O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, explicou que as novas taxas dos Estados Unidos sobre o Brasil têm um motivo político, mas devem ser temporárias. Ele também falou que empresas americanas reclamam do Pix, dizendo que o sistema brasileiro de pagamentos é injusto para elas.
O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que o novo tarifaço dos Estados Unidos, que pode afetar o Brasil, tem um lado político, mas não deve durar muito tempo. Meirelles falou isso durante um evento com lideranças e economistas em São Paulo, na terça-feira (9).
- O tarifaço dos EUA tem um motivo político e é de curto prazo, segundo Meirelles
- Empresas americanas de pagamento veem o Pix como concorrência desleal
- O governo dos EUA tem até 15 de julho para decidir sobre as novas tarifas
- O Pix é operado pelo Banco Central, que também é regulador, o que gera conflito de interesses
- O relatório do USTR chama o Pix de "injusto e discriminatório" contra empresas dos EUA
O ex-ministro explicou que empresas americanas de pagamento reclamam que o Pix é uma concorrência desleal. Ele lembrou que essa reclamação já existe e que o sistema brasileiro é visto como prejudicial para os negócios delas nos Estados Unidos.
Meirelles destacou que o Pix trouxe muitos benefícios para a economia do Brasil, como rapidez e facilidade nos pagamentos. Mas ele também contou o lado das empresas americanas, que acham que o sistema é injusto porque é controlado pelo Banco Central.
O Pix foi citado pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) como um exemplo de concorrência desleal. O relatório do USTR questiona várias áreas onde o Brasil estaria prejudicando empresas americanas, como meios de pagamento, serviços financeiros e comércio eletrônico.
Segundo Meirelles, o Pix cresceu rápido porque o Banco Central ajudou a criar regras e opera o sistema diretamente. Para ele, isso faz com que os americanos vejam uma vantagem injusta para o Brasil.
O governo dos Estados Unidos tem até o dia 15 de julho para decidir se vai aplicar as novas tarifas. Antes disso, vai ouvir a opinião de empresas e especialistas em audiências públicas.
No relatório, o USTR afirma que o uso do Pix como meio de pagamento eletrônico é "injusto e discriminatório" contra empresas americanas. O documento diz que o Banco Central do Brasil é ao mesmo tempo regulador e dono do Pix, o que cria um conflito de interesses e falta de regras claras.

Henrique Meirelles foi ministro da Fazenda e presidente do Banco Central. Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil - 27.ago.2018


