Empresários brasileiros estão usando seus imóveis como garantia para obter crédito e investir no crescimento do negócio. Um estudo mostra que 32,1% dos contratos dessa modalidade foram feitos por empresários.
Existe uma característica muito brasileira na forma como lidamos com patrimônio. Durante décadas, comprar um imóvel representava a chegada a um porto seguro. Era a materialização da estabilidade financeira, um bem destinado a proteger a família, atravessar gerações e servir como legado.
Essa visão continua bastante presente. Ao mesmo tempo, o patrimônio imobiliário começa a ganhar outra função na vida financeira dos brasileiros, inclusive entre os empresários.
- 32,1% dos contratos de crédito com garantia de imóvel (CGI) no primeiro semestre foram feitos por empresários.
- Os principais usos são: expansão, compra de equipamentos, abertura de novas unidades e reforço do capital de giro.
- O mercado brasileiro ainda é pequeno comparado ao dos EUA, que movimentou US$ 179 bilhões em 2025.
- Usar o imóvel como garantia exige planejamento e capacidade de pagamento.
- O imóvel deixa de ser apenas um bem guardado e passa a ser ferramenta para gerar liquidez.
Juros elevados, crédito mais caro e um ambiente econômico que exige decisões cada vez mais cuidadosas levaram muitos empresários a olhar com mais atenção para os ativos que já possuem. O imóvel entra nessa equação quando existe um projeto claro e uma necessidade concreta de capital.
Foi essa mudança que mais me chamou atenção na primeira edição do Panorama do Crédito com Garantia de Imóvel no Brasil, estudo que desenvolvemos para acompanhar a evolução da modalidade no país. Os números mostram que 32,1% dos contratos de CGI firmados no primeiro semestre foram contratados por empresários. Entre as principais finalidades estão projetos de expansão, aquisição de equipamentos, abertura de novas unidades e reforço do capital de giro.
O dado chama atenção porque mostra que o patrimônio imobiliário já começa a fazer parte das decisões de capital de uma parcela significativa dos empresários. Para quem possui um imóvel, a questão passa a ser também avaliar se esse ativo pode contribuir para um projeto que tenha potencial de retorno para o negócio.
Nos Estados Unidos, onde o crédito com garantia de imóvel possui uma trajetória mais consolidada, o segmento movimentou cerca de US$ 179 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 228 bilhões até 2031, segundo a Mordor Intelligence. O mercado brasileiro ainda está distante dessa escala, mas a participação dos empresários nas operações mostra que existe espaço para esse tipo de solução ganhar ainda mais relevância na estrutura de capital das empresas.
Vale ressaltar, no entanto, que a discussão para acessar essa linha de crédito precisa considerar o retorno esperado do projeto, o custo da operação e o risco assumido pelos sócios. É essa conta que determina se transformar patrimônio em liquidez é uma boa decisão empresarial.
Por isso, utilizar um imóvel para contratar crédito exige planejamento, capacidade de pagamento e um objetivo bem definido, uma vez que o patrimônio imobiliário continua sendo um ativo relevante.
Durante muito tempo, a lógica predominante foi acumular bens e preservá-los. Agora, cada vez mais empresários começam a incluir esses ativos nas decisões relacionadas à estrutura de capital da empresa. Quando existe um projeto claro e uma conta econômica que faça sentido, o patrimônio também pode participar da estratégia de crescimento do negócio.

Crédito (IA)


