O setor de loteamentos no Brasil mostra força mesmo com juros elevados. A demanda por terrenos urbanizados continua alta, principalmente no Sudeste. Saiba como investir em lotes legais e evitar problemas com terrenos clandestinos.
O primeiro semestre de 2026 confirmou algo que o setor de loteamentos já vinha mostrando nos últimos anos: mesmo com juros altos, a procura por lotes urbanizados continua muito forte no Brasil. A queda da Selic ainda não é suficiente para liberar totalmente o crédito e os grandes investimentos no setor.
- A Região Sudeste lidera o mercado, com 47% dos lançamentos e 46% das vendas do país.
- Investir em lote é vantajoso porque exige menos dinheiro inicial e o terreno valoriza com o tempo.
- Lotes irregulares (clandestinos) são um grande risco; só compre terrenos aprovados pela prefeitura e registrados em cartório.
- O segundo semestre de 2026 deve ter mais lançamentos e aprovações, com juros mais baixos.
- A AELO representa mais de mil empresas e defende a legalidade e a proteção do consumidor.
Os números mostram um cenário de juros altos convivendo com uma demanda que não para. Segundo a pesquisa do Instituto Brain para a AELO, o mercado continua vendendo os lotes disponíveis, mesmo em um momento de economia difícil, com juros elevados e crédito mais apertado.
A Região Sudeste manteve a liderança do setor, concentrando 47% dos lançamentos e 46% das vendas realizadas no país. O Centro-Oeste aparece na sequência, com 23% dos lançamentos e 17% das vendas.
Esses dados reforçam um ponto principal: investir em lote é um bom negócio. O dinheiro inicial é menor do que comprar um imóvel pronto, e o terreno urbanizado tem se valorizado bastante nos últimos anos. Isso torna o loteamento um investimento interessante tanto para quem quer morar quanto para quem deseja construir patrimônio a médio e longo prazo. Mas esse potencial só se realiza quando o comprador escolhe um produto regular, aprovado pela prefeitura, com licença ambiental e registro em cartório e é aí que entra o papel da AELO, que atua há 45 anos.
Nosso trabalho foca em três áreas importantes para a saúde do setor e a proteção do consumidor: combater o loteamento clandestino, que ainda é uma das maiores ameaças tanto para o comprador quanto para as empresas sérias; esclarecer o que é, de fato, um lote legal, já que muitas pessoas confundem um terreno barato com uma boa oportunidade sem verificar se ele tem registro, água, energia, drenagem e pavimentação e se está livre de problemas ambientais; e defender o setor diante de mudanças nas leis e nos impostos.
Olhando para o segundo semestre, a expectativa da AELO é de que as vendas continuem crescendo e os preços se mantenham valorizados, acompanhando projetos melhores e a queda gradual da Selic. Historicamente, é também no segundo semestre que acontecem mais aprovações e lançamentos, o que deve aumentar a oferta justamente quando o crédito tende a ficar mais barato. Quando a taxa básica de juros fica alta por muito tempo, os setores produtivos e o de loteamentos não é diferente não conseguem gerar todo o emprego, a renda e os novos empreendimentos que poderiam. Não há outra saída: responsabilidade fiscal e queda sustentada da Selic são condições necessárias para que o setor amplie a oferta de lotes para todas as classes de renda.
O que os números do primeiro semestre mostram é que o setor de loteamentos está passando por um momento de maturidade. Mesmo com juros ainda altos, a demanda por lotes urbanizados continua forte, os estoques estão equilibrados e a valorização segue consistente em várias regiões do país. Cabe à AELO, com seus mais de mil associados, continuar trabalhando para que esse crescimento ocorra dentro da legalidade protegendo o comprador, fortalecendo as empresas sérias e ajudando a construir cidades mais organizadas e sustentáveis em todo o Brasil.
O autor
Por Caio Portugal, presidente da AELO Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano.

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