06 de outubro de 2026

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Como a chuva me ensinou a amadurecer

Artigos Maturidade 06/10/2026 07:19 Roberto T. G. Rodrigues

O autor sempre odiou chuva, mas com o tempo percebeu que a vida também tem seus temporais. Neste artigo, ele reflete sobre como as dificuldades nos ensinam a ser mais fortes e maduros.

Eu nunca gostei de chuva. Mesmo no verão, quando o céu escurecia e começava a chover forte à tarde, eu não ficava animado para tomar banho de chuva. Sempre me incomodaram os raios, o trovão que chega sem avisar e, principalmente, o frio que vem depois. Com o tempo, entendi que não era a chuva que eu odiava, mas o frio. A chuva só levava a culpa por estar junto. Mas eu sei que ela é importante. Quando eu era adolescente, minha cidade passou por uma seca. Vi todos ficarem preocupados com a falta de água. A torneira que seca ensina que a chuva não é só para decorar o dia. Ela é necessária, mesmo quando chega na hora errada.

Minha ideia para resolver isso sempre foi simples: deveria chover à noite. Todo mundo estaria em casa, as roupas já teriam sido recolhidas e ninguém precisaria andar com guarda-chuva na rua. O céu faria o seu trabalho, eu dormiria e, de manhã, todos seguimos. Mas ninguém da meteorologia me ouviu. Talvez por isso eu nunca levasse guarda-chuva para a escola ou para o trabalho. Colocá-lo na mochila parecia admitir que eu tinha perdido para a nuvem. Quando não levava, chovia. Quando levava, ele ficava inútil no meu caminho. O guarda-chuva é difícil de carregar quando você precisa das duas mãos.

O que aprendi com os temporais da vida

  • A chuva é importante para a vida, mas pode atrapalhar.
  • O autor não gosta de chuva, mas entende que ela é necessária.
  • A maturidade é aprender a seguir em frente mesmo quando as coisas ficam difíceis.
  • Não devemos ter medo dos problemas, mas enfrentá-los com resiliência.
  • As dificuldades da vida são como temporais: chegam sem avisar, mas passam.

Com o tempo, percebi que várias coisas difíceis na minha vida aconteceram quando chovia ou o tempo estava fechado. Não sei se eram chuvas fortes ou temporais; a memória exagera o clima quando guarda tristeza. Algumas lembranças ficam com nuvens escuras, ruas molhadas e a sensação de que o dia não deu certo. Na vida, os temporais não avisam. Eles vêm como uma perda, uma doença, uma decepção ou uma notícia ruim. Você pode estar preparado, com capa, botas e pensamento positivo, mas ainda assim sai molhado. Outras vezes, a tempestade surge quando não há abrigo. É nesse momento que descobrimos que maturidade não é ficar seco, é seguir em frente mesmo com frio.

Não acredito que todo sofrimento seja necessário. Algumas dores só doem e ninguém precisa agradecer por elas. Mas reconheço que passar por dificuldades ensina sobre nossos limites, sobre quem fica ao nosso lado e sobre a força que aparece quando achamos que não temos mais. Crescer é aprender a pedir abrigo sem vergonha e a oferecer abrigo quando outros precisam. No meu livro A Bê Cê da Poesia, escrevi sobre o frio do vento minuano e o cheiro da terra depois da chuva. Talvez isso mostre que até o que não gostamos pode ter beleza. Prefiro ver essa beleza pela janela, com uma bebida quente e longe dos raios. A poesia não me obriga a me molhar.

Ainda não aprendi a gostar de chuva, nem de frio. Também não virei especialista em guarda-chuva. Mas hoje entendo melhor o que eles representam. Existem coisas necessárias que chegam sem pedir licença, atrapalham nossos planos e deixam marcas. Não controlamos o céu nem a vida. Podemos escolher como atravessar o temporal e, se possível, chegar do outro lado com humor, maturidade e sapatos menos molhados.