A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) esteve presente no lançamento de um guia que define regras para a venda de soja sustentável entre Brasil e China. O documento, criado em parceria com instituições brasileiras e chinesas, agora usa a legislação brasileira como referência, o que é uma vitória para os produtores. O evento aconteceu em Xangai, na China.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) participou, nesta quarta-feira (1º), do lançamento oficial do Guia para a Cadeia de Suprimento Sustentável de Soja Brasil-China. O evento aconteceu durante a 17ª China International Cereals & Oils Conference (CCOC17), em Xangai, na China.
Representando a entidade, o vice-presidente Luiz Pedro Bier acompanhou as discussões sobre o futuro da cadeia global da soja e a criação de regras para o comércio sustentável entre os dois países.
- O guia foi criado para ajudar na venda de soja do Brasil para a China, garantindo que ela seja produzida de forma sustentável.
- A Aprosoja MT conseguiu mudar as regras do documento para que a legislação brasileira seja a principal referência.
- O programa Soja Legal, da Aprosoja MT, foi incluído como exemplo de boas práticas para os produtores.
- O vice-presidente da entidade disse que o diálogo técnico mostrou que é possível criar regras internacionais que respeitem as leis brasileiras.
- A China é um dos maiores compradores de soja do Brasil, e este guia pode fortalecer a confiança entre os dois países.
O guia foi elaborado pela China Chamber of Commerce of Import and Export of Foodstuffs, Native Produce and Animal By-products (CFNA), em parceria com o World Resources Institute (WRI) e instituições brasileiras e chinesas. O documento define parâmetros para a cadeia de fornecimento da soja no mercado internacional.
Contribuição da Aprosoja MT para o guia
Durante o processo de elaboração, a Aprosoja MT apresentou contribuições técnicas ao texto, principalmente em relação aos critérios de sustentabilidade adotados nas versões iniciais do guia. A entidade afirmou que as primeiras propostas seguiam uma lógica de desmatamento zero, com critérios que iam além do que prevê a legislação brasileira.
Após as discussões, o documento final passou a reconhecer a legislação brasileira como principal referência para avaliar a legalidade e a sustentabilidade da produção agrícola. Isso substituiu critérios genéricos por um modelo baseado na conformidade com a lei.
Ferramentas oficiais incluídas
O guia também inclui instrumentos oficiais como o Cadastro Ambiental Rural (CAR), autorizações de desmate e outros mecanismos previstos na legislação brasileira. Além disso, o Programa Soja Legal, desenvolvido pela Aprosoja MT, foi incorporado ao material como exemplo de boas práticas voltadas à conformidade socioambiental.
Opinião do vice-presidente da Aprosoja MT
Para Luiz Pedro Bier, a participação dos produtores nos debates internacionais é fundamental para garantir que a sustentabilidade da produção brasileira seja analisada dentro do contexto legal do país.
A sustentabilidade da produção brasileira precisa ser avaliada com base na nossa legislação, que é a mais rigorosa do mundo. O diálogo técnico mostrou que é possível construir referências internacionais que respeitem a legislação brasileira e reconheçam o compromisso dos produtores com a produção responsável. Esse é um passo importante para fortalecer a confiança entre Brasil e China, disse.
Próximos passos e desafios
Apesar do avanço, a Aprosoja MT avalia que ainda há pontos a serem aprimorados no documento. Um dos temas em discussão é o uso de dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (PRODES), que monitora áreas desmatadas na região.
A entidade defende que as informações do sistema não sejam tratadas automaticamente como indicativo de ilegalidade. Isso porque existem autorizações ambientais, processos administrativos e instrumentos de regularização previstos na legislação brasileira.
O lançamento do guia marca mais um passo na relação comercial entre Brasil e China e amplia o debate sobre critérios de sustentabilidade no comércio internacional da soja.

Representante da Aprosoja MT durante evento na China



