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Como empresas podem cuidar da saúde mental e evitar o estresse extremo dos funcionários

Artigos 08/09/2026 16:52 Aliesh Farias/Carpediem RH, via Key Press Comunicação

Com o aumento de quase 4 vezes nos casos de exaustão mental (burnout) no Brasil, a saúde dos colaboradores no trabalho se tornou tema urgente. Uma psicóloga e CEO da Carpediem RH lista cinco práticas que ajudam empresas a criar ambientes mais saudáveis, onde pedir ajuda não é visto como fraqueza.

O ambiente de trabalho pode ser um fator de proteção para a saúde mental, ou contribuir para o agravamento do sofrimento emocional. A diferença está menos nas campanhas realizadas ao longo do ano e mais na forma como os líderes conduzem suas equipes, distribuem demandas, lidam com erros e criam espaço para os colaboradores poderem falar sobre suas dificuldades.

Os números ajudam a entender melhor o desafio. A proporção de profissionais que já pediram afastamento por questões de saúde mental passou de 15% em 2023 para 20,1% em 2025, segundo a pesquisa Panorama do Trabalho no Brasil, da Serasa Experian. O levantamento também mostra um descompasso entre o que se diz e o que se faz: 59,9% dos entrevistados afirmam que as empresas falam sobre saúde mental, mas aplicam práticas contraditórias no dia a dia. Apenas 28,2% dizem se sentir confortáveis para conversar sobre saúde mental e bem-estar no trabalho.

É nesse cenário que o Setembro Amarelo ganha um sentido que vai além da conscientização sobre a prevenção ao suicídio. Para as empresas, o mês também debate a capacidade de criar relações de trabalho mais saudáveis e espaços em que pedir ajuda não seja entendido como sinal de fragilidade.

Para Aliesh Farias, psicóloga e CEO da Carpediem RH, a resposta passa menos por ações pontuais e mais pela forma como a organização conduz sua rotina diária.

Cinco estratégias para fortalecer a saúde mental no trabalho

Na prática, construir um ambiente saudável depende de decisões que começam na liderança e chegam à rotina das equipes. Aliesh lista cinco medidas que podem ajudar as empresas a transformar o cuidado com a saúde mental em uma prática contínua.

1. Desenvolva líderes preparados para acolher

A liderança tem papel central na construção de um ambiente psicologicamente seguro. Gestores preparados para ouvir, reconhecer mudanças de comportamento e encaminhar situações que precisam de ajuda especializada conseguem criar relações de maior confiança com suas equipes.

"O colaborador dificilmente procura ajuda se não sente confiança na liderança", explica Aliesh. "O líder precisa ser alguém que escuta sem julgamento, acolhe as dificuldades e sabe encaminhar a pessoa para o suporte adequado quando necessário", completa.

Isso não significa transformar gestores em psicólogos, mas prepará-los para reconhecer sinais de alerta, conduzir conversas difíceis e saber quando uma situação deve ser encaminhada para profissionais especializados.

2. Incentive uma comunicação aberta e respeitosa

A segurança emocional também passa pela possibilidade de falar. Reuniões em que só o gestor se expressa, ambientes em que erros são punidos ou equipes que evitam discordar por medo das consequências tendem a atrapalhar a detecção precoce de problemas.

Criar espaços para que os profissionais compartilhem dúvidas, sugestões e preocupações ajuda a fortalecer o senso de pertencimento. Também permite que desconfortos sejam discutidos antes de se transformarem em conflitos maiores.

"Quando o colaborador percebe que pode discordar, fazer perguntas ou admitir uma dificuldade sem colocar sua posição em risco, a comunicação tende a ser mais transparente e a colaboração entre as equipes pode ganhar força", afirma.

3. Equilibre produtividade e bem-estar

Metas e resultados continuam importantes, mas alta performance não pode ser confundida com excesso de trabalho.

Distribuição adequada de demandas, prioridades claras, respeito aos períodos de descanso e maior previsibilidade na rotina são alguns dos fatores que podem contribuir para uma relação mais sustentável com o trabalho.

Para Aliesh, empresas que cuidam da saúde mental precisam olhar também para a própria organização do trabalho. "Produtividade sustentável depende de equilíbrio, organização e respeito aos limites das pessoas", afirma.

A discussão adquire especial importância porque o adoecimento mental tem impacto crescente sobre o mercado de trabalho. Um levantamento da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), com base em dados do INSS, mostra que os afastamentos relacionados a transtornos mentais vêm aumentando no país. Entre 2023 e 2025, os registros de burnout analisados pela entidade subiram de 1.760 para 6.985, um aumento de quase quatro vezes no período.

4. Invista em um programa permanente de saúde mental

Campanhas de conscientização podem abrir o diálogo, mas não substituem políticas permanentes.

A CEO da Carpediem RH lembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a promoção da saúde mental no trabalho envolva intervenções organizacionais, treinamento de gestores e trabalhadores, além de medidas de prevenção, e não apenas ações individuais.

"Programas de apoio psicológico, iniciativas de educação sobre saúde mental, capacitação de lideranças e canais de escuta são algumas das possibilidades", indica Aliesh.

O mais importante, segundo a especialista, é que essas ações não fiquem restritas a períodos específicos do calendário. "O Setembro Amarelo é um momento de conscientização, mas a saúde mental precisa ser tratada durante todo o ano. O acolhimento deve fazer parte da cultura organizacional e estar presente nas decisões e práticas de todo o dia a dia", diz a especialista.

5. Monitore o clima organizacional

Não basta criar canais de escuta: é preciso saber o que está acontecendo dentro das equipes.

Pesquisas de clima, conversas periódicas, avaliações de liderança e outros mecanismos de escuta podem ajudar a identificar sinais de desgaste, conflitos e insatisfação antes de eles evoluírem para problemas mais graves.

O Setembro Amarelo, nesse sentido, pode ser menos um ponto de chegada e mais uma oportunidade para que as empresas avaliem o que acontece nos outros onze meses do ano. "Ouvindo os colaboradores de forma contínua, a empresa consegue agir antes que pequenos desconfortos se transformem em crises. Prevenção sempre será mais eficaz do que agir apenas quando o problema já está instalado", afirma Aliesh.

Mais do que uma questão de benefícios ou de recursos humanos, a saúde mental passou a fazer parte da discussão sobre a própria sustentabilidade das organizações. A forma como uma empresa organiza o trabalho, prepara suas lideranças e estabelece relações com seus colaboradores pode influenciar não apenas o bem-estar das equipes, mas também a capacidade de reter talentos, manter a produtividade e construir uma cultura de confiança.

O que considerar ao aplicar essas práticas

  • 1. Líderes treinados para ouvir e acolher sem julgar.
  • 2. Comunicação transparente com espaço para dúvidas e críticas.
  • 3. Equilíbrio entre metas e respeito aos limites das pessoas.
  • 4. Programas permanentes, e não apenas campanhas pontuais.
  • 5. Monitoramento constante do clima das equipes em todo o ano.

Com a crise de burnout crescendo rapidamente, é essencial que essas estratégias saiam do papel e se tornem parte do cotidiano organizacional.

Sobre a Carpediem RH: sob o comando da CEO Aliesh Farias e do CFO Marcelo Farias, a Carpediem é uma das maiores empresas de RH do país, reconhecida pelo atendimento altamente humanizado e por transformar vidas por meio do trabalho.

Há dezesseis anos, oferece soluções completas em gestão de pessoas, sendo pioneira na implementação de processos 100% digitais, sem abrir mão da humanização. É referência em desenvolvimento humano e conta com unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Guarulhos e Ribeirão Preto.

A organização é tricampeã do prêmio Top of Mind de RH (2023, 2024 e 2025). Em 2023, conquistou a certificação Great Place to Work.

Entre seus principais serviços estão recrutamento e seleção, gestão de colaboradores temporários e efetivos, avaliações, programas de diversidade e inclusão, desenvolvimento de lideranças, diagnósticos organizacionais, coaching, hunting e implantação de estruturas completas de RH.