizar as fábricas.
  • Resultados positivos: A produção de máquinas já está crescendo, com alta de 9,1% em 2024, sinalizando que as medidas estão funcionando.
  • Desafios a superar: Apesar dos avanços, a indústria ainda enfrenta problemas como impostos complicados, custos de transporte e juros altos.
  • Foco no futuro: Para o crescimento ser duradouro, é preciso que as regras sejam estáveis e o financiamento continue competitivo.

No entanto, a natureza da atividade industrial exige que a gente una esse otimismo com muita cautela. Como o vice-presidente disse, políticas industriais levam tempo para dar resultados. O setor de máquinas e equipamentos trabalha com ciclos longos de planejamento. Por isso, o sucesso depende de regras que durem, de uma economia previsível e de condições de financiamento que sejam boas e competitivas no mercado global. Os problemas antigos que afetam a competitividade dos produtos brasileiros, como a complexidade dos impostos, os custos de logística e a necessidade de juros mais baixos para investimentos, ainda precisam de atenção e diálogo constantes.

Diante desse cenário de mudanças, o papel da ABIMAQ se torna ainda mais importante. Nosso compromisso continua sendo o de conversar com o governo de forma técnica, clara e com propostas, para que os problemas reais do setor sejam ouvidos e resolvidos. Valorizamos os passos dados para a modernização, mas continuamos focados em transformar esses avanços de curto prazo em um crescimento sustentável de longo prazo. É com essa determinação e com os pés no chão da realidade do mercado que a indústria brasileira de máquinas e equipamentos vai continuar trabalhando, transformando o potencial de nossas fábricas na riqueza de todo o país.

Gino Paulucci Jr. é engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ.