Uma pesquisa do Ebury Bank mostra que o real está mais forte e dá mais poder de compra para brasileiros no Japão, Reino Unido, Europa e Estados Unidos. Já viajar para América do Sul, Argentina e México ficou mais caro.
São Paulo, junho de 2026 Os brasileiros que planejam viajar ao exterior nas férias de julho encontram um cenário mais favorável em diversos destinos internacionais. Um levantamento feito pelo Ebury Bank, instituição especializada em câmbio e pagamentos internacionais, mostra que a valorização do real frente a várias moedas importantes, junto com a inflação de cada país, aumentou o poder de compra dos turistas brasileiros em alguns dos destinos mais procurados do mundo.
- O iene japonês caiu 18,2% frente ao real em 12 meses, e a inflação no Japão é baixa (1,4%), dando ao brasileiro 20,5% mais poder de compra.
- O Reino Unido é o segundo melhor destino, com ganho de 6,8% para os brasileiros devido à libra mais fraca e inflação de 2,8%.
- Na Zona do Euro, os brasileiros ganham 4,8% de poder de compra; nos EUA, o ganho é de 4,4%.
- Na América do Sul, Chile e Peru não são mais tão vantajosos por causa da inflação local; Argentina perdeu 1,7% de vantagem, apesar do peso mais fraco.
- O México é o pior destino: o peso mexicano subiu e, com inflação de 3,9%, o poder de compra do brasileiro caiu 5%.
O grande destaque é o Japão. Nos últimos 12 meses, o iene acumulou uma desvalorização de 18,2% em relação ao real, enquanto a inflação local permaneceu em patamares baixos, de 1,4%. Na prática, isso significa que o viajante brasileiro consegue comprar hoje cerca de 20,5% mais produtos e serviços com a mesma quantidade de reais do que conseguia há um ano. O resultado coloca o país asiático na liderança entre os destinos analisados pelo estudo.
O Reino Unido aparece na segunda posição do ranking. A combinação entre a valorização do real frente à libra esterlina e uma inflação doméstica de 2,8% fez com que o poder de compra dos brasileiros aumentasse 6,8% no período. Em seguida, vêm os países da Zona do Euro, onde o ganho chega a 4,8%, e os Estados Unidos, com avanço de 4,4%.
Segundo Diego Barnuevo, analista de mercado do Ebury Bank, o cenário atual cria oportunidades para quem deseja viajar para mercados tradicionalmente considerados mais caros. “A valorização do real frente a moedas importantes tem contribuído para aumentar o orçamento dos viajantes brasileiros. Em alguns destinos, o efeito do câmbio foi suficiente para superar a inflação local, tornando gastos com hospedagem, alimentação, transporte e lazer relativamente mais acessíveis do que há um ano.”
A China também apresenta um cenário positivo para os turistas brasileiros. Beneficiada por uma inflação de apenas 1,2%, a segunda maior economia do mundo registrou um ganho de 1% no poder de compra dos visitantes vindos do Brasil.
Por outro lado, os países da América do Sul, que nos últimos anos figuraram entre os destinos mais vantajosos para os brasileiros, perderam parte dessa atratividade quando analisado o impacto combinado entre câmbio e inflação. No Chile e no Peru, embora o real tenha se fortalecido frente às moedas locais ao longo do último ano, a inflação registrada nos dois países praticamente anula esse benefício, resultando em perdas de poder de compra de 0,6% e 0,8%, respectivamente.
A Argentina segue sendo um caso particular. Apesar da forte valorização do real frente ao peso argentino, a inflação local, ainda em níveis elevados, de 33,6%, reduziu a vantagem cambial para os turistas brasileiros. Como resultado, o poder de compra ficou 1,7% menor em comparação ao mesmo período do ano passado.
“O câmbio é um fator importante no planejamento financeiro de uma viagem internacional, mas não deve ser analisado isoladamente. A inflação local influencia diretamente os preços de hotéis, restaurantes, transporte e atrações turísticas. Por isso, avaliar o ganho real de poder de compra oferece uma visão mais completa sobre quais destinos estão realmente mais acessíveis”, acrescenta Barnuevo.
Entre os países analisados, o México apresentou o desempenho menos favorável para os brasileiros. A valorização do peso mexicano frente ao real, somada à inflação local de 3,9%, provocou uma redução de 5% no poder de compra dos turistas.
O levantamento do Ebury Bank indica que, para as férias de julho deste ano, destinos como Japão, Reino Unido, Europa e Estados Unidos oferecem as condições mais favoráveis para os brasileiros que desejam aproveitar melhor seu orçamento de viagem. Enquanto isso, mercados que tradicionalmente atraem turistas em busca de economia, especialmente na América do Sul, já não apresentam a mesma vantagem observada em anos anteriores.

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