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08 de junho de 2026

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Latam reduz planos de crescimento no Brasil por causa da guerra

Economia Guerra 08/06/2026 17:22 Folhapress noticiasaominuto.com.br

A Latam, uma das maiores companhias aéreas do Brasil, anunciou que vai crescer menos do que esperava no terceiro trimestre de 2026. Isso acontece por causa da guerra entre Irã e Estados Unidos, que encareceu o combustível dos aviões. Antes, a empresa planejava crescer 11% em comparação com o mesmo período de 2025, mas agora a previsão é de 8%. O CEO da Latam, Jerome Cadier, disse que os preços do combustível vão continuar altos por pelo menos mais 6 a 12 meses. Para lidar com isso, a empresa está reduzindo a quantidade de voos em algumas rotas, mas não está cancelando nenhum destino. A guerra já custou US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) para a Latam no primeiro trimestre de 2026.

A Latam, uma grande companhia aérea, vai crescer menos no Brasil no terceiro trimestre deste ano por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã. A empresa esperava crescer 11% em comparação com o mesmo período de 2025, mas agora a previsão é de 8%.

  • O combustível dos aviões ficou muito mais caro por causa da guerra no Irã
  • A Latam perdeu US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) no primeiro trimestre de 2026
  • O preço do petróleo subiu de US$ 90 para US$ 170 por barril por causa do conflito
  • A empresa não vai cancelar nenhum destino, mas vai reduzir a quantidade de voos em algumas rotas
  • O CEO da Latam está otimista com as discussões sobre o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil

O CEO da companhia aérea, Jerome Cadier, diz que, mesmo com essa redução, a Latam Brasil ainda vai registrar um crescimento de 8% no período, na comparação com o terceiro trimestre de 2025. "A gente continua crescendo versus ano passado em torno de 8%. É um crescimento significativo, mas a gente estava se programando para crescer 11%", afirma.

Segundo Cadier, mesmo que os EUA e o Irã chegassem a um acordo e a guerra terminasse, os preços do querosene de aviação (QAV) continuariam altos pelos próximos 6 a 12 meses, sem voltar ao valor de 2025. "Você não consegue tirar um navio de um lugar para o outro em questão de dias e você também não consegue reconstruir eventualmente a infraestrutura de refino e de extração de petróleo que foram destruídas. Eu acho que vai demorar um tempo", explica.

Como a Latam está lidando com a crise

A solução, por enquanto, é fazer ajustes nos preços das passagens e na oferta de voos. Cadier afirma que não houve corte de rotas ou destinos, mas sim redução na frequência de alguns trajetos, incluindo a ponte aérea entre Rio e São Paulo. A Latam havia dito, no começo de maio, que a empresa registrou um impacto de US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) no primeiro trimestre deste ano por causa da guerra no Irã.

O impacto nos números da empresa

O conflito fez a empresa rever suas projeções para vários indicadores. Antes, a aérea previa um preço de US$ 90 por barril de petróleo. Agora, a empresa projeta que esse patamar suba para US$ 170 no segundo e no terceiro trimestres de 2026 e para US$ 150 no final do ano. Em dezembro, a Latam projetava que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançaria uma margem entre US$ 4,2 bilhões e US$ 4,6 bilhões em 2026. Na revisão de maio, essa faixa caiu para entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões. A alavancagem líquida ajustada (relação entre dívida e Ebitda) estava prevista para fechar 2026 em ou abaixo de 1,4x, com uma liquidez superior a US$ 5 bilhões. A Latam divulgou depois uma projeção de alavancagem abaixo ou igual a 1,8x e uma liquidez maior ou igual a US$ 4,5 bilhões.

O que o CEO pensa sobre a escala de trabalho 6x1

Cadier disse que está otimista com as discussões sobre a PEC (proposta de emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6x1 no país. Em entrevista a jornalistas em maio, o CEO da Latam havia dito que, se a proposta pelo fim da escala 6x1 passasse da forma como estava, a companhia sofreria impactos na operação internacional. A preocupação era o impacto da proposta na jornada de trabalho de aeronautas, categoria que engloba pilotos e comissários de bordo.

Posteriormente, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, se reuniu com Cadier na sede da pasta, em Brasília, para discutir o tema. Segundo o MTE, os aeronautas (pilotos se encaixam em escalas especiais previstas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), em leis específicas. O ministério afirmou, em nota publicada em seu site, que a categoria atua sob as especificidades da lei 13.475, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave. "A gente não é contra isso, mas tem uma particularidade da operação de tripulantes na companhia aérea os que voam, que precisam estar refletidas na lei", diz Cadier. "Eu tô otimista que essa transformação e eliminação do 6x1 vai respeitar alguns limites específicos."