O Sicoob, uma cooperativa de crédito, vai emprestar R$ 70 bilhões para agricultores na safra 2026/2027. O foco do dinheiro será em pequenos e médios produtores, ajudando no custeio das lavouras e em investimentos. Mesmo com o aumento da inadimplência, a cooperativa está confiante e quer se tornar uma parceira de longo prazo para o produtor rural.
Mesmo com as dificuldades no crédito para o campo, o Sicoob não se assusta. A cooperativa financeira anunciou que vai liberar R$ 70 bilhões em empréstimos para o agronegócio na nova safra, que começou em 2026/2027. O valor é 17% maior do que os R$ 59,5 bilhões que foram realmente emprestados na safra passada (2025/2026).
- O Sicoob vai emprestar R$ 70 bilhões para agricultores na próxima safra, um aumento de 17%.
- O foco será em pequenos e médios produtores, com programas como Pronaf e Pronamp.
- A inadimplência (calotes) subiu para 2,01%, mas ainda é bem menor que a média do mercado.
- A cooperativa tem quase R$ 100 bilhões em sua carteira de crédito rural, um valor recorde.
- O Sicoob quer ser um parceiro de longo prazo para o produtor, diferente de outros bancos.
Em uma reunião em Brasília, os diretores do Sicoob explicaram que a cooperativa está perto de atingir R$ 100 bilhões em sua carteira de crédito para o campo. "Faltou um pouco para cumprir a meta no ano passado, mas chegamos muito perto. A boa notícia é que o valor médio de cada empréstimo se manteve em R$ 305 mil. Com isso, estamos próximos de fechar nossa carteira de crédito rural em R$ 100 bilhões", disse Marco Aurélio Almada, presidente do Sicoob.
O mercado de crédito rural no Brasil está difícil, mas o Sicoob quer crescer. Almada reconheceu que a inadimplência, ou seja, os produtores que não pagam suas dívidas, está aumentando. Raphael Santana, gerente de Agronegócios do Sicoob, deu os números: há quatro safras, a inadimplência era de apenas 0,08% da carteira. Agora, ao final da safra, esse número subiu para 2,01%. "Mais que dobramos em quatro safras, e essa é uma inadimplência que nunca tivemos. Ainda assim, é bem menor do que o mercado como um todo apresenta", afirmou.
Renegociação de dívidas e impacto do clima
Santana também falou sobre a renegociação de dívidas. Na safra passada, o Sicoob renegociou quase R$ 1 bilhão em dívidas de produtores. Já nesta última safra, o valor subiu para R$ 1,6 bilhão. "Mas isso tudo dentro de uma carteira de quase R$ 100 bilhões", explicou. Segundo ele, os R$ 70 bilhões projetados para a nova safra poderiam ser ainda maiores, mas a cooperativa está de olho nos efeitos do El Niño e, por isso, resolveu ser mais cautelosa.
Apesar do clima, o Sicoob não está muito preocupado. Santana lembrou que os estados onde a cooperativa atua com mais força, como Minas Gerais, Espírito Santo, Roraima, São Paulo e Goiás, não sofrem tanto com o El Niño. "No Rio Grande do Sul, nossa atuação é recente e a exposição não é tão grande. Em Mato Grosso, que pode ter seca, também estamos há pouco tempo, cerca de sete ou oito anos", disse. Por isso, a cooperativa decidiu continuar crescendo, mesmo que em um ritmo menor que antes.
Foco nos pequenos e médios produtores
Marco Almada, o presidente, disse que o objetivo é ser um "agente permanente do produtor rural". Ele criticou o Banco do Brasil, que recentemente anunciou menos dinheiro para a nova safra. "O principal agente de crédito está se retraindo", afirmou. Enquanto isso, o Sicoob quer crescer.
Dos R$ 70 bilhões previstos, R$ 15,8 bilhões vão para o Pronamp (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e R$ 11,5 bilhões para o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). O restante, pouco mais de R$ 40 bilhões, será para "demais produtores". Se esses valores se confirmarem, os empréstimos para o Pronamp e o Pronaf serão, respectivamente, 37% e 39% maiores que na safra passada. Já o crédito para os outros produtores deve crescer apenas 5%.
O dinheiro será usado principalmente para o custeio das lavouras, que deve receber R$ 32 bilhões, um aumento de 50%. Para investimentos, como a compra de máquinas, serão R$ 18,7 bilhões, um crescimento de 63%. Já outras linhas de crédito, como as Cédulas de Produtor Rural (CPR), devem diminuir.
Marcelo Carneiro Costa, diretor comercial do Sicoob, explicou que a cooperativa quer atender especialmente os pequenos e médios produtores. Na safra passada, 63% das operações foram para esse público. Foram R$ 8,2 bilhões no Pronaf, R$ 10,7 bilhões no Pronamp e R$ 40,5 bilhões nas demais linhas. No total, foram feitos 194,7 mil contratos de empréstimo em 12 meses.
Pecuária e outras culturas
Entre as culturas que mais receberam dinheiro, a pecuária liderou, com R$ 9,5 bilhões. Depois vêm café, soja, leite, compra de tratores, correção de solo e armazenagem. Do total de R$ 59,5 bilhões emprestados na safra passada, R$ 21,4 bilhões foram para custeio, R$ 11,5 bilhões para investimentos, R$ 4,6 bilhões para comercialização e R$ 2,7 bilhões para industrialização. O restante, R$ 19,3 bilhões, foi por meio de CPRs e giro.
O Sicoob acaba de ultrapassar a marca de 10 milhões de cooperados, segundo Almada. A cooperativa tem 4,6 mil pontos de atendimento em todos os estados do Brasil, presentes em 2,5 mil cidades. São mais de 600 mil produtores rurais dentro do seu ecossistema. "Parece que não é muito dentro do universo de cooperados, mas é uma prioridade grande para nós", concluiu o presidente.

Gustavo Lustosa


