A Latam Airlines informou que vai crescer menos do que o esperado no terceiro trimestre de 2026, por causa dos altos custos com combustível e da guerra no Irã. Mesmo assim, a empresa ainda prevê um aumento de 8% nos voos em comparação com o mesmo período de 2025.
A Latam está diminuindo suas previsões de crescimento no Brasil para o terceiro trimestre deste ano. A empresa, que esperava crescer 11% em relação ao mesmo período de 2025, agora prevê um crescimento de 8%. Isso é uma redução de 3 pontos percentuais. O motivo principal é a guerra no Irã, que aumentou muito o preço do combustível de aviação.
- A Latam reduziu sua previsão de crescimento de 11% para 8% no terceiro trimestre de 2026, por causa da guerra no Irã
- O conflito fez o preço do combustível de avião disparar, e a empresa estima que os preços vão ficar altos por pelo menos mais 6 a 12 meses
- Para lidar com a crise, a Latam está diminuindo a frequência de alguns voos, como a ponte aérea Rio-São Paulo, mas não cancelou nenhuma rota
- A guerra já custou US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) para a Latam só no primeiro trimestre de 2026
- Mesmo com os problemas, a empresa acredita que o Brasil vai continuar crescendo, e o CEO está otimista com as discussões sobre o fim da escala 6x1
O CEO da companhia aérea, Jerome Cadier, diz que, apesar da redução na projeção, a Latam Brasil deve registrar crescimento de 8% no período, na comparação com o terceiro trimestre de 2025.
"A gente continua crescendo versus ano passado em torno de 8%. É um crescimento significativo, mas a gente estava se programando para crescer 11%", afirma.
Combustível caro por muito tempo
Segundo Cadier, mesmo que os Estados Unidos e o Irã fizessem um acordo e a guerra acabasse, os preços do querosene de aviação (QAV) continuariam altos pelos próximos 6 a 12 meses. Ele diz que não vai voltar ao preço que estava em 2025 tão cedo. "Você não consegue tirar um navio de um lugar para o outro em questão de dias e você também não consegue reconstruir eventualmente a infraestrutura de refino e de extração de petróleo que foram destruídas. Eu acho que vai demorar um tempo."
Ajustes nos voos e nas passagens
Para lidar com a crise, a Latam está fazendo ajustes nos preços das passagens e na oferta de voos. Não houve corte de rotas ou destinos, mas a empresa diminuiu a frequência de alguns trajetos. Isso inclui a ponte aérea entre Rio e São Paulo, que terá menos voos.
Impacto financeiro e novas projeções
A Latam havia dito, no começo de maio, que a empresa registrou um impacto de US$ 40 milhões (R$ 200 milhões) no primeiro trimestre deste ano por causa da guerra no Irã. O conflito fez a empresa rever suas projeções para vários indicadores. Antes, a aérea previa um preço de US$ 90 por barril de petróleo. Agora, a empresa projeta que esse valor suba para US$ 170 no segundo e no terceiro trimestres de 2026 e para US$ 150 no final do ano.
Em dezembro, a Latam projetava que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançaria uma margem entre US$ 4,2 bilhões e US$ 4,6 bilhões em 2026. Na revisão de maio, essa faixa caiu para entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,2 bilhões. A alavancagem líquida ajustada (relação entre dívida e Ebitda) estava prevista para fechar 2026 em ou abaixo de 1,4x, com uma liquidez superior a US$ 5 bilhões. A Latam divulgou depois uma projeção de alavancagem abaixo ou igual a 1,8x e uma liquidez maior ou igual a US$ 4,5 bilhões.
Escala 6x1 e a opinião da Latam
Cadier disse que está otimista com as discussões sobre a PEC (proposta de emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6x1 no país. Em entrevista a jornalistas em maio, o CEO da Latam havia dito que, se a proposta pelo fim da escala 6x1 passasse da forma como estava, a companhia sofreria impactos na operação internacional. A preocupação era o impacto da proposta na jornada de trabalho de aeronautas, categoria que engloba pilotos e comissários de bordo.
Posteriormente, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, se reuniu com Cadier na sede da pasta, em Brasília, para discutir o tema. Segundo o MTE, os aeronautas (pilotos se encaixam em escalas especiais previstas na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), em leis específicas. O ministério afirmou, em nota publicada em seu site, que a categoria atua sob as especificidades da lei 13.475, que dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave.
"A gente não é contra isso, mas tem uma particularidade da operação de tripulantes na companhia aérea os que voam, que precisam estar refletidas na lei", diz Cadier à reportagem. "Eu tô otimista que essa transformação e eliminação do 6x1 vai respeitar alguns limites específicos."

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