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Conflito no Oriente Médio mostra a importância dos biocombustíveis para o Brasil não ficar sem energia

Economia Energia 25/06/2026 14:44 Angela Ruiz e Sylvia Mie (Mecânica Comunicação Estratégica) / SCA Brasil

Especialistas explicam que, mesmo com a guerra e os riscos de faltar petróleo, o Brasil conseguiu manter o abastecimento de combustíveis graças ao uso de biodiesel e etanol. O país tem combustível garantido para os próximos meses, mas ainda depende de importações de diesel, que é o principal desafio para a segurança energética brasileira.

Mesmo com os conflitos no Oriente Médio e os riscos de faltar petróleo no Estreito de Ormuz, o Brasil não ficou sem combustível. O país tem suprimento garantido para os próximos meses. Essa avaliação foi feita por especialistas em um evento online chamado Conexão SCA Brasil, que contou com Sérgio Araújo, presidente da ABICOM (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Martinho Seiiti Ono, CEO da SCA Brasil, e Alexandre Menezio, Sócio-Diretor da SCA Brasil Aliança.

  • O Brasil não parou de receber combustível mesmo com a guerra: as importações continuaram normais de fevereiro a junho, e julho já está garantido.
  • Vão chegar cerca de 1 milhão de metros cúbicos de diesel e 250 mil metros cúbicos de gasolina, quantidade suficiente para ajudar a produção nacional.
  • O uso de biocombustíveis, como etanol e biodiesel, é um dos grandes segredos do Brasil para depender menos do petróleo importado.
  • O maior problema do país ainda é o diesel: o Brasil precisa importar entre 25% e 30% do que consome.
  • Se o Brasil não tivesse o etanol misturado na gasolina e o biodiesel no diesel, a dependência de outros países seria muito maior.

Por que o Brasil não ficou sem combustível

O Brasil não sofreu impacto no abastecimento. Tivemos importações regulares em fevereiro, março, abril, maio e junho, e o abastecimento para julho está garantido. Independentemente do fechamento ou da abertura do Estreito de Ormuz, temos previsão de chegada de cerca de 1 milhão de metros cúbicos de diesel e 250 mil metros cúbicos de gasolina, volumes suficientes para complementar a produção nacional e atender à demanda do mercado, destacou Araújo.

Biocombustíveis são a chave da segurança

O encontro mostrou que o aumento do uso de biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, tem sido fundamental para o Brasil depender menos das importações e ter mais segurança energética em meio às crises no mundo.

O talão de cheques do diesel

Mesmo com essa vantagem, o Brasil ainda tem um ponto fraco: a dependência do diesel importado. Enquanto a gasolina tem uma dependência externa de cerca de 10%, o diesel ainda precisa de importações que representam de 25% a 30% do que o país consome.

A mistura que salva

Por isso, Ono avaliou que a combinação entre biodiesel e etanol é um diferencial estratégico da matriz energética brasileira. Se o Brasil não contasse com o etanol hidratado e com os 30% de etanol anidro misturados à gasolina, nossa dependência externa seria muito maior. Da mesma forma, a mistura obrigatória de biodiesel reduz significativamente a necessidade de importação de diesel. Temos uma matriz energética da qual devemos nos orgulhar, afirmou.

Produção de biodiesel pode crescer muito

De acordo com Ono, a indústria de biocombustíveis já tem capacidade para atender às futuras metas do programa Combustível do Futuro. Atualmente, o país produz entre 8 bilhões e 9 bilhões de litros de biodiesel por ano, mas pode aumentar muito esse volume.

Com o avanço gradual previsto na legislação, podemos chegar a uma produção entre 12 bilhões e 13 bilhões de litros de biodiesel, reduzindo ainda mais a necessidade de importações e gerando benefícios econômicos e ambientais para o Brasil, explicou o presidente da SCA Brasil. Ele comentou que, em vários momentos, o biodiesel foi mais barato que o diesel importado.

O desafio de levar o combustível até o campo

Além da oferta, o evento também falou sobre um grande desafio: a logística de distribuição. Embora o abastecimento esteja garantido, o problema é levar o combustível para regiões mais afastadas.

Quem acompanha o abastecimento no campo sabe que a logística faz toda a diferença. Em algumas regiões, o diesel leva de quatro a cinco dias para chegar à propriedade rural após a compra. Existem operações extremamente complexas, envolvendo transporte rodoviário e hidroviário, o que exige monitoramento constante dos estoques e da programação de suprimento, observou Menezio.

Planejamento é tudo

Nesse cenário, o planejamento de compras antecipado feito pela SCA Brasil Aliança é estratégico para diminuir o impacto logístico. Segundo o executivo, o desafio logístico brasileiro vai muito além da disponibilidade do produto, envolvendo inteligência de mercado, infraestrutura, distância e custos operacionais.

Para reassistir o Conexão SCA Brasil, acesse o Canal da SCA Brasil no Youtube.