Empresas de família, que são uma parte importante da economia brasileira, estão contratando conselhos consultivos para ajudar a administrar melhor os negócios, resolver problemas entre parentes e preparar a passagem do comando para a próxima geração, que é um dos maiores desafios desse tipo de empresa. Esses conselhos trazem pessoas de fora para dar opiniões e ajudar nas decisões, tornando a gestão mais profissional e menos dependente das emoções da família.
Empresas familiares, que respondem por parcela relevante da atividade empresarial brasileira, têm buscado conselhos consultivos como ferramenta para profissionalizar a gestão, reduzir conflitos internos e estruturar processos sucessórios, um dos principais desafios desse modelo de negócio. Levantamento global da PwC de 2025 aponta que negócios que combinam governança robusta e agilidade apresentam maior capacidade de adaptação e longevidade. Nesse contexto, estruturas consultivas passaram a ganhar espaço entre negócios que precisam equilibrar crescimento, legado e continuidade.
- O conselho consultivo é um grupo de especialistas de fora da empresa que ajuda a dar conselhos e a tomar decisões importantes.
- Muitas empresas familiares começam com o fundador tomando todas as decisões sozinho, o que pode causar problemas quando a empresa cresce.
- A sucessão, ou seja, passar o negócio para os filhos ou outros parentes, é um momento que pode gerar muitas brigas se não houver um plano claro.
- Ter regras e processos definidos ajuda a evitar que emoções e desentendimentos pessoais atrapalhem os negócios.
- Empresas que usam conselhos consultivos conseguem crescer de forma mais organizada e se preparar melhor para o futuro.
Segundo Farias Souza, administrador de empresas, especialista em governança corporativa, CEO e fundador da Board Academy, edtech especializada na formação e certificação de conselheiros, executivos e empresários, a busca por esse modelo reflete uma mudança no comportamento do empresariado. "A empresa familiar normalmente nasce com decisões concentradas no fundador. Isso pode funcionar por um período, mas perde eficiência à medida que o negócio cresce, surgem novas gerações e a complexidade aumenta. O conselho consultivo ajuda a organizar esse processo e trazer mais racionalidade para decisões estratégicas."
Na prática, o conselho consultivo tem sido adotado como uma etapa intermediária entre a gestão centralizada no fundador e modelos mais estruturados de governança corporativa. Diferentemente de um conselho de administração formal, essa estrutura atua como apoio estratégico, trazendo visões externas, experiência executiva e mediação qualificada para decisões sensíveis.
Sucessão expõe fragilidades na gestão familiar
De acordo com Farias, a sucessão costuma ser o momento em que a fragilidade da estrutura aparece com mais força. "O problema raramente começa na sucessão. Ele começa anos antes, quando a empresa cresce sem separar família, propriedade e gestão. Quando chega a transição, os conflitos que estavam silenciosos explodem."
Especialistas em governança observam que um dos principais gargalos está justamente na ausência de processos claros para transferência de comando. Sem regras definidas, critérios objetivos e fóruns estruturados de discussão, disputas familiares tendem a contaminar decisões empresariais, afetando caixa, cultura e continuidade operacional.
O conselho consultivo como ferramenta de crescimento e continuidade
Nesse contexto, o conselho consultivo vem sendo usado para reduzir a dependência de decisões emocionais e ampliar a racionalidade estratégica. A presença de membros externos ajuda a criar disciplina na rotina de gestão, estabelecer metas, acompanhar indicadores e provocar discussões que, dentro do ambiente familiar, muitas vezes são evitadas.
"Quando a empresa depende exclusivamente da visão do fundador ou de acordos informais entre familiares, ela se torna vulnerável. O conselho ajuda a transformar opinião em processo e conflito em discussão estruturada", diz Farias.
O avanço desse modelo também acompanha uma mudança no perfil das médias empresas brasileiras, que passaram a buscar mais previsibilidade em um ambiente de crédito caro, maior exigência por eficiência e pressão por crescimento sustentável. Nesse contexto, a governança deixou de ser apenas uma pauta institucional e passou a ter impacto direto sobre competitividade.
Na visão do CEO da Board Academy, a principal mudança está no entendimento de que governança não significa burocracia. "Muitos empresários ainda associam conselho a formalidade excessiva. Mas o que o mercado está mostrando é o contrário. Empresas que estruturam melhor suas decisões ganham velocidade, clareza e capacidade de atravessar mudanças com menos desgaste."
O avanço da demanda por governança também impulsionou a procura por formação especializada de conselheiros e lideranças empresariais, movimento acompanhado pela Board Academy nos últimos anos.
A tendência, segundo especialistas do setor, é que conselhos consultivos se consolidem como porta de entrada para a profissionalização de empresas familiares brasileiras, especialmente aquelas que precisam equilibrar legado, crescimento e continuidade.

Carolina Lara - Lara Comunicação




