24 de junho de 2026

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Brasileiros assumem comando das duas maiores cervejarias do mundo

Economia cerveja 24/06/2026 08:45 Extra extra.globo.com

A Heineken contratou o brasileiro Rafael Oliveira como seu novo chefe mundial, e agora as duas maiores empresas de cerveja do planeta são comandadas por brasileiros. A rival AB InBev já tinha o brasileiro Michel Doukeris como presidente.

A Heineken quebrou uma tradição de quase 100 anos e escolheu Rafael Oliveira como seu novo presidente mundial. É a primeira vez que a cervejaria holandesa busca um profissional de fora da empresa para tentar resolver a queda nas vendas.

  • A Heineken é a segunda maior cervejaria do mundo e agora será comandada por Rafael Oliveira, um brasileiro do Rio de Janeiro.
  • A maior cervejaria do mundo, a AB InBev, já tem outro brasileiro no comando: Michel Doukeris, que é de Santa Catarina.
  • A Heineken é dona de marcas famosas como Amstel, Tiger e Desperados e vende cerveja em mais de 70 países.
  • A AB InBev controla a Ambev e tem marcas como Brahma, Skol, Antarctica, Corona e Budweiser.
  • O novo chefe da Heineken recebeu um pagamento de quase R$ 150 milhões em ações da empresa para aceitar o cargo.

A escolha de um carioca para reorganizar a Heineken mostra a força dos brasileiros na briga global pelo mercado de cerveja, que é um dos mais disputados do mundo. Com a chegada de Oliveira, as duas maiores empresas do setor passam a ser dirigidas por brasileiros. A Heineken é a segunda colocada no ranking mundial, atrás apenas da AB InBev, que desde 2021 tem Michel Doukeris como presidente.

Diferenças no topo

Com sede na Bélgica e nos Estados Unidos, a AB InBev é a dona da brasileira Ambev, que fabrica marcas como Brahma, Skol e Antarctica. A maior cervejaria do mundo tem um portfólio gigante espalhado por vários países, incluindo marcas famosas como Corona, Stella Artois e Budweiser.

A AB InBev é o principal negócio dos bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Alberto Sicupira e Marcel Telles, do fundo de investimentos 3G. A empresa surgiu da fusão da Ambev com outras gigantes mundiais, como Anheuser-Busch e SABMiller, reunindo mais de 500 marcas, incluindo oito das dez mais valiosas do mundo.

A Heineken, que tem sede em Amsterdã, opera em mais de 70 países com sua marca principal, mas também vende rótulos conhecidos como Amstel, Tiger, Desperados, Birra Moretti e Sol. O foco da empresa é o mercado de cervejas premium, que são as mais caras.

A Heineken é controlada pela família De Carvalho-Heineken, que tem a maior parte da empresa e ocupa cinco dos oito assentos no conselho. Mesmo sendo a segunda maior do mundo, ela produz cerca de metade do volume de cerveja da AB InBev.

O mercado de cerveja é muito concentrado. Outras grandes cervejarias, como a dinamarquesa Carlsberg e a americana Molson Coors, estão bem atrás das duas líderes.

Renovação na holandesa

A chegada de Rafael Oliveira, de 51 anos, mostra um esforço de renovação na Heineken. Ele era presidente da JDE Peet's, uma empresa holandesa de café e chá que é dona no Brasil das marcas Pilão e L'Or, onde ficou por menos de dois anos. Oliveira vai assumir o comando da Heineken em 1º de outubro e será o segundo não holandês a liderar a empresa em toda a sua história.

Inicialmente, Oliveira ficará no cargo por apenas quatro anos, informou o Conselho de Administração da Heineken. Depois do anúncio, as ações da empresa dispararam na Bolsa de Amsterdã.

Segundo o novo presidente, o plano da Heineken para 2030, que busca crescer gastando menos, é uma base sólida para o futuro. "Estou confiante de que vamos acelerar o crescimento, aumentar a produtividade e preparar a Heineken para o futuro, conquistando o coração dos consumidores em todo o mundo", disse em nota.

A Heineken ofereceu a Oliveira uma compensação financeira de quase 25 milhões de euros (cerca de R$ 150 milhões) em ações da empresa. O pagamento foi porque ele abriu mão de um bônus ainda maior que receberia no emprego anterior.

Formado em Economia, com MBA pela Universidade de Chicago, o executivo brasileiro ficou menos de dois anos na JDE Peet's, empresa que foi comprada pela gigante americana Keurig Dr Pepper em 2025. Antes, ele trabalhou por dez anos no banco Goldman Sachs e passou pela Kraft Heinz, uma gigante de alimentos americana que também faz parte do portfólio do 3G, o fundo dos bilionários brasileiros.

Aliás, aqui está o ponto em comum entre Oliveira e seu novo rival, Michel Doukeris, presidente da AB InBev. Embora nunca tenham trabalhado na mesma empresa, ambos já tiveram os três bilionários brasileiros como patrões.

Na Kraft Heinz, Oliveira chegou a presidente dos mercados internacionais. Nessa função, foi responsável por um portfólio de mais de US$ 7 bilhões (cerca de R$ 42 bilhões) espalhado pela Europa, África, Ásia-Pacífico e América Latina.

Na belga, prata da casa

Enquanto a Heineken se prepara para mudanças, na AB InBev a palavra de ordem é estabilidade. Michel Doukeris assumiu a liderança da gigante belga de bebidas em 2021, substituindo outro brasileiro, Carlos Brito, que ficou 15 anos no cargo.

Doukeris foi apresentado como um nome de continuidade para substituir Brito. Ele faz uma gestão mais discreta que a do antecessor, mas mantém o estilo agressivo em aquisições e foco em custos e resultados. Liderou a reformulação das marcas da AB InBev e enfrentou o crescimento das cervejas artesanais, muitas delas compradas pela companhia.

Aos 53 anos, ele é um funcionário de carreira que cresceu rápido na empresa até chegar ao topo. Natural de Lages, em Santa Catarina, e formado em engenharia, Doukeris acumulou experiência em gestão de marcas e inovação.

Ele comanda a companhia desde 2021, mas entrou nela em 1996. Ocupou cargos nas operações comerciais da empresa em vários países até ir para a Bélgica substituir Carlos Brito, que liderou as aquisições que formaram a gigante global de bebidas.

Em dez anos, Doukeris passou de vice-presidente de refrigerantes da Ambev ao comando da AB InBev na América do Norte, tendo também liderado as operações da companhia na China, na região Ásia-Pacífico e as vendas globais.

O que muda na Heineken

O Conselho de Administração da Heineken escolheu Rafael Oliveira por unanimidade, destacando sua "combinação única de visão estratégica, experiência operacional e perspicácia financeira", segundo comunicado da empresa. "Ele traz uma perspectiva nova que deverá revitalizar a Heineken", acrescentou a companhia.

A reformulação da gestão da Heineken acontece depois da saída do ex-presidente Dolf van den Brink no fim de maio, após seis anos no comando e mais de 28 anos na empresa. A companhia enfrenta vendas fracas, já que as pessoas estão bebendo menos álcool e consumidores com orçamento apertado estão limitando seus gastos.

Em abril, a empresa informou uma queda no volume de vendas de cerveja no primeiro trimestre, com a demanda enfraquecendo em mercados importantes da Europa e das Américas. A Heineken tem ficado atrás de concorrentes como Anheuser-Busch InBev e Carlsberg na recuperação dos negócios após a desaceleração do período pós-pandemia.

A empresa já declarou estar otimista em relação à demanda por cerveja em mercados emergentes, como Vietnã e África do Sul, onde populações mais jovens e o aumento da renda têm impulsionado as vendas.

A Heineken está implementando um programa de redução de custos que inclui o corte de cerca de 7% de sua força de trabalho global.

De acordo com relatório dos analistas Edward Mundy e Sebastian Hickman, da Jefferies, Oliveira tem um histórico comprovado de "transformar estratégia em resultados financeiros mensuráveis". Eles esperam que isso "reforce uma cultura de alto desempenho na Heineken, com foco em simplificação e alocação mais eficiente de recursos" e na execução do plano da empresa para alcançar até 500 milhões de euros em economias anuais de produtividade.

Separadamente, a Keurig Dr Pepper informou que iniciou a busca por um novo presidente para sua divisão de café. Pamela Patsley, presidente do conselho de administração da KDP e do comitê de nomeação e governança da companhia, liderará o processo de seleção.