Entenda como o país pode financiar a economia circular, um modelo que junta crescimento econômico com cuidado com o meio ambiente, e quais são os principais desafios para empresas grandes e pequenas.
Por muito tempo, crescer a economia significava usar cada vez mais recursos naturais: produzir mais, consumir mais e jogar mais coisas fora. Esse jeito de pensar está começando a dar sinais de que não pode durar para sempre. A crise do clima, os eventos extremos e a falta de matérias-primas importantes estão forçando uma mudança que junta, de uma vez, eficiência econômica e cuidado com o planeta.
Uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 57% das indústrias brasileiras já adotam ao menos uma prática de economia circular. Isso significa que elas estão tentando reaproveitar materiais, evitar desperdícios e poluir menos. Mas o avanço não é igual para todos: entre as empresas grandes, 66% fazem isso; entre as pequenas, só 43%. A diferença mostra que, para os pequenos negócios, falta crédito, tecnologia e dinheiro para investir.
- A economia circular é um modelo que busca desperdiçar menos, reutilizando e reciclando materiais.
- Pesquisa da CNI mostra que 57% das indústrias brasileiras já fazem alguma prática circular.
- Empresas grandes avançam mais: 66% adotam a economia circular, contra 43% das pequenas.
- O Brasil já tem uma Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC), criada em 2024.
- O maior desafio para as pequenas empresas é conseguir financiamento com juros baixos.
Essa diferença ajuda a entender por que a economia circular virou um assunto importante na política do Brasil. Em 2024, foi criada a Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC) para ajudar a organizar as regras e acelerar essa mudança. O grande desafio é fazer com que essa estratégia saia do papel, principalmente num país onde os juros são altos e as empresas têm realidades muito diferentes.
A própria pesquisa da CNI mostra que 25% das empresas acham que os juros altos atrapalham a adoção da economia circular. Isso faz sentido: para colocar em prática coisas como logística reversa (quando a empresa recolhe o que vendeu para reciclar), reaproveitar materiais e rastrear a produção, é preciso investir muito dinheiro. Sem crédito barato, só as grandes empresas conseguem fazer isso.
Como o Brasil pode competir no mundo
No mundo, a economia circular já é vista como uma forma de ser mais competitivo. A União Europeia está criando um 'passaporte digital' para produtos, que permite saber de onde vieram e como foram feitos. A China já tem leis sobre economia circular há mais de dez anos. Os Estados Unidos estão investindo pesado em energia limpa e reindustrialização verde. Ou seja, ser sustentável deixou de ser só uma boa imagem para se tornar uma questão de competitividade e de atrair investimentos.
O que o Brasil tem de vantagem
O Brasil tem grandes vantagens nessa disputa: muita biodiversidade, uma matriz energética relativamente limpa, capacidade agrícola enorme e uma indústria variada. Mas, para transformar isso em desenvolvimento de verdade, é preciso ter regras claras, previsibilidade e, principalmente, jeitos de financiar a mudança para as empresas. Sem dinheiro disponível, a transição fica para depois.
O papel dos economistas
Talvez um dos trabalhos mais importantes dos economistas nos próximos anos seja justamente esse: mostrar que a economia circular é viável, com estudos de custo, modelagem de riscos e projetos que conectem o dinheiro dos investidores a negócios sustentáveis. Sem essa base econômica, muitas dessas ideias não saem do papel.
O financiamento da economia circular começa a ganhar força no Brasil. O Corecon-SP, por exemplo, vai participar do Comitê Brasileiro de Financiamento Circular (CBFC), um grupo que está criando instrumentos para ajudar a bancar projetos de circularidade, inovação e competitividade. No fundo, essa é uma questão mais econômica do que muitos imaginam.
A economia circular não é só uma agenda para salvar o planeta. Ela está se tornando uma parte importante da briga global por produtividade, inovação e liderança industrial no século XXI. Para o Brasil, por exemplo, é fundamental conseguir processar os minerais críticos e as terras raras aqui mesmo, em vez de apenas exportá-los crus. Também é essencial pensar em como reciclar e reaproveitar tudo isso para o bem das próximas gerações.

Haroldo da Silva


