Descubra como empresários estão usando uma estratégia de expansão em dois países, mantendo suas operações no Brasil enquanto aproveitam oportunidades nos Estados Unidos, com investimentos em alta e vistos de negócios crescendo.
Os investimentos brasileiros nos Estados Unidos chegaram a US$ 22,1 bilhões em 2024. Isso representa um crescimento de 52,3% em comparação com 2014, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ao mesmo tempo, os vistos de trabalho e negócios para brasileiros aumentaram 22,5% em 2025, de acordo com dados do governo americano. Esses números mostram uma nova tendência: empresários brasileiros estão buscando mobilidade internacional sem precisar fechar suas empresas ou mudar de vida completamente para outro país.
- Investimentos brasileiros nos EUA cresceram mais da metade em dez anos, saindo de US$ 14,5 bilhões para US$ 22,1 bilhões.
- Vistos de trabalho e negócios para brasileiros tiveram alta de 22,5% em 2025, indicando maior interesse em atuação internacional.
- Empresários agora querem expandir seus negócios para fora do país sem perder a base que já construíram no Brasil.
- A internacionalização deixou de ser uma mudança radical e passou a ser uma estratégia de diversificação e crescimento.
- Programas de residência por investimento, como o visto EB-5, cresceram 42% globalmente em 2024, com o Brasil entre os principais países participantes.
Franco Scornavacca, conhecido como Kiko, trabalha há mais de 30 anos construindo conexões empresariais entre Brasil e Estados Unidos. Ele é fundador da MD1 Nexus, uma aceleradora de negócios que ajuda empresas a se expandirem, criar relacionamentos estratégicos e encontrar novas oportunidades de crescimento em diferentes mercados.
Pela experiência com empresários que querem expandir suas operações, a empresa percebeu uma mudança no perfil desses empreendedores. Em vez de transferir todas as atividades para outro país, muitos buscam estruturas que permitam crescer mantendo a base operacional já consolidada no Brasil.
"O empresário brasileiro não quer necessariamente emigrar. Ele quer aumentar suas chances de crescimento, acessar novos contatos estratégicos e desenvolver negócios em diferentes mercados sem perder a conexão com a operação que construiu no Brasil. A mobilidade internacional passou a ser uma consequência de uma estratégia de expansão, e não mais um objetivo isolado", afirma Kiko.
A internacionalização deixou de ser uma ruptura
A ideia de que internacionalizar um negócio exige deixar o Brasil para trás está perdendo força. Para o fundador da MD1 Nexus, empresários de diversos setores agora enxergam a presença internacional como uma extensão da estratégia empresarial, e não como uma substituição do que já fazem no Brasil.
"Muitos projetos de expansão fracassavam porque eram construídos a partir da ideia de ruptura. Hoje a lógica é diferente. O empresário mantém clientes, equipes e operações no Brasil enquanto desenvolve novas frentes de atuação fora do país. A internacionalização deixou de ser uma mudança e passou a ser uma diversificação", explica.
Essa tendência também aparece entre empresas mais jovens. Uma pesquisa da Endeavor divulgada em 2026 mostra que 33% das empresas fundadas entre 2020 e 2024 já iniciaram algum processo de expansão internacional. Outras 29% planejam entrar em novos mercados nos próximos anos.
Para o fundador da MD1 Nexus, a busca por mobilidade internacional está cada vez mais ligada à capacidade de ampliar alternativas de crescimento. O interesse inclui desde a educação dos filhos e diversificação de patrimônio até o acesso a novos clientes, parceiros estratégicos, investidores e oportunidades de negócios.
O crescimento empresarial passa a acontecer em mais de um mercado
Segundo o empresário, algumas características marcam essa nova fase da expansão empresarial. Entre elas estão a manutenção da operação principal no Brasil, a criação de estruturas complementares no exterior, a diversificação geográfica de investimentos e a construção de redes de relacionamento em diferentes países.
O interesse crescente por programas de residência vinculados a investimento reforça esse movimento. Dados divulgados pela FirstPathway Partners mostram que a emissão global do visto EB-5 cresceu 42% em 2024. O Brasil continua entre os dez países com maior participação no programa, que é usado por investidores que buscam residência permanente nos Estados Unidos por meio de investimentos qualificados.
"A discussão deixou de ser Brasil ou Estados Unidos. O empresário passou a pensar em como aproveitar o melhor dos dois ambientes. Quem consegue construir presença internacional sem perder conexão com sua operação local amplia sua capacidade de adaptação, relacionamento e crescimento", afirma.
Na avaliação do fundador da MD1 Nexus, a tendência deve continuar avançando nos próximos anos, à medida que lideranças busquem novas frentes de crescimento sem abrir mão dos negócios já consolidados no Brasil.

Lara Visibilidade Estratégica





