25 de junho de 2026

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Polícia Federal faz nova operação contra fraudes na Americanas

Economia Fraude 25/06/2026 09:51 Paula Laboissière (Repórter da Agência Brasil) agenciabrasil.ebc.com.br

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal realizaram, nesta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga fraudes contábeis de cerca de R$ 54 bilhões na Americanas. Agentes cumprem mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo, e a Justiça autorizou o bloqueio de bens dos investigados no mesmo valor. A investigação aponta que os suspeitos sabiam das fraudes, que envolviam operações financeiras falsas e contratos sem lastro. Também são investigados crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) fizeram, na manhã desta quinta-feira (25), a segunda parte da Operação Disclosure. O objetivo é investigar mais a fundo as supostas fraudes contábeis da Americanas, que podem chegar a cerca de R$ 54 bilhões.

Segundo a PF, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas em pessoas, nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

  • A operação investiga fraudes contábeis que somam cerca de R$ 54 bilhões.
  • São cumpridos 9 mandados de busca e apreensão no Rio e em São Paulo.
  • A Justiça mandou bloquear bens dos investigados até o valor de R$ 54 bilhões.
  • As fraudes envolvem operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda falsos.
  • Os investigados podem responder por manipulação de mercado e associação criminosa.

A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o sequestro de bens e valores dos investigados, até o limite de R$ 54 bilhões.

De acordo com as investigações, os suspeitos sabiam das fraudes contábeis que aconteciam há anos. Essas fraudes estavam ligadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) que, segundo a PF, eram contabilizados sem ter lastro econômico, ou seja, não existiam de verdade.

A PF também informa que as apurações mostram indícios de crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

Como tudo começou

A primeira fase da Operação Disclosure foi em junho de 2024. Na época, a polícia cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão contra ex-diretores da Americanas. Também foram sequestrados bens e valores que somavam mais de R$ 500 milhões.

Naquele momento, a PF disse que as investigações tiveram a ajuda da diretoria atual da empresa. Os policiais descobriram que os ex-diretores da Americanas praticaram fraudes contábeis com operações de risco sacado. Essa operação é um tipo de empréstimo que a loja pega com bancos para pagar seus fornecedores mais cedo.

As investigações também acharam fraudes com contratos de verba de propaganda cooperada (VPC). Esses contratos são usados no comércio para dar incentivos, mas, neste caso, eles nunca existiram. A PF afirma que eram VPCs falsas, que nunca foram pagas.

Em 2024, as notícias sobre a operação que investigou a antiga cúpula da Americanas mostraram os problemas e limites da regulamentação do mercado financeiro no Brasil. Especialistas ouvidos na época disseram que o órgão regulador reconhece que existem fatores que atrapalham o acompanhamento dos balanços e da governança das grandes empresas.

Entre os problemas apontados estão a necessidade de equilibrar a regulamentação do governo com a do próprio mercado; conflitos de interesses que enfraquecem a autorregulação; fraudes empresariais cada vez mais sofisticadas, com equipes preparadas para manipular dados; e a falta de dinheiro e de pessoal no órgão regulador do governo.