Mesmo com a alta dos preços, o chocolate continua sendo um dos presentes mais queridos pelos brasileiros, especialmente em datas especiais como aniversários, Dia das Mães e Dia dos Namorados. Um novo estudo mostra que o mercado artesanal está crescendo e que as pessoas estão cada vez mais buscando produtos personalizados e com história, que transmitam cuidado e afeto.
Mesmo com a alta de preços, o chocolate segue no centro dos rituais de afeto do brasileiro. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada em março de 2026 mostrou que 90% dos consumidores pretendiam comprar produtos relacionados à Páscoa, o equivalente a 148 milhões de pessoas, e 69% dos compradores disseram que iriam presentear. A proximidade do Dia Mundial do Chocolate, celebrado em 7 de julho, amplia a discussão sobre por que o doce permanece entre as escolhas mais recorrentes em aniversários, agradecimentos, datas comemorativas e lembranças corporativas.
- 90% dos brasileiros compraram produtos de Páscoa em 2026, segundo pesquisa.
- 69% dos consumidores compraram chocolate para presentear alguém.
- O chocolate artesanal está ganhando força por causa da personalização.
- O preço do chocolate subiu 26,4% em um ano, mas a procura continua alta.
- O mercado de chocolates no Brasil cresceu de 806 mil para 814 mil toneladas entre 2024 e 2025.
Para Felipe Noronha, CEO e sócio da Doce Magia, rede de confeitaria artesanal fundada no Alto Tietê e com mais de 30 anos de atuação em São Paulo, esse comportamento mostra que o chocolate continua ocupando um espaço difícil de substituir na relação entre consumo, memória afetiva e experiência de compra. A empresa, que iniciou sua operação em 1993, conta com sete unidades próprias e uma fábrica de cerca de 2.000 metros quadrados.
"O chocolate continua sendo escolhido porque não é apenas um produto. Ele comunica cuidado, celebração e intenção. Quando alguém compra uma caixa, um doce personalizado ou uma sobremesa para presentear, está tentando transformar uma lembrança em gesto. Esse vínculo explica por que o chocolate atravessa tantas datas e segue forte mesmo com tantas opções de presente", afirma o CEO da Doce Magia.
O doce que segue no carrinho do brasileiro
Fora das grandes datas comerciais, o presente de chocolate também se mantém presente em ocasiões de forte carga afetiva, como Dia dos Namorados, Dia das Mães, aniversários, visitas, agradecimentos e celebrações no trabalho. A diferença é que, nesses momentos, a escolha costuma ir além do preço ou da conveniência: o consumidor busca um item de fácil aceitação, mas que carregue intenção, cuidado e alguma personalização. É nesse espaço que ganham força as caixas montadas, as sobremesas individuais, os doces artesanais e os produtos pensados para compartilhar.
Para o executivo, esse comportamento explica por que o chocolate consegue circular por tantos momentos da vida cotidiana. "O chocolate funciona porque é versátil. Ele cabe em uma comemoração romântica, em um presente para a mãe, em um agradecimento a um colega ou em uma lembrança corporativa. O valor não está só no doce, mas na mensagem que ele ajuda a transmitir", afirma.
Personalização virou parte da escolha
A busca por produtos com identidade própria acompanha uma mudança no comportamento de compra. Segundo levantamento do Instituto Locomotiva, 68% dos consumidores afirmaram preferir produtos artesanais feitos por pequenos produtores. Na prática, esse dado ajuda a explicar por que o setor de confeitaria artesanal passou a investir mais em experiência, variedade, apresentação e personalização.
Na avaliação do porta-voz da Doce Magia, o consumidor passou a exigir mais clareza sobre o valor do que compra. "O consumidor quer reconhecer valor no que leva para casa. No caso do chocolate artesanal, isso passa pelo sabor, pela embalagem, pela possibilidade de personalizar e pela história por trás daquele presente. Quanto mais o produto carrega intenção, maior é a percepção de afeto", diz.
A alta de preços mudou a régua do consumidor
A pressão de custos tornou a decisão de compra mais criteriosa. Dados do IBGE mostram que, em fevereiro de 2026, a inflação geral acumulada em 12 meses desacelerou para 3,8%, enquanto os preços de chocolates em barra e bombons subiram 26,4% no mesmo período. Ainda assim, a produção nacional manteve fôlego. Segundo a Abicab, a fabricação de chocolates no Brasil avançou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas em 2025.
Para o CEO da rede de confeitaria, a alta de preços não elimina a força simbólica do produto, mas muda a régua de escolha. "Quando o preço pesa mais, a compra deixa de ser automática. A pessoa passa a procurar algo que justifique a decisão. Por isso, o chocolate artesanal, bem apresentado e conectado a uma ocasião específica ganha relevância. Ele não compete apenas com outros doces, mas com outras formas de demonstrar afeto", afirma.
Esse movimento também ajuda a explicar a presença do chocolate em diferentes ocasiões de consumo. Além das datas do calendário, o doce aparece em agradecimentos, comemorações no trabalho, lembranças de última hora, encontros familiares e presentes corporativos. Para o varejo de confeitaria, a oportunidade está em entender que o consumidor não compra apenas o sabor, mas a mensagem que o produto ajuda a transmitir.
"O chocolate permanece porque é simples de dar, fácil de compartilhar e emocionalmente reconhecido. Ele funciona em uma visita, em uma comemoração, em um pedido de desculpas, em um agradecimento ou em uma data importante. Poucos produtos conseguem circular por tantos momentos da vida cotidiana com a mesma naturalidade", diz o executivo.

Chocolate artesanal - Doce Magia



