A inadimplência entre pessoas que vivem no campo subiu para 8,2% no fim de 2025, segundo a Serasa Experian. Grandes produtores e arrendatários são os que mais devem. A região Sul tem menos inadimplentes, enquanto o Norte lidera os atrasos. O aumento das dívidas acontece junto com uma alta recorde de pedidos de recuperação judicial e uma queda no crédito rural.
2025 pode ser visto como o ano de sufoco para o crédito agrícola - pelo menos até agora. Nos pedidos de recuperação judicial, foram mais de 1,99 mil registros, um número recorde e 54% maior do que em 2024.
- A inadimplência no campo subiu para 8,2% no fim de 2025.
- Grandes produtores e arrendatários são os que mais devem.
- A região Sul é a com menos inadimplentes; o Norte, a com mais.
- O aumento das dívidas veio junto com recorde de recuperações judiciais e queda no crédito rural.
- As dívidas com bancos somam em média R$ 115,5 mil por pessoa.
Somado a isso, os empréstimos rurais e agroindustriais para produtores pessoa física caíram 17% em 2025, totalizando R$ 179 bilhões. Ao todo, a queda na liberação de contratos foi de R$ 36,8 bilhões em relação a 2024.
Ambos os dados são da Serasa Experian, que divulgou nesta segunda-feira, 01 de junho, o terceiro e último dado desse trio preocupante: a inadimplência. De acordo com a empresa, o indicador encerrou 2025 em 8,2% da população rural, uma alta de 1 ponto percentual em relação ao final de 2024 e avanço de 0,2 ponto em relação ao terceiro trimestre do ano passado - indicando desaceleração.
O índice considerou dívidas de pessoas físicas da população rural brasileira que estejam vencidas há mais de 180 dias e tenham sido contraídas com empresas de setores relacionados ao agronegócio.
Análise da situação por porte e região
"Apesar de sinais de estabilização em alguns segmentos, a inadimplência no agronegócio segue em alta gradual, com produtores ainda enfrentando margens apertadas e fluxo de caixa pressionado, diante de custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo", afirma Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, em nota.
Na análise por porte, os dados mostram que produtores rurais sem informação de registro rural - possíveis arrendatários ou participantes de grupos familiares ou econômicos - registraram o maior nível de inadimplência (9,9%). Na sequência, aparecem os grandes proprietários (9,8%), seguidos pelos médios (8,3%) e pelos de pequeno porte (7,8%).
O levantamento ainda mostra que a maior parte da inadimplência se concentra com instituições financeiras, com 7,2%. Os débitos relativos a credores de dentro da cadeia do agro somaram 0,3%, e em outros setores, 0,2%.
A dívida média dos inadimplentes com instituições financeiras atingiu, ao final de 2025, R$ 115,5 mil, enquanto que o mesmo indicador mas com empresas do setor chegou a R$ 138,2 mil. Em outros setores relacionados ao agronegócio, como transporte, armazenagem e seguros, o valor médio foi de R$ 32,6 mil.
Valores altos em operações do agro
Na visão do Serasa, mesmo com menor incidência, os valores mais elevados estão nas operações ligadas ao agro. "O perfil do crédito rural, marcado por tickets mais altos, prazos mais longos e maior exposição financeira, faz com que poucos inadimplentes concentrem montantes expressivos de dívida, ampliando o risco mesmo em um cenário de taxa relativamente controlada", disse o head de agronegócio da Serasa Experian.
Por região, o Sul marcou o menor percentual de inadimplência no quarto trimestre: 5,7% da população rural. Na sequência, o Sudeste somou 7%, o Centro-Oeste 9,6%, Nordeste com 9,4% e o Norte com 12,5%.
Na visão por estado, o Rio Grande do Sul teve a menor taxa, com 5,3% de inadimplência, seguido pelo Paraná e Santa Catarina, ambos com 6%. Na outra ponta, o Amapá registrou o maior percentual, com 19,9%. Os estados de maior produção de grãos, Mato Grosso e Goiás, ficaram próximos da média, com 10,8% e 9,1%, respectivamente.
"O desempenho do Rio Grande do Sul chama a atenção, especialmente diante das perdas climáticas recentes. Esse resultado pode ser explicado por fatores como a forte presença de cooperativas e sistemas integrados, além do uso mais expressivo do seguro agrícola e de linhas de crédito para renegociação de dívidas", relembrou Pimenta, da Serasa.
Metodologia de cálculo
Para montar esse indicador de inadimplência, o Serasa cita que considerou, além do período de vencimento superior a 180 dias, dívidas que somam pelo menos R$ 1 mil e que estejam relacionadas ao financiamento da atividade rural.
As categorias de credores utilizadas foram Instituições Financeiras (bancos, fundos de investimentos, cooperativas de crédito e outras descritas como "atividades de serviços financeiros" pelo IBGE), Setor Agro (agroindústria de transformação e comércio atacadista agro, serviços de apoio ao agro, produção e revendas de insumos e de máquinas agrícolas e produtores rurais) e Outros Setores (seguradoras, transporte de carga e armazenamento).
O percentual de inadimplência é calculado sobre 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas na população rural, que possuam registro no CAR, Cafir (Cadastro Federal de Imóveis Rurais) ou registro de produtor rural no Sintegra.

Inadimplência no campo


