23 de junho de 2026

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BC reforça que gastos do governo podem manter juros altos

Economia Juros 23/06/2026 09:52 Vitória Queiroz, da CNN Brasil cnnbrasil.com.br

O Banco Central disse que decidiu reduzir a taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano, mesmo com a inflação piorando. A autoridade destacou que as contas do governo influenciam os juros e que é preciso cuidado com a economia.

O Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (23) a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que reduziu a Selic para 14,25% ao ano.

No documento, a autoridade monetária reforçou a necessidade de que as políticas fiscal (gastos do governo) e monetária (controle dos juros) atuem de modo harmonioso.

  • O BC decidiu cortar a Selic, mesmo com a inflação piorando entre abril e maio.
  • A política fiscal, ou seja, os gastos do governo, afeta os juros no curto prazo e também no longo prazo.
  • Quando o governo gasta muito, a dívida pública aumenta e isso pode fazer os juros subirem.
  • A taxa de juros neutra é uma referência para o mercado: quanto mais alta, maior precisa ser a Selic.
  • Choques como o do petróleo e os efeitos do El Niño também preocupam o BC.

"A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros", diz a ata.

No comunicado, o Copom reafirmou que o arrefecimento de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia.

A taxa de juros neutra é uma referência para as outras instituições financeiras do país definirem os valores que negociam o dinheiro que emprestam. Dessa forma, quanto mais elevada for a taxa de juros neutra, mais alta precisa ser a Selic para controlar os preços.

Para o Banco Central, a elevação da taxa de juros neutra tem impactos negativos sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade.

Cenários de incertezas

A ata do Copom também destacou que, apesar do cenário da inflação ter se deteriorado no intervalo das reuniões de abril e maio, decidiu reduzir a Selic de olho "nas melhores práticas de política monetária".

No comunicado, o colegiado citou os choques de petróleo e os efeitos do El Niño na economia.

"O Comitê debateu que esse conjunto de resultados deve ser ponderado à luz das melhores práticas de política monetária, recomendando não reagir integralmente a variações de preços decorrentes de choques de oferta, que no momento atual incluem incertezas relevantes", diz.