O presidente do maior banco dos EUA, Jamie Dimon, chamou o chefe da corretora de criptomoedas Coinbase de algo muito feio. Tudo porque está perto de ser votada uma nova lei que pode misturar ainda mais o mundo das moedas digitais com os bancos tradicionais. Essa lei pode mudar as regras do jogo e deixar todo mundo, até quem não investe em criptomoedas, mais exposto a riscos.
Mesmo para Jamie Dimon, o chefão do setor bancário conhecido por não ter papas na língua, foi uma surpresa quando ele descreveu um colega do mundo financeiro como cheio de m****.
Ninguém vai se curvar diante desse cara ou dessa empresa, disse Dimon à Fox Business na semana passada. Esse cara é Brian Armstrong, e essa empresa é a corretora de criptomoedas Coinbase.
- Dimon x Armstrong: Chefão do JP Morgan e dono da Coinbase trocam farpas na mídia.
- Lei em votação: Senado dos EUA vai votar a 'Lei Clarity', que pode mudar as regras das criptomoedas.
- Banco disfarçado: Bancos temem que corretoras de cripto possam agir como bancos, mas sem seguir as mesmas regras.
- Risco para todos: Especialistas alertam que a nova lei pode integrar as criptomoedas ao sistema financeiro tradicional, aumentando riscos de crise.
- Trump apoia: O presidente dos EUA, Donald Trump, é a favor do projeto de lei, já que tem mais dinheiro em criptomoedas do que em imóveis.
A tensão entre Dimon e Armstrong não é novidade, mas está explodindo publicamente enquanto o Senado se prepara para votar a prioridade número um do setor de criptomoedas, conhecida como Lei da Claridade.
Dimon, que sempre duvidou das criptomoedas, é a favor de regulamentar o setor, mas não concorda com uma parte da lei que permitiria que empresas como a Coinbase pagassem juros sobre depósitos sem ter a proteção que os bancos têm.
O comentário grosseiro sobre Armstrong veio depois que Dimon listou outras preocupações sobre a lei, incluindo medidas fracas contra lavagem de dinheiro e regras para saber quem é o cliente.
Pouco depois de a fala de Dimon viralizar, Armstrong respondeu nas redes sociais com um meme gerado por inteligência artificial que mostrava os dois como jogadores de hóquei.
A briga Continua
Na quarta-feira, Armstrong disse ao site Politico que ficou perplexo com a bronca de Dimon, mas acredita que a lei será boa para os bancos.
Tenho muito respeito por Jamie Dimon, então foi um pouco triste ouvir isso, disse Armstrong.
O diretor de políticas da Coinbase, Faryar Shirzad, afirmou em nota que no fim das contas, todos queremos a mesma coisa: melhorar a vida financeira dos americanos.
A Lei Clarity está causando polêmica em Wall Street e entre os defensores dos consumidores porque quer misturar as criptomoedas, que são muito instáveis, com o sistema financeiro tradicional.
Não é só uma questão de criptomoedas, mas sim de desregulamentação dos nossos mercados, disse Hilary Allen, professora de Direito. Ela diz que isso deve preocupar a todos, mesmo quem não investe, porque se houver uma crise financeira nesse setor, ninguém sairá ileso.
O que é a Lei Clarity
A lei foi criada em 2025 para decidir qual órgão do governo deve fiscalizar ativos digitais, como o bitcoin.
Há anos, o setor de criptomoedas diz que não pode ser regulado pela SEC (a comissão de valores mobiliários dos EUA) porque sua tecnologia é muito inovadora. Os críticos dizem que isso é apenas uma desculpa para não seguir as regras que todo mundo segue.
Em 2022, foi criado um projeto de lei parecido, apoiado por Sam Bankman-Fried, que acabou preso por fraude quando sua empresa, a FTX, quebrou.
A Lei Clarity quer garantir que a CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities), e não a SEC, seja a responsável por regular a maioria dos mercados de criptomoedas. O próprio Bankman-Fried, que está preso, já declarou apoio à nova lei.
A lei é vendida como uma forma de dar regras claras para as criptomoedas, que hoje operam em uma área cinzenta da legislação.
Na prática, a lei quer criar diretrizes para o setor e colocar a CFTC como o principal fiscalizador. O projeto já passou pela Câmara e deve ser votado no Senado nas próximas semanas.
Por que os bancos estão furiosos
Dimon e outros banqueiros apoiam a lei, mas não concordam com a parte que permite que empresas de criptomoedas atuem como bancos, sem ter a mesma supervisão e proteção ao consumidor.
A lei permitiria que corretoras de cripto oferecessem recompensas a clientes que usam stablecoins (um tipo de moeda digital atrelada ao dólar). Isso é muito parecido com o que os bancos fazem ao oferecer contas que rendem juros.
Se (Armstrong) aceita depósitos como um banco, ele deve seguir as regras bancárias, disse Dimon.
A Coinbase rebate, dizendo que não é a mesma coisa. Se você tem uma conta na corretora Charles Schwab, ela é regulada de forma diferente de uma conta bancária. Se você tem um cartão da Starbucks, ele também é regulado de forma diferente, disse Shirzad.
O medo dos bancos e dos defensores dos consumidores é que as corretoras de cripto atraiam clientes com ofertas enormes e depois cortem os benefícios, deixando o povo na mão.
Além disso, os depósitos em corretoras de cripto não são garantidos pelo governo federal, como os depósitos bancários. Essa é uma letra miúda que ninguém lê, até dar problema.
O JPMorgan quer que a lei seja aprovada, mas com algumas mudanças, como proibir as recompensas e aumentar as medidas de combate à lavagem de dinheiro.
Por que os defensores dos consumidores se opõem
No fim das contas, tanto Dimon quanto Armstrong querem que a lei seja aprovada de alguma forma, e o presidente Donald Trump, que tem mais dinheiro em criptomoedas do que em imóveis, apoia o projeto.
Mas a oposição é grande. A senadora Elizabeth Warren disse que o projeto declara temporada de caça aberta para investidores em criptomoedas, eliminando proteções contra fraudes.
Muitos especialistas estão preocupados que a lei aumente a exposição de todos às criptomoedas, mesmo de quem não investe nelas.
Eles estão abrindo as portas para uma maior integração das criptomoedas com os bancos tradicionais, disse Amanda Fischer, de uma organização sem fins lucrativos. Ela lembra que a quebra da FTX em 2022 foi ruim, mas os danos ficaram restritos ao mundo das criptomoedas.
Mas, se os bancos tradicionais investirem pesado em cripto com a proteção da nova lei, um novo colapso pode não ficar limitado e pode afetar todo mundo.

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