24 de junho de 2026

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Operações suspeitas do banco Digimais na mira da PF

Economia Fraude 24/06/2026 15:15 Bernardo Lima e Eduardo Gonçalves extra.globo.com

O banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes no sistema financeiro. As investigações apontam que a instituição supervalorizava seus bens para enganar investidores e esconder prejuízos. O banco afirma que está colaborando com as autoridades.

Na terça-feira, a Polícia Federal (PF) fez uma operação contra o banco digital Digimais. O banco é controlado pelo bispo Edir Macedo e é suspeito de cometer fraudes no sistema financeiro do país. A investigação mostra que o banco, que pertence ao líder da Igreja Universal, falsificava seus balanços e aumentava o valor de seus bens de forma falsa para esconder a realidade e enganar investidores.

  • O banco Digimais é suspeito de fraudar balanços e supervalorizar seus bens.
  • As práticas suspeitas lembram as do Banco Master, com ofertas de investimentos arriscados.
  • O Digimais usava um fundo garantidor para atrair investidores com promessas de lucros altos.
  • O BC barrou a venda do banco para um ex-sócio do Banco Master.
  • A PF bloqueou R$ 670 milhões em bens supervalorizados pelo banco.

A PF diz que o Digimais usou métodos parecidos com os do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O banco oferecia investimentos com juros muito altos, acima do que o mercado normalmente paga. Essa oferta era garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), um seguro que protege o dinheiro dos investidores.

O Digimais disse, em uma nota, que está pronto para dar explicações e ajudar a Justiça. O banco afirmou que tem "compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes".

Crédito consignado e financiamento de veículos

O Digimais surgiu depois que Edir Macedo comprou o Banco Renner. Primeiro, ele comprou 40% do banco em 2009. Depois, em 2020, ele passou a ser o dono de todo o banco, que mudou de nome para Digimais.

O banco digital passou a atuar de forma agressiva, oferecendo empréstimos para a compra de carros usados e crédito consignado (aquele que é descontado direto do salário). No começo, o banco cresceu rápido, mas depois começou a ter prejuízos grandes e muitos investidores deixaram de receber o dinheiro deles.

A investigação diz que o banco supervalorizou sua carteira de veículos, que estava avaliada em R$ 3,5 bilhões. Esse valor falso era usado para esconder a verdadeira situação do banco.

Com os resultados negativos, o banco focou em oferecer crédito consignado, onde as parcelas são descontadas diretamente do salário do trabalhador.

CDB e uso do FGC

A partir de 2023 e 2024, o Digimais começou a usar práticas parecidas com as do Banco Master. Segundo a PF, o banco passou a vender títulos de CDB (Certificados de Depósito Bancário) com taxas de juros acima de 110%, muito mais altas do que as do mercado.

Assim como o Banco Master, a oferta de investimentos com alta rentabilidade era baseada na garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Esse fundo protege o dinheiro dos investidores até um certo limite, o que passava uma falsa sensação de segurança.

Em janeiro de 2025, Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, anunciou que ia comprar o Digimais. Mas a venda não aconteceu porque o Banco Central (BC) não deixou.

Superavaliação de ativos

A PF descobriu que, para esconder os prejuízos, o Digimais aumentava o valor dos seus bens de forma artificial. O objetivo era enganar as auditorias e a fiscalização. A investigação mostrou que o banco trocava de auditoria várias vezes para evitar que os problemas fossem descobertos.

O relatório da polícia mostra alguns exemplos: títulos antigos e sem valor da mineradora Vale foram avaliados em R$ 650 milhões. Um terreno em Pernambuco foi avaliado em R$ 150 milhões, mas seu valor real era de menos de R$ 10 milhões.

Em outro caso, dois bens que valiam R$ 71 milhões foram reavaliados, algum tempo depois, em R$ 174,5 milhões. Assim, o banco aumentava o valor dos seus bens de forma falsa.

Teia de fundos

O banco usou uma série de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), como o Fundo Hermon, para esconder a compra de dívidas por valores muito mais altos do que o normal.

A PF descobriu que, em dezembro de 2025, o banco aumentou em quase dez vezes o valor das cotas desses fundos nos seus balanços. Bens que valiam R$ 71 milhões foram registrados como se valessem R$ 741,348 milhões.

Na Operação Miragem, a PF bloqueou os R$ 670 milhões que foram supervalorizados. A investigação mostra que o banco usou essa estrutura de fundos para melhorar seus resultados de forma falsa.