Casos de furto de fios de cobre estão acontecendo em várias cidades da Austrália, em estações de recarga para carros elétricos, prejudicando quem precisa carregar o veículo.
A Austrália está enfrentando uma onda de furtos de fios de cobre em estações de recarga para carros elétricos em várias cidades do país, de acordo com o site australiano News.au.com.
- Criminosos cortam e levam cabos de carregamento de carros elétricos para vender o cobre como sucata.
- Cada cabo tem cerca de 2,3 quilos de cobre, que vale aproximadamente R$ 157 na sucata.
- Os furtos acontecem em estações de recarga rápida, que têm cabos mais grossos e com mais metal.
- Uma nova tecnologia chamada CableGuard libera um líquido que brilha no escuro para identificar o cobre roubado.
- O roubo de metais causa prejuízos de mais de US$ 100 milhões por ano na Austrália.
Casos recentes de roubos desses cabos foram registrados em Newcastle, Raymond Terrace e na região de Central Coast, no estado de Nova Gales do Sul. Os criminosos cortaram e levaram cabos de carregamento instalados em estações, muitas delas localizadas em vias públicas.
Problema crescente
O problema tem chamado a atenção da imprensa local porque prejudica a infraestrutura de recarga justamente em um momento de forte crescimento da frota de veículos elétricos no país. A procura por carros elétricos cresceu muito na Austrália nos últimos anos.
Em todo o mundo, a decisão de comprar um carro elétrico geralmente está ligada à facilidade de encontrar lugares para recarregar. Isso é considerado muito importante por governos que querem reduzir a poluição e incentivar uma mobilidade mais sustentável.
Por que o cobre é tão visado
Segundo veículos de imprensa australianos, os criminosos passaram a mirar os cabos das estações por causa do cobre presente no seu interior. O metal é usado para conduzir a eletricidade da rede até a bateria do veículo e é muito utilizado por ser um bom condutor de eletricidade, ser flexível e resistente ao calor.
Um dos casos mais recentes ocorreu em Newcastle, onde ladrões roubaram os cabos de duas estações rápidas de recarga administradas pela prefeitura. A prefeitura informou que os equipamentos ficaram completamente inutilizados e que novos cabos precisaram ser encomendados.
A perda de receita dos carregadores de veículos elétricos vai pressionar ainda mais o nosso orçamento, num momento em que a equipe já está fazendo uma revisão de despesas, informou a prefeitura.
Poucos dias antes, criminosos haviam atacado a estação de Superchargers da Tesla em Raymond Terrace, localizada em uma movimentada rota entre Sydney e Brisbane. Metade dos cabos foi cortada e levada, reduzindo pela metade a capacidade de atendimento do local até que os reparos fossem concluídos.
Um motorista contou a situação em uma publicação nas redes sociais: "Cheguei ao Supercharger de Raymond Terrace ontem à tarde e encontrei quatro totens de recarga com os cabos completamente removidos. As estações ainda estavam ligadas, mas não havia nada para conectar ao carro", escreveu.
Outro ataque parecido ocorreu em uma estação da Tesla na região de Central Coast, também em Nova Gales do Sul, obrigando motoristas a procurar outros pontos de carregamento.
Valor do cobre e mercado ilegal
O aumento dos casos acompanha a valorização internacional do cobre, que está sendo mais usado por causa da expansão dos centros de dados para inteligência artificial, das redes de energia renovável e da própria indústria de veículos elétricos.
Cada cabo de carregamento tem cerca de 2,3 quilos de cobre, que vale aproximadamente US$ 30 (ou R$ 157) quando vendido como sucata na Austrália. Apesar do valor relativamente baixo por unidade, os criminosos preferem atacar estações de carregamento rápido, onde os cabos são mais grossos e têm mais metal.
Esse mercado ilegal funciona por meio da venda do cobre roubado como sucata. Depois de retirarem o revestimento dos cabos, os criminosos vendem o metal para recicladores ilegais ou receptadores, aproveitando a alta demanda internacional pela matéria-prima.
Tecnologia para combater o crime
A principal operadora de carregamento da Austrália, a Evie Networks, começou a testar uma tecnologia para combater esse tipo de crime. O sistema, chamado CableGuard, libera um líquido com identificação forense quando o cabo é cortado. A substância brilha sob luz ultravioleta e tem um código registrado em um banco de dados acessível à polícia, permitindo rastrear a origem do cobre recuperado.
Problema mundial
O roubo de cobre não se limita às estações de carregamento australianas. Na semana passada, uma tentativa de furto em uma subestação elétrica no sudeste de Queensland provocou um incêndio depois que criminosos tentaram cortar um cabo energizado de 11 mil volts. Cerca de 13 mil residências ficaram sem energia.
Segundo o Instituto Australiano de Criminologia, o roubo de metais causa prejuízos superiores a US$ 100 milhões por ano no país. A imprensa local destaca que o problema segue uma tendência já observada no Reino Unido e nos Estados Unidos, onde furtos de cabos de estações de recarga vêm causando prejuízos crescentes e dificultando a expansão da infraestrutura para veículos elétricos.

Estação de carregamento de carros elétricos com o cabo cortado e furtado em Raymond Terrace, na Austrália. Foto: Reprodução/Facebook/The Local Situation


