A investigação sobre uma possível ligação do filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha, com fraudes no INSS está causando divisão entre os investigadores da Polícia Federal. Alguns deles querem focar nas fraudes já identificadas, enquanto outros questionam se há provas suficientes contra Lulinha.
A investigação sobre fraudes no INSS, chamada Operação Sem Desconto, está causando discussão entre os policiais federais. O motivo é a suspeita de que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, pode estar envolvido.
- Lulinha é suspeito de ser sócio oculto de um lobista que agia em fraudes no INSS
- A polícia e a Procuradoria-Geral da República têm opiniões diferentes sobre as provas contra ele
- Uma empresária amiga de Lulinha vai depor para esclarecer seu envolvimento
- Parte dos policiais acha que a investigação deveria focar nas fraudes já comprovadas
- A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e diz que ele nem foi ouvido
Policiais que preferem não se identificar dizem que investigar Lulinha pode ser uma mudança no rumo das apurações. Eles acham que, até agora, não existem provas fortes de que ele tenha feito algo errado.
O que dizem os investigadores
Por causa disso, muitos defendem que a investigação deve se concentrar nas fraudes já descobertas e fechar os casos mais adiantados. Também querem fazer acordos com suspeitos para conseguir mais provas.
Mesmo com essa divisão, ainda há pontos para esclarecer sobre Lulinha. A empresária Roberta Luchsinger, que era amiga do filho do presidente e tinha negócios com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes (conhecido como Careca do INSS), vai dar depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (20).
O papel da empresária
Os investigadores querem saber se ela atuou como intermediária em negócios que, segundo suspeitas, ligavam Lulinha e o Careca. A PF suspeita que Lulinha era sócio oculto do lobista.
A defesa de Lulinha sempre negou qualquer ilegalidade. A defesa de Roberta também afirma que ela não fez nenhum negócio relacionado a descontos no INSS.
Divergências entre polícia e procuradoria
Ao longo da investigação, já apareceram várias discordâncias sobre como investigar Lulinha. A maioria dos conflitos ficou evidente em posições opostas da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PF pediu ao ministro André Mendonça, por exemplo, a quebra de sigilo de Lulinha. A PGR, porém, não viu elementos suficientes e foi contra. O ministro, que é responsável pelo caso no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra no início do ano.
A polícia também pediu que Roberta Luchsinger usasse tornozeleira eletrônica. Mendonça determinou o monitoramento, mesmo contra a opinião da PGR, que não via clareza nas suspeitas sobre ela.
Na ocasião, o ministro disse que havia muita documentação mostrando que Luchsinger usava empresas falsas para receber dinheiro do Careca, sem comprovação de serviços feitos.
Divisão dentro da própria polícia
A divergência não ficou só entre os órgãos e o ministro. Dentro da própria Polícia Federal, houve cuidado para nunca tratar formalmente o filho do presidente como investigado. Parte da corporação defendia que não se deveria fazer uma devassa sobre ele.
Em meio a esses embates, a Polícia Federal mudou a chefia das investigações da Operação Sem Desconto. Elas estavam em uma coordenação e foram para outra, especializada em inquéritos nos tribunais superiores.
A PF disse que a troca foi para dar mais eficiência e continuidade às investigações, com melhor estrutura, e que as equipes e os delegados continuam os mesmos. A mudança, porém, levantou desconfianças de congressistas e levou Mendonça a cobrar explicações.
Reações à mudança
A decisão da PF teve reações diferentes. Enquanto algumas pessoas que acompanham as investigações viram a possibilidade de pressões sobre as apurações, outras acharam o rumo adequado, dizendo que a troca dará mais consistência ao desenvolvimento dos casos.
Quando a mudança foi divulgada, na última sexta-feira (15), a PF disse em nota que a transferência foi feita para garantir mais eficiência e continuidade às investigações, já que a nova coordenação tem estrutura permanente para conduzir operações sensíveis e complexas que tramitam no Supremo. A nota também disse que não houve alteração na equipe que conduz as investigações.
O que dizem as defesas
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, tem afirmado que o filho do presidente nem sequer foi chamado para prestar esclarecimentos, porque não é investigado. Ele diz que se colocou à disposição do ministro André Mendonça para esclarecimentos. Também diz que parte do caso deveria ter sido arquivada depois do vazamento criminoso de parte da investigação para a imprensa.
A defesa de Roberta Luchsinger, feita pelos advogados Bruno Salles e Leonardo Palazzi, afirma que sua cliente e sua empresa atuam com a prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras. Eles acrescentam que ela foi procurada em 2024 pela empresa do Careca do INSS para atuar na regulação do setor de empresas de canabidiol. Eles explicam que os negócios não passaram de tratativas iniciais, que não prosperaram, e que ocorreram antes das revelações dos desvios de descontos do INSS e da participação de Antônio Carlos Camilo Antunes nas investigações.

© Shutterstock


