O turismo brasileiro bateu recorde com estrangeiros deixando R$ 33,3 bilhões, mas o crescimento rápido ameaça a segurança. Falta planejamento elétrico em cidades turísticas, o que pode causar apagões e riscos em eventos e hotéis. O artigo propõe eficiência energética e manutenção constante para garantir a sustentabilidade dos destinos.
O turismo brasileiro vive um momento de expansão histórica, mas esse crescimento traz um desafio pouco discutido: a infraestrutura elétrica que sustenta hotéis, eventos e cidades turísticas nos picos de demanda. No artigo, o engenheiro eletricista Jones Poffo, CEO da P3 Engenharia, analisa como o planejamento elétrico, a eficiência energética e a segurança das instalações são peças-chave para que o turismo cresça de forma sustentável.
O Brasil registra um ciclo de expansão consistente no setor de viagens. Dados do Banco Central, compilados pelo Ministério do Turismo, mostram que os turistas estrangeiros deixaram R$ 33,3 bilhões no país entre janeiro e julho deste ano. Esse valor representa um aumento de 9,4% em relação aos R$ 30,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Geralmente, o debate sobre o turismo foca na hotelaria, no marketing de destino ou no investimento em atrativos públicos, raramente considerando o papel da engenharia elétrica, que sustenta toda a operação por trás das cenas.
- O turismo no Brasil gerou R$ 33,3 bilhões com estrangeiros em 2024, um aumento de 9,4% sobre 2025.
- O consumo de energia do país deve crescer 4,1% este ano, segundo o Operador Nacional do Sistema.
- Cidades turísticas têm demanda elétrica irregular, com picos perigosos em eventos e alta temporada.
- A eficiência energética ajuda a reduzir custos e melhora a experiência do hóspede sem grandes obras.
- Manutenção preventiva é essencial para evitar riscos em locais com grande concentração de pessoas.
O desafio da demanda elétrica irregular
O Operador Nacional do Sistema Elétrico projetou um aumento de 4,1% no consumo de energia elétrica do país para este ano. Jones Poffo, que atua há quase duas décadas em projetos do setor, observa que o sucesso ou o fracasso de um destino turístico depende diretamente da qualidade da infraestrutura elétrica. Cidades turísticas convivem com um padrão de consumo muito diferente do das demais: a demanda varia drasticamente conforme a temporada, os feriados e os grandes eventos.
Eventos e alta temporada exigem capacidade extra
Um destino de praia pode multiplicar sua população em poucos dias no verão. Uma cidade histórica pode receber, em um único fim de semana de evento, um público equivalente a meses de visitação normal. Grandes festivais, como a Oktoberfest em Blumenau, concentram em poucos dias um volume de consumo elétrico comparável ao de meses de operação padrão. Tendas, palcos, iluminação cênica e praças de alimentação exigem painéis elétricos corretamente dimensionados e uma rede capaz de suportar esses picos de carga sem comprometer a segurança do público.
O mesmo vale para qualquer destino turístico em alta temporada. Hotéis, pousadas e comércios locais precisam de infraestrutura pensada para o pico de ocupação máxima, não apenas para o dia a dia de baixa demanda. Por isso, a eficiência energética deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um diferencial competitivo. Um empreendimento que reduz o desperdício de energia consegue direcionar esse recurso para melhorar a experiência do hóspede, seja no conforto ou na qualidade do serviço.
Segurança e manutenção preventiva
Projetos de eficiência energética ainda são pouco explorados pelo turismo brasileiro, mas têm potencial para reduzir custos operacionais sem exigir grandes reformas estruturais. Isso é especialmente relevante para pequenos e médios municípios turísticos, que muitas vezes não possuem orçamento para obras de grande porte. Além disso, ambientes com grande concentração de pessoas, como pavilhões de eventos, centros históricos movimentados, resorts e prédios com alta ocupação, exigem manutenção preventiva e laudos técnicos periódicos, muito além da instalação inicial.
Não é incomum encontrar estruturas elétricas planejadas para um uso que, com o tempo, passou a operar muito acima da sua capacidade original, sem que ninguém tenha reavaliado essa condição. Em locais com grande fluxo de visitantes, isso é um risco que precisa ser tratado com prioridade e inspeções recorrentes, não apenas quando o problema já apareceu.
Verticalização e o futuro da infraestrutura
Um fenômeno que se repete em vários pontos do litoral brasileiro é a verticalização acelerada das cidades turísticas. Balneário Camboriú, com uma das maiores concentrações de arranha-céus do país, é hoje uma referência nacional desse movimento. Cada novo empreendimento de grande porte precisa ser pensado como parte de um sistema elétrico maior, com subestações, redundância de fornecimento e painéis dimensionados para elevadores, climatização e áreas comuns. Caso contrário, há o risco de sobrecarregar a rede em períodos de altíssima ocupação, como virada de ano e alta temporada.
É fundamental entender que o crescimento turístico só se sustenta a longo prazo quando vem acompanhado de investimento contínuo em infraestrutura, e não apenas de esforços pontuais em época de eventos. O desenvolvimento sustentável é, também, uma questão de engenharia bem-feita: iluminação moderna e eficiente, painéis dimensionados corretamente, laudos técnicos em dia e um olhar atento para o crescimento da demanda antes que ela se torne um problema. É isso que garante que os municípios brasileiros continuem crescendo com segurança, sendo um bom lugar tanto para quem visita quanto para quem vive nesses destinos.

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