05 de julho de 2026

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Golpistas usam vagas falsas de petróleo para enganar quem busca emprego

Economia Emprego 05/07/2026 07:11 Ana Clara Veloso, Extra extra.globo.com

Com o aquecimento do setor de petróleo, criminosos estão criando anúncios falsos de emprego e concurso para aplicar golpes. Saiba como identificar as ciladas, entenda como está o mercado de trabalho e descubra como se qualificar para as oportunidades reais.

Segundo o Anuário de Petróleo no Rio 2026, feito pela Firjan, o estado do Rio de Janeiro, que é um grande produtor de petróleo há cerca de 50 anos, tem 95 mil trabalhadores empregados em atividades ligadas ao petróleo. A previsão é que mais 1.400 vagas sejam criadas até o fim de 2027. Mas esse aquecimento do setor e os salários atraentes estão chamando a atenção de criminosos. Anúncios falsos de empregos e concursos viraram isca de golpistas na internet.

  • O setor de petróleo no Rio emprega 95 mil pessoas e deve criar mais 1.400 vagas até 2027.
  • Criminosos usam anúncios falsos de emprego e concurso para aplicar golpes, principalmente pelo WhatsApp.
  • As empresas não cobram nada em seus processos seletivos; desconfie de qualquer pedido de dinheiro.
  • A Kaspersky bloqueou mais de 330 sites falsos sobre concursos da Petrobras só nos primeiros meses de 2026.
  • O mercado de petróleo está aquecido, com boas oportunidades para técnicos e profissionais de diversas áreas.

Grandes empresas como Ocyan, Modec e Petrobras já estão usando seus canais oficiais para alertar sobre essas tentativas de golpe e ajudar quem busca trabalho no setor.

A Ocyan percebeu, desde janeiro de 2025, um aumento nas tentativas de golpe. Mírian Cardoso, gerente executiva de Pessoas e Comunicação da empresa, explica que, em média, ocorrem de duas a três tentativas por mês. Os golpes geralmente acontecem pelo WhatsApp, onde pessoas se passam por recrutadores e pedem dinheiro para dar andamento a processos seletivos ou garantir uma vaga.

As abordagens também podem começar por redes sociais e e-mails que imitam comunicações de empresas, usando logotipos falsos para parecerem verdadeiros. As desculpas para pedir dinheiro são várias, mas nenhuma é real.

Mariana Dias, coordenadora de Aquisição de Talentos da Ocyan, conta que, em relatos recebidos pela Modec, os golpistas dizem que é preciso pagar por exames médicos, treinamentos e cursos, ou comprar certificações obrigatórias para ser contratado.

As empresas afirmam que não cobram nada em seus processos seletivos.

Como identificar uma cilada

Os criminosos estão investindo em golpes, pagando por postagens em redes sociais e links patrocinados em sites de busca para aumentar o alcance das armadilhas. Mas é possível identificar os sinais de perigo.

Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky, diz que cobranças via Pix exigem atenção, pois os criminosos preferem essa forma de pagamento. Eles transferem rapidamente o dinheiro para outras contas, dificultando o rastreio. Muitas vezes, quem recebe o Pix, seja uma empresa ou uma pessoa física, não tem nada a ver com a empresa que está contratando. Esse é o maior sinal de que algo está errado.

A recomendação é conferir nos sites oficiais das empresas de petróleo e em agências de recursos humanos conhecidas se a vaga realmente existe e fazer todo o processo seletivo por esses canais. Lembre-se: mesmo sem pagar taxas, fornecer dados pessoais já é um risco.

Mais de 300 sites falsos sobre seleções

A Kaspersky identificou e bloqueou, apenas nos primeiros três meses de 2026, mais de 330 sites criados para divulgar falsos concursos da Petrobras. É uma tática comum para enganar pessoas interessadas em concursos públicos, e outras empresas também têm seus nomes usados dessa forma.

A gerente-executiva de recursos humanos da Petrobras, Lilian Soncin, revela que, quando o nome da empresa aparece em publicações falsas, a área de segurança corporativa é acionada para responsabilizar os autores na justiça. Ela explica as três principais formas de atuação dos golpistas:

A primeira é pedir pagamentos para garantir uma vaga que não existe ou para avançar em seleções que não estão acontecendo. A segunda é pedir dados pessoais para dar continuidade a um concurso falso. A terceira é vender cursos preparatórios falsos, usando informações de processos seletivos antigos da Petrobras. A estatal não tem concurso público com inscrições abertas e não há previsão de novo processo seletivo em 2026.

Aquecimento do mercado é real

As oportunidades reais também existem. Segundo a consultoria de recursos humanos Michael Page Brasil, a demanda por profissionais em toda a indústria do petróleo está crescendo de forma consistente.

Priscila Monteiro, gerente sênior do setor de óleo e gás da empresa, explica que esse reaquecimento é resultado de uma combinação de fatores, como o cenário geopolítico internacional, a busca por mais segurança energética, o aumento de investimentos no Brasil e o desenvolvimento de novos projetos.

O movimento envolve empresas de exploração, operadoras de campos maduros, companhias de serviços e empresas de apoio marítimo. Há chances para diferentes níveis de escolaridade, mas há uma carência especial por técnicos, diz Sergio Castellano, diretor associado da consultoria.

Além disso, profissionais que sabem combinar conhecimentos de engenharia com análise de dados e ferramentas de inteligência artificial tendem a ganhar mais espaço. O executivo vê um cenário atraente para os trabalhadores: além de salários acima da média, o setor oferece chances em multinacionais, projetos de longo prazo, acesso a tecnologias de ponta e possibilidades de desenvolvimento profissional no Brasil e no exterior.

É preciso buscar sempre a qualificação adequada

Thiago Valejo, gerente de Projetos de Petróleo da Firjan, dá seu depoimento: No Rio de Janeiro, uma parte das oportunidades está em alto-mar, nas plataformas e nas embarcações de apoio. Para cada vaga de trabalho embarcado, há outras duas em terra para dar suporte a essa atividade. Para quem trabalha embarcado, a jornada inclui deslocamentos por via aérea ou marítima, que podem chegar a mais de 200 quilômetros da costa. A permanência média é de 14 dias seguidos em alto-mar, cumprindo atividades em turnos, para depois ter os dias de descanso em terra. É importante que o profissional procure as vagas mais adequadas ao seu perfil e busque sempre a qualificação certa para atuar. Profissionais embarcados com ensino médio completo têm uma diferença de renda de 94% em comparação com outros trabalhadores de mesma escolaridade. Técnicos de nível médio e profissionais operacionais de suporte administrativo têm um rendimento médio de R$ 7.159, mais que o dobro dos mesmos cargos em outros setores (R$ 3.406).

Formações mais procuradas

Nível técnico: Sávio Bueno, gerente de Cenários de Petróleo da Firjan, diz que as carreiras técnicas são as que estão no dia a dia da operação do setor. Profissões como técnico em química, elétrica, eletrônica e segurança do trabalho são exemplos de formações para esse mercado.

Onde estudar: Atualmente, há 2.064 vagas gratuitas abertas no estado do Rio para o ensino médio com curso técnico na Firjan Senai Sesi. As inscrições são para pessoas de renda baixa e podem ser feitas até o dia 12 no site escolafirjansesi.com.br/gratuidade. Podem se candidatar jovens com, no mínimo, 14 anos até 31 de dezembro de 2026, que já tenham terminado ou estejam terminando o 9º ano do ensino fundamental.

Formações transversais: Bueno também destaca que existem formações que atendem a vários segmentos industriais e são muito requisitadas pelo setor de petróleo, como mecânica e automação industrial, comandos elétricos, hidráulica e pneumática e operador de processos químicos industriais. No ensino superior, as carreiras vão de Engenharia à área de Saúde.

Senai: De acordo com Bueno, outros cursos do Senai com alta demanda no mercado de petróleo e gás são os de auxiliar de plataforma e operador de produção offshore, entre outros.