Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar já na segunda-feira ao Paraguai para assinar tratado comercial com América Latina
Após mais de duas décadas, a maioria dos embaixadores de países da União Europeia (UE) aprovou nesta sexta-feira (dia 9) o acordo de livre-comércio com quatro países do Mercosul, apesar da indignação dos agricultores e da oposição da França, informou a agência de notícias AFP.
Graças a esse sinal verde, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar já na segunda-feira ao Paraguai para assinar esse tratado comercial com a América Latina. O Paraguai é o país que está na presidência rotativa do Mercosul em 2026. Fazem parte do grupo Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Embaixadores dos 27 Estados-membros da UE estão reunidos em Bruxelas para discutir o assunto.
Negociações
O tratado é resultado de 26 anos de negociações e é considerado histórico porque criará uma zona de livre-comércio de mais de 720 milhões de consumidores. Combinadas, as economias somam US$ 22,3 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB).
Em dezembro, a UE adiou a tentativa de assinatura após o presidente da França, Emmanuel Macron, e da premiê italiana, Giorgia Meloni, recusarem-se a apoiar o texto até que fossem aprovadas garantias para proteger o setor agrícola europeu.
Nesta semana, Bruxelas intensificou as negociações para tentar remover os últimos obstáculos. Na quarta-feira, ministros da Agricultura da UE se reuniram para discutir medidas de reforço ao apoio aos produtores rurais, que temem competição com produtos do Mercosul.
Na reunião, foi anunciado o adiantamento de até 45 bilhões de euros em subsídios previstos no próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC). Ao todo, o orçamento garantido da PAC soma 293,7 bilhões de euros. A medida foi elogiada pela Itália, que indicou ter retirado sua objeção.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia Foto: Jean-Christophe Verhaegen/AFP



