A partir de agosto, novas regras fiscais podem impedir a emissão de notas fiscais e travar o faturamento das empresas. Especialistas alertam que 2026 não é apenas um ano de testes.
A Reforma Tributária do Consumo entra em uma nova fase a partir de agosto. Embora 2026 seja considerado um período de transição e teste, com alíquota-teste de 1% sendo 0,1% de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e 0,9% de CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) , a emissão dos documentos fiscais eletrônicos já deve observar os leiautes atualizados, com informação individualizada dos novos tributos nas operações aplicáveis.
Segundo o Comitê Gestor do IBS, o prazo para adequação dos sistemas de emissão de notas fiscais termina em 31 de julho de 2026. A partir de 3 de agosto, após o período de flexibilização, o preenchimento dos campos relativos à CBS e ao IBS passa a ser exigido para autorização dos documentos fiscais eletrônicos, conforme os leiautes e as regras de validação aplicáveis. Documentos sem as novas informações poderão ser rejeitados ou não autorizados pelos sistemas emissores. Além disso, a manutenção de inconsistências nas obrigações acessórias poderá gerar riscos fiscais e questionamentos futuros em eventual fiscalização.
- A partir de 3 de agosto, notas fiscais sem os novos campos de IBS e CBS podem ser rejeitadas.
- O prazo para as empresas se adaptarem aos novos sistemas termina em 31 de julho de 2026.
- 2026 é um ano de testes, mas erros podem travar as vendas e o faturamento.
- É preciso integrar as áreas fiscal, contábil, financeira e de tecnologia para evitar problemas.
- Inconsistências agora podem gerar multas e problemas com o fisco no futuro.
Para a Valestrá, assessoria empresarial integrada, o alerta é claro: a falta de preparo não afeta apenas a 'rotina operacional'; afeta a capacidade da empresa de faturar e gerar caixa. O risco, neste momento, não está propriamente no desembolso financeiro dos novos tributos em 2026, mas na capacidade de cumprir corretamente as novas obrigações acessórias e na falta de preparo dos sistemas, cadastros, processos fiscais e fluxos internos de validação.
Existe uma falsa sensação de segurança quando se fala em ano de testes. O fato de 2026 ter caráter transitório e de apuração informativa não significa que as empresas possam deixar a adaptação para depois. Se a nota fiscal for emitida de forma incorreta ou sem as informações exigidas, o problema deixa de ser conceitual e passa a ser financeiro: a venda não acontece, a mercadoria não circula e o caixa da companhia é atingido no mesmo instante, afirma Jéssica Amorim, especialista da área tributária da Valestrá.
Pontos críticos para evitar o apagão no faturamento
Para evitar um 'apagão' no faturamento, a Valestrá elenca os pontos críticos que devem entrar imediatamente na pauta de governança das diretorias:
- Auditoria de sistemas e processos: Garantir que a parametrização de TI esteja pronta para validar os novos campos de IBS e CBS sem travar a emissão em massa.
- Integração de dados: Quebrar os silos entre as áreas fiscal, contábil, financeira e de tecnologia, estabelecendo um comitê de resposta rápida para eventuais rejeições de notas.
- Mapeamento de exceções: Identificar antecipadamente operações complexas da cadeia que exigirão tratamentos tributários específicos no novo leiaute.
- Mitigação de passivos: Evitar que as inconsistências geradas agora na fase informativa se transformem em rastros de dados errados, gerando pesadas autuações no futuro.
Na avaliação da Valestrá, o momento exige maturidade corporativa. Mais do que uma simples atualização de software, o novo modelo testa a governança de dados e a agilidade da gestão.
Empresas que ainda tratam a Reforma Tributária como um assunto distante tendem a ser surpreendidas por impactos práticos. A obrigação começa pela informação correta. Antes de discutir carga tributária futura, é preciso garantir que a empresa consiga emitir documentos fiscais, apurar informações e operar dentro das novas regras, completa Jéssica.

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