André Savino, presidente da Syngenta no Brasil, explica como a empresa está lidando com o aumento dos custos e as incertezas do mercado. Ele fala sobre os planos de investimento, a importância da inovação e os desafios de produzir em um cenário de crise global, juros altos e recuperações judiciais de produtores rurais.
Há quase 29 anos ele trabalha em uma mesma empresa, uma gigante do agronegócio global, a fabricante de defensivos agrícolas Syngenta. O interesse pelo setor começou antes de entrar na faculdade, quando surpreendeu a família (que era urbana) ao dizer que pretendia estudar agronomia.
- A Syngenta é uma das maiores empresas de defensivos agrícolas do mundo e está presente em 90 países.
- O Brasil é o maior negócio da Syngenta e a empresa acredita que continuará sendo.
- A empresa investe 10% do seu faturamento em pesquisa e inovação todos os anos.
- A cada ano, a Syngenta lança 5 novos ingredientes para combater pragas e doenças na lavoura.
- A empresa é controlada pela chinesa ChemChina, que tem fábricas na Europa, nos Estados Unidos e na China.
Desde então, André Savino construiu uma trajetória de sucesso. Começou na Syngenta como assistente técnico e, hoje, é presidente da divisão de proteção de cultivos no Brasil, se reportando diretamente à matriz, que fica na Suíça.
A Syngenta é uma empresa que vem investindo muito em tecnologia e inovação, está presente em 90 países e vem apostando muito no Brasil. É o maior negócio dela e a gente acredita que vai continuar sendo, até por todo o potencial e por todo o investimento tropicalizado que vem sendo feito, afirmou Savino, na entrevista ao AgLíderes, videocast do AgFeed.
A promessa é seguir investindo 10% do faturamento em pesquisa e inovação e, a cada ano, lançar 5 novos ingredientes para combater pragas e doenças na lavoura.
Desafios do mercado
A multinacional mantém a liderança de mercado em um segmento que era acostumado a crescer dois dígitos 10 anos atrás mas que nos últimos tempos vem enfrentando desafios cada vez maiores.
Na pandemia, o problema foram os estoques elevados. Em seguida, houve a queda nos preços de commodities agrícolas como soja e milho, enquanto os custos não baixaram na mesma proporção, achatando as margens dos agricultores. Tudo isso, combinado com os juros altos, o aumento das recuperações judiciais, e o crédito mais restrito, criou a tão comentada tempestade perfeita que ainda causa estragos no resultado financeiro das empresas de insumos agrícolas.
Em 2026, veio mais uma ameaça. O conflito no Irã elevou o custo dos derivados de petróleo e encareceu também a logística internacional. O efeito para a indústria de defensivos agrícolas já começa a ser sentido.
O custo vai aumentar, isso é fato. E a chance de prejuízo é grande, admitiu o CEO da Syngenta, ao longo da conversa.
Perguntado se já está prevendo um recuo nas vendas da companhia este ano, ele se limitou a dizer: Eu estou conservador.
Inovação como arma
A incerteza geopolítica tem trazido também preocupações no segmento como um todo sobre uma possível falta de matéria-prima para a indústria, que poderia deixar desabastecida uma parte dos agricultores, quando se trata de defensivos.
Apesar dos desafios, Savino afirmou que a Syngenta possui diferenciais importantes. A empresa, que no passado já foi de capital aberto, hoje é controlada pela chinesa ChemChina, com unidades fabris na Europa, nos Estados Unidos, e na própria China, considerada a grande fornecedora de matérias-primas para fertilizantes e também agroquímicos.
O recente ganho de market share de empresas no Brasil que produzem o chamado pós-patente, defensivos genéricos, a partir de moléculas que já estão disponíveis no mercado, também tem sido um ponto de atenção para a indústria. A grande maioria importa os produtos da China.
Na visão de Savino, porém, a demanda pelos novos produtos, fruto da inovação, seguirá aquecida, inclusive por oferecer maior segurança em meio ao aumento nos custos logísticos.
Como a gente está numa agricultura tropical, estes produtos que venceram a patente não têm a mesma performance que tiveram no passado e hoje o agricultor precisa produzir mais, ressaltou.
O executivo contou ainda que a Syngenta tem uma meta de ter 20% de sua receita vinda dos produtos biológicos, um segmento que vem crescendo nos últimos anos.
Mas qual está sendo o efeito das RJs no negócio da Syngenta E como está a estratégia da empresa de ter mais presença de venda direta dos insumos no campo As respostas para estas e outras perguntas estão no episódio do AgLíderes, em que André Savino também cita quais são as tendências para o setor daqui a 10 anos. Assista na íntegra nos canais do AgFeed nas plataformas YouTube ou Spotify.

Alessandra Mello


