26 de junho de 2026

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Dinheiro no varejo: um problema que custa bilhões

Economia dinheiro 26/06/2026 10:18 Helder Horikawa - Core Group

Apesar do avanço do Pix e dos cartões, o dinheiro vivo ainda é usado em 38% das compras no Brasil, gerando custos enormes para lojas e supermercados, que perdem até 20% do valor movimentado por causa de roubos, erros e falta de controle.

Muito se fala sobre o avanço do Pix, carteiras digitais e a transformação dos meios de pagamento no Brasil. Mas, longe dos holofotes, o dinheiro físico continua circulando, em algumas regiões em grande escala, gerando desafios bilionários para o varejo. Embora a percepção popular seja de que ninguém mais usa dinheiro, supermercados, atacadistas, farmácias, lojas de conveniência e redes varejistas ainda operam diariamente com bons volumes de numerário.

Como diz Hailton Santos, diretor Comercial da Sesami, referência em soluções para segurança e gestão no varejo, o problema já não é mais a existência do dinheiro vivo, mas a complexidade da sua gestão. Dados do Banco Central mostram que o dinheiro em circulação no Brasil ultrapassa R$ 349 bilhões entre cédulas e moedas em 2025. O Banco Mundial aponta que cerca de 38% das compras no varejo brasileiro ainda são feitas em dinheiro, índice que ultrapassa 60% em regiões periféricas e no interior.

  • O dinheiro vivo ainda representa 38% das compras no Brasil, segundo o Banco Mundial.
  • Em regiões periféricas e no interior, esse número passa dos 60%.
  • O custo para gerenciar dinheiro em espécie pode chegar a 20% do valor movimentado.
  • O varejo brasileiro perdeu R$ 42,1 bilhões em 2025, parte por causa da má gestão do dinheiro.
  • Empresas que faturam R$ 1 bilhão por ano podem perder até R$ 7 milhões com manuseio e transporte de dinheiro.

Na prática, isso significa que muitas empresas ainda precisam lidar diariamente com perdas financeiras, divergências de caixa, falhas na reconciliação, riscos de segurança, custos elevados com transporte de valores, erros humanos e interrupções operacionais. Segundo Hailton Santos, o custo para controlar dinheiro em espécie pode consumir até 20% do valor movimentado.

Segundo a 9ª Pesquisa de Perdas no Varejo Brasileiro, elaborada pela Associação Brasileira de Prevenção de Perdas (Abrappe) em parceria com a Protiviti, as perdas com a gestão de numerário (dinheiro falso, furto e roubo) tiveram participação de 19,59% nas perdas financeiras do varejo, atrás somente das perdas geradas pelo cartão de crédito, com 28,79%, mas à frente de cartão de débito (18,24%), Pix (11,77%) e outros meios de pagamento (11,59%).

O varejo brasileiro registrou R$ 42,1 bilhões em perdas em 2025, segundo a Abrappe e Protiviti. Há estudos também que apontam que as perdas no manuseio e transporte de dinheiro representam entre 0,3% e 0,7% do faturamento anual do varejo. Em uma empresa que fatura R$ 1 bilhão por ano, isso pode significar até R$ 7 milhões em prejuízo.

Tecnologia à disposição do varejo

É nesse cenário que cresce a demanda por soluções de automação e gestão de numerário, capazes de reduzir riscos e aumentar a eficiência operacional das empresas. Por isso, contar com a ajuda da tecnologia é essencial. Muitas empresas ainda tratam a gestão de numerário de forma manual, vulnerável e pouco estratégica. Isso gera perdas silenciosas todos os dias, comenta o diretor da Sesami.

Segundo o executivo, o crescimento dos pagamentos digitais não eliminou os desafios relacionados ao numerário. O Pix certamente revolucionou a experiência de pagamento do consumidor, mas o varejo ainda movimenta numerário diariamente e precisa administrar tudo isso com eficiência, segurança e rastreabilidade, explica Santos. Na Sesami, a demanda por cofres inteligentes cresceu cerca de 20% no último ano, refletindo a urgência de modernização da segurança, rastreabilidade e controle de caixa no segmento.

Além dos riscos financeiros, a má gestão do dinheiro impacta diretamente a produtividade das equipes e a operação das lojas. Quando existe excesso de processos manuais, aumentam os erros, o tempo de conferência, as divergências de caixa e até os riscos de segurança. A tecnologia permite automatizar esse fluxo, reduzir perdas e dar mais inteligência operacional para o varejista, destaca.

Para Santos, a discussão ganha relevância justamente em um momento em que o varejo busca aumentar eficiência, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência do consumidor sem comprometer a rentabilidade. O dinheiro físico não morreu. E ignorar os desafios operacionais ligados ao numerário pode custar caro para o varejo, conclui o diretor.