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Como evitar brigas entre herdeiros com o planejamento sucessório

Economia Herança 30/06/2026 18:01 Monalise Bürger, assessoria de imprensa da Sua Nova Ideia

O planejamento sucessório é uma forma de organizar a herança ainda em vida, evitando conflitos, custos altos e problemas para filhos menores. Saiba como fazer isso de maneira simples e proteger sua família.

Planejamento sucessório é o conjunto de medidas tomadas em vida para organizar a transmissão do patrimônio e definir, com antecedência, decisões que afetam diretamente a família após a morte. Ele não se resume à divisão de bens. Também envolve prever quem administrará os recursos destinados a filhos menores, quais instrumentos podem reduzir o desgaste no inventário e de que forma a vontade dos pais será registrada dentro dos limites da lei. Quando isso não é tratado antes, o luto costuma vir acompanhado de bloqueio de contas, impasses sobre imóveis, demora na partilha e disputas entre parentes.

  • O Brasil registrou 38.740 testamentos em 2025, o maior número da história, um aumento de 21% em cinco anos.
  • O planejamento sucessório não é só para famílias ricas: qualquer pessoa com bens pode se beneficiar.
  • Sem planejamento, o patrimônio pode ficar travado até a regularização do inventário, que pode levar anos.
  • Para filhos menores, a falta de definição pode exigir atenção extra do Ministério Público e da Justiça.
  • Uma resolução de 2024 do Conselho Nacional de Justiça permite inventário extrajudicial mesmo com herdeiros menores, desde que haja consenso.

Graziela Jurça Fanti, advogada especialista em mulheres e pessoas LGBTQIAPN+, destaca que o maior erro é imaginar que o conflito sucessório nasce apenas de famílias desunidas. Segundo ela, muitos impasses aparecem em núcleos afetivos estruturados, justamente porque decisões importantes nunca foram colocadas no papel. "A ausência de planejamento transfere para a família, em um momento de fragilidade, a tarefa de resolver questões patrimoniais e pessoais que poderiam ter sido organizadas antes. Quando há filhos menores, essa falta de definição pesa ainda mais, porque o patrimônio fica sujeito a regras de administração e fiscalização que nem sempre correspondem ao que os pais desejariam", afirma.

O aumento dos testamentos no Brasil

Os números ajudam a explicar por que o tema ganhou espaço. O Brasil registrou 38.740 testamentos em 2025, o maior volume já contabilizado no país, segundo o Colégio Notarial do Brasil. O dado indica crescimento de cerca de 21% em cinco anos e revela uma procura maior por instrumentos formais de prevenção de conflitos familiares.

O que acontece quando não há planejamento

A preocupação faz sentido. Quando uma pessoa morre sem deixar diretrizes mínimas, a sucessão passa a seguir o rito legal e o patrimônio pode ficar travado até a regularização do inventário. Se houver filhos menores, a discussão tende a exigir atenção adicional do Ministério Público e do Judiciário ou do tabelionato, dependendo do caso, porque a lei busca proteger o interesse do incapaz. Em agosto de 2024, o Conselho Nacional de Justiça autorizou inventário e partilha extrajudicial mesmo com herdeiros menores ou incapazes, desde que haja consenso e observância das exigências legais, o que ampliou as possibilidades de solução em cartório, mas não eliminou a necessidade de organização prévia. A decisão foi incorporada pela Resolução nº 571/2024.

Como proteger os filhos de conflitos

Na prática, proteger filhos de futuros conflitos familiares passa por identificar o que precisa ser decidido ainda em vida. Isso inclui a organização de bens, o uso de testamento, seguro de vida, previdência privada, doações com reserva de usufruto e, em alguns casos, estruturas societárias voltadas à sucessão. Também envolve refletir sobre a administração do patrimônio que ficará para crianças e adolescentes. "Muita gente pensa na herança apenas como divisão de valores, mas a questão central costuma ser a governança desse patrimônio. Quem administra, com quais limites, sob qual fiscalização e com que grau de autonomia são perguntas que impactam diretamente a estabilidade dos filhos", explica Graziela.

O mito de que a Justiça resolve tudo

Outro ponto sensível é a falsa ideia de que a Justiça resolverá tudo de forma neutra e simples. O sistema resolve, mas dentro de parâmetros legais que podem não coincidir com o arranjo familiar imaginado pelos pais. Sem planejamento, o destino do patrimônio, a forma de partilha e a gestão de bens de menores ficam condicionados a regras gerais e à interpretação do caso concreto. Isso pode prolongar discussões e aumentar o desgaste entre parentes justamente quando a família mais precisaria de previsibilidade.

Conclusão: organize agora para evitar problemas depois

A alta no número de testamentos e a atualização das regras para inventários mostram que o país discute cada vez mais esse tema, mas a decisão ainda costuma ser adiada. Proteger filhos antes da crise começar significa reduzir o improviso num momento em que emoções e urgências costumam falar mais alto. Quando patrimônio, vontade e responsabilidade estão minimamente organizados, a família não precisa descobrir tudo no meio do conflito. Ela passa a contar com um roteiro mais claro para atravessar uma fase difícil sem transformar a herança em uma nova fonte de ruptura.