24 de agosto de 2026

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Arte é a luz contra a solidão na era tecnológica

Artigos Arte 24/08/2026 07:03 Tchelo Andrade

O escritor Tchelo Andrade mostra como as novas tecnologias afastam as pessoas e explica que a arte é essencial para reconectar a humanidade.

Na escuridão do passado, nossos antepassados eram perseguidos por predadores gigantes. Hoje, vivemos num mundo hipertecnológico que também nos amedronta. As grandes empresas de tecnologia dizem que essa luz é suficiente, mas ela não ilumina toda a realidade.

O problema do mundo digital

Um mundo digital tem vantagens, mas as novas tecnologias têm afastado as pessoas umas das outras. Esse distanciamento cria um vazio, cheio de solidão, desigualdade, destruição da natureza e banalização da violência.

  • 1 em cada 10 brasileiros conversa com inteligência artificial para desabafar.
  • Em 2023, a OMS declarou a solidão como uma epidemia global.
  • Há casos de escravidão digital, com criminosos manipulando crianças e adolescentes.
  • A arte pode fortalecer laços e o sentimento de pertencimento.
  • Pontos de Cultura oferecem atividades que afastam as pessoas dos celulares.

Dados alarmantes

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde declarou a solidão como uma epidemia global. A pesquisa Inteligência Artificial na Vida Real, da Talk Inc., também mostrou que 1 em cada 10 brasileiros recorre a chats de IA para desabafar.

O neurocientista Miguel Nicolelis disse que colocamos abstrações, como dinheiro e consumo, no centro do universo, o que diminui a empatia.

Além disso, muitos casos de escravidão digital surgiram nos últimos anos. Criminosos usam redes para manipular jovens, especialmente meninas.

Um caso importante foi o de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, que foi forçada a matar seu animal de estimação e a si mesma ao vivo no Discord. A polícia descobriu que os criminosos eram jovens de 14 a 19 anos.

É preciso encontrar formas de reaproximar a humanidade do que a faz humana: sonhar e cuidar do outro. Somos seres de empatia e imaginação.

A arte como solução

A arte, em todas as formas, estimula a percepção do eu e do outro. Os humanos são a única espécie capaz de se conceber assim.

Não se trata apenas de consumir arte. É importante também fazer. Por isso, os Pontos de Cultura e as políticas públicas são tão relevantes.

Nos Pontos de Cultura espalhados pelo Brasil, as pessoas têm acesso a teatro, oficinas, música, dança, cinema e outras formas de bem-estar. Essas ações afastam as pessoas dos celulares, fazem-nas interagir e fortalecem a imaginação e o pertencimento.

A proibição de celulares nas escolas foi o primeiro passo. O segundo é a Lei nº 15.481, de 31 de julho de 2026, que altera a Política Nacional de Cultura Viva para parcerias entre Pontos de Cultura e escolas. O próximo passo é aguçar a esperança, como diria Paulo Freire.

A missão da humanidade é ser humana, frear o desespero e a dependência das tecnologias. A luz artificial nunca será superior ao brilho da nossa essência.

A história mostra que sempre fomos seres de comunhão e que a imaginação é a ferramenta ideal para prosperar em comunidade. Não é por acaso que as pinturas da Serra da Capivara e a Odisseia de Homero ainda fazem sentido. O futuro do ser humano não pode ser outro que não ser humano.