A demanda fraca, principalmente dos produtores brasileiros, está atrapalhando as negociações e fazendo os preços internacionais do fertilizante caírem. Será que essa é uma boa hora para comprar?
Os preços internacionais da ureia caíram 25% nas últimas seis semanas, de acordo com um acompanhamento feito pela consultoria StoneX. Depois de chegar a quase US$ 800 por tonelada, o valor recuou para cerca de US$ 600 por tonelada no final de maio.
A lei da oferta e da procura explica essa queda. Embora a oferta tenha diminuído bastante depois do início da Guerra no Oriente Médio, que dificultou a navegação no Estreito de Ormuz, a demanda dos compradores está tão fraca que os preços estão caindo, segundo Tomás Pernías, analista da StoneX.
- A ureia é um fertilizante importante para a agricultura, usado para fornecer nitrogênio às plantas.
- A guerra no Oriente Médio atrapalhou o transporte de fertilizantes, mas a demanda fraca está segurando os preços.
- O Brasil é um dos maiores compradores de ureia do mundo e as compras caíram 20% neste ano.
- Os produtores brasileiros estão cautelosos, esperando preços melhores para comprar.
- Se a China voltar a exportar ureia, os preços podem cair ainda mais.
"As negociações estão travadas", disse ele. "Com a relação de troca nos piores níveis em muito tempo, os produtores estão sendo cautelosos e adiando as compras o máximo que podem."
Apesar da queda, os poucos negócios feitos ainda estão com preços bem acima dos valores de antes do conflito no Irã. Antes da guerra, a tonelada de ureia custava cerca de US$ 480.
Pernías acredita que a tendência de queda deve continuar "se não houver nenhum motivo para aumentar a demanda" nas próximas semanas. Ele lembra que nem mesmo um leilão recente da Índia para comprar 1 milhão de toneladas foi suficiente para mudar a situação.
Além da demanda fraca, há a expectativa de que a China possa voltar a exportar ureia, o que aumentaria a oferta, embora não se saiba quando ou em quanto isso aconteceria.
"Os distribuidores de fertilizantes estão com dificuldades para vender as poucas cargas que chegam", disse o analista.
Um motivo que pode mudar esse cenário é o início da temporada de compras de fertilizantes pelos brasileiros, que começa no segundo semestre e vai até dezembro. "Estamos saindo da baixa temporada", afirmou.
Como um dos maiores importadores de fertilizantes, as compras do Brasil costumam mexer com o mercado global. Neste ano, a menor presença do Brasil ajudou a conter altas ainda maiores depois do início da guerra.
De janeiro a abril, as encomendas brasileiras foram de 1,4 milhão de toneladas de ureia, cerca de 20% menos do que as 1,7 milhão de toneladas compradas no mesmo período de 2025.
Além da ureia, a pressão de queda também está afetando os preços dos nitratos e sulfatos, segundo a StoneX. Nos fosfatados, porém, os preços continuam firmes, sustentados pela alta de insumos como o enxofre, que também vem do Oriente Médio.
Já no potássio, outro fertilizante muito usado, o impacto do conflito é menor, porque a produção é mais espalhada pelo mundo. "Ainda assim, esse setor não está imune e sofre com efeitos como o aumento dos preços dos fretes marítimos", disse Pernías.



