30 de junho de 2026

?? ºC São Paulo - SP
?? ºC Salvador - BA
?? ºC Cuiabá - MT

Governo anuncia Plano Safra com menos dinheiro para plantar

Economia Custeio 30/06/2026 16:22 Luiz Fernando Sá - AgFeed agfeed.com.br

O governo federal anunciou o Plano Safra 2026/2027 com R$ 525 bilhões. Parece muito, mas o aumento não cobriu a inflação, então na prática os produtores rurais vão ter menos dinheiro para custear a lavoura, como comprar sementes e fertilizantes.

O Plano Safra 2026/2027, anunciado pelo governo nesta terça-feira, dia 30 de junho, tem valores recordes em números absolutos, mas, na prática, os agricultores vão ter menos dinheiro para plantar. O total de R$ 525,1 bilhões parece grande, mas o aumento foi de apenas 1,72% em relação ao ano passado, enquanto os preços em geral subiram 4,72%. Isso significa que o poder de compra do dinheiro diminuiu.

  • O valor total do Plano Safra subiu menos que a inflação, então o produtor rural terá menos poder de compra.
  • O dinheiro para custeio, usado para comprar sementes e adubos, caiu muito: de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões.
  • Por outro lado, o governo aumentou o dinheiro para investimentos, como construir armazéns e comprar máquinas.
  • Os juros para alguns empréstimos caíram, mas isso pode não ser suficiente para ajudar os produtores endividados.
  • Quem tem cadastro ambiental regular pode conseguir descontos nos juros, o que pode ser uma saída para economizar.

Esse dinheiro do plano é dividido em duas partes principais: uma para o custeio, que é o dia a dia da fazenda, e outra para investimentos, como máquinas e benfeitorias. A parte do custeio, que é a mais importante para o plantio, sofreu uma redução grande. Ela caiu de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, uma queda de 11,37% já descontando a inflação.

Isso acontece justamente num momento em que os custos dos insumos, como fertilizantes e defensivos, estão subindo por causa de problemas geopolíticos. Ou seja, o produtor vai ter menos dinheiro para plantar em uma época em que tudo está mais caro. Para muitos, isso pode significar plantar menos ou ter que buscar empréstimos mais caros em bancos privados.

O que muda para o produtor rural

David Telio, diretor da agfintech TerraMagna, explica que essa diminuição do dinheiro para custeio é um problema sério. Muitos produtores já estão com dívidas altas e precisam de capital de giro para começar a nova safra. Com menos dinheiro oficial, a tendência é que eles fiquem ainda mais apertados financeiramente.

Mais dinheiro para investimentos, menos para o plantio

Por outro lado, o governo aumentou o dinheiro para investimentos de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões. Isso é um crescimento de 38,13%, ou 31,90% acima da inflação. Esse dinheiro pode ser usado para modernizar a propriedade, como comprar tratores, construir silos ou sistemas de irrigação.

A ideia do governo é ajudar o produtor a se preparar para o futuro, com mais tecnologia e infraestrutura. Mas isso pode significar um aperto no presente, já que o dinheiro para tocar a lavoura do dia a dia diminuiu.

Na prática, quem quer investir em melhorias vai encontrar mais opções de crédito. Mas quem depende do dinheiro do custeio para fechar as contas da safra terá mais dificuldade para manter as margens de lucro.

David Telio diz que essa decisão do governo parece não estar de acordo com a realidade do mercado. As principais feiras de agronegócio de 2026 mostraram uma queda nas vendas de máquinas e equipamentos. Isso acontece porque os produtores estão com margens baixas, muito endividados desde 2023 e os bancos estão mais seletivos na hora de emprestar.

Juros mais baixos e incentivos para sustentabilidade

Para tentar compensar a falta de dinheiro, o governo reduziu as taxas de juros de algumas linhas de crédito. Por exemplo, o Pronamp, que é para médios produtores, terá juros de 9% ao ano. A ideia é que um custo financeiro menor ajude a aliviar o caixa do produtor.

Outra novidade são os descontos nos juros para quem pratica a sustentabilidade. Quem tem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado e adota práticas sustentáveis pode conseguir uma redução de até 1 ponto percentual nos juros. Em tempos de crédito escasso, esses descontos viram uma ferramenta importante para a sobrevivência financeira.

No entanto, esses descontos já existiam no plano safra anterior e o acesso a eles ainda é muito pequeno. A questão é se eles serão efetivamente usados pelos produtores para fazer a diferença no orçamento da fazenda.