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Mercado financeiro e sociobioeconomia: um novo caminho para a floresta

Economia Sociobioeconomia 01/07/2026 16:49 Fabíola Sinimbú - Repórter da Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

A sociobioeconomia, que une desenvolvimento econômico com preservação ambiental, já movimenta R$ 2,7 trilhões no Brasil, mas ainda enfrenta desafios para conectar produtores de comunidades tradicionais aos recursos financeiros disponíveis.

As políticas públicas e o crescente interesse das empresas privadas estão tirando a sociobioeconomia da invisibilidade. Esse modelo de desenvolvimento, que une a produção de bens e serviços com o cuidado com a natureza, está ganhando cada vez mais espaço na economia brasileira.

A sociobioeconomia é uma forma de produzir de maneira sustentável, praticada principalmente por comunidades como indígenas e quilombolas. Ela usa recursos naturais sem destruí-los, como no plantio de agroflorestas e na produção de alimentos e madeira a partir da restauração de áreas degradadas. Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria mostrou que esse setor já movimenta cerca de R$ 2,7 trilhões no país, o que equivale a 25,3% do PIB brasileiro.

  • A sociobioeconomia movimenta R$ 2,7 trilhões, o que representa mais de um quarto de toda a riqueza produzida no Brasil.
  • Ela é praticada por comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas, e ajuda a preservar a natureza.
  • O governo criou políticas, como o Plano de Transformação Ecológica, para apoiar esse setor.
  • Mesmo com o crescimento, os produtores ainda enfrentam dificuldades para conseguir crédito e financiamento.
  • Iniciativas como o Programa Implementa Sociobio querem levar R$ 5 bilhões em crédito para esses produtores até 2030.

Para Fabíola Zerbini, diretora executiva da organização social Conexsus, o setor está saindo da invisibilidade graças a políticas de governo, como o Plano de Transformação Ecológica, e a novos instrumentos de finanças verdes, como o Ecoinvest. Ela afirma que fortalecer esse setor é estratégico para o país, tanto para a agenda climática quanto para a economia e a justiça social.

Acesso ao crédito

Embora o setor tenha crescido e esteja se organizando em cooperativas e associações, ainda é difícil para os produtores conseguirem crédito e recursos financeiros. Fabíola Zerbini explica que a maioria dos incentivos e subsídios não foi feita para esses negócios comunitários.

Um exemplo é a Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com Base na Economia Solidária (COPABASE), que existe há 18 anos na cidade de Arinos, no Cerrado de Minas Gerais. Com 165 cooperados que produzem polpas de frutas e outros produtos sustentáveis do Cerrado, a cooperativa só conseguiu seu primeiro crédito depois de mais de dez anos de existência. A gestora ambiental Anny Caroliny Rocha conta que o crédito foi usado para a semente de baru, uma árvore que antes era cortada para madeira, mas que agora vale mais em pé, gerando mais renda para os produtores.

Essa mesma dificuldade foi enfrentada pela Associação dos Produtores Agroextrativistas da Colônia do Sardinha (Aspacs), no Amazonas. Eles produzem óleos de copaíba, andiroba e manteigas de murumuru e tucumã, gerando renda para mais de 1,5 mil famílias. A presidente da Aspacs, Marcikely Ferreira, conta que precisaram buscar apoio para conseguir financiamento e aumentar o número de colaboradores na época da produção.

Parcerias

Para abrir novas formas de captar recursos e atrair investidores, a Conexsus, em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Banco do Brasil, criou o Programa Implementa Sociobio. O objetivo é fazer com que R$ 5 bilhões em crédito cheguem aos produtores da sociobioeconomia até 2030. José Ricardo Sasseron, vice-presidente de Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil, afirma que a iniciativa ajuda a ampliar o acesso a instrumentos financeiros, assistência técnica e mercados, fortalecendo cadeias produtivas sustentáveis.

Fabíola Zerbini destaca que transformar a floresta em pé em economia real, competitiva e capaz de gerar renda para quem vive nos territórios é um desafio que, se bem superado, pode impactar positivamente toda a economia nacional. Ela explica que o modelo de uso da terra que o país e as empresas escolherem vai definir os riscos e custos futuros. No caso da sociobioeconomia, os impactos positivos vão além do valor do produto, pois ela oferece serviços ecossistêmicos, como a captura de gases do efeito estufa, e ajuda a mitigar os riscos das mudanças climáticas, como a falta de água e as enchentes.