03 de julho de 2026

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Déficit dos Correios: como resolver a crise

Economia Déficit 03/07/2026 12:17 Welington Rocha, presidente da FIPECAFI e professor sênior da FEA-USP

Os Correios tiveram um prejuízo de mais de R$ 3 bilhões em apenas três meses. Uma parte desse valor pode não ser paga agora, mas a empresa precisa urgentemente cortar gastos e aumentar a receita. A solução mais provável, segundo especialistas, é a privatização.

BRA 1

Não há como negar que um déficit superior a R$ 3 bilhões, em um único trimestre, seja assustador. A boa notícia é que cerca de um terço desse valor se refere a despesas com contingências, o que significa que elas não devem impactar o caixa no curto prazo.

Segundo os auditores independentes, o valor dessas contingências pode estar calculado para mais ou para menos. É preciso que os administradores dos Correios revisem isso com cuidado.

  • Os Correios tiveram um prejuízo de mais de R$ 3 bilhões em apenas três meses.
  • Cerca de um terço desse valor é de despesas que podem não precisar ser pagas agora.
  • A empresa precisa cortar gastos e aumentar a receita para se recuperar.
  • Especialistas acreditam que a única solução é privatizar os Correios.
  • Se a crise continuar, quem vai pagar a conta é o contribuinte.

Independentemente disso, é improvável que os empréstimos bilionários concedidos por um grupo de bancos sejam pagos, mesmo no longo prazo. O mais provável é que a perda fique com o Tesouro, ou seja, no fim das contas, com os contribuintes.

Solução

Como em qualquer empresa, a solução para a crise financeira dos Correios passa por dois caminhos: aumento de receita e redução de custos, mas não necessariamente nessa ordem.

O aumento de receita é necessário, mas é um processo demorado e depende de fatores como concorrência, serviços de qualidade e preços competitivos. Virar uma plataforma de serviços moderna, ágil e integrada à economia digital, em uma empresa desse porte, exige muito tempo e investimento em tecnologia e qualificação de pessoas.

Portanto, a prioridade zero dos Correios é reduzir custos. Mas não reduções pequenas ou cosméticas, e sim reduções enormes. Não é só uma questão de competência para identificar ociosidades e atividades desnecessárias. Mais do que isso, é preciso coragem e determinação da alta administração para tomar decisões desse porte. O problema maior não é saber o que fazer, mas ter coragem para fazer.

Para reduzir custos dessa magnitude, algumas perguntas precisam ser respondidas: os custos de administração estão adequados Onde estão as ociosidades de imóveis, máquinas e pessoas Onde estão sendo feitas atividades em duplicidade Nas agências Nas dependências administrativas Quais fornecedores estão repassando suas ineficiências para os Correios, via preços de bens e serviços

A resolução desses problemas só será possível se for adotado um modelo de gestão baseado na lógica de empresas privadas, o que não parece ser o caso dos Correios hoje. Daí a conclusão: a menos que a sociedade brasileira aceite continuar pagando por prejuízos enormes e recorrentes, a única solução é desestatizar, ou privatizar de vez. Mas isso é pouco provável de acontecer nas circunstâncias atuais.