21 de agosto de 2026

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Solidão conectada: o perigo das telas nas relações humanas

Artigos Solidão 21/08/2026 07:17 Roberto T. G. Rodrigues

A tecnologia aproximou o mundo, mas será que nos afastou de quem amamos? O escritor Roberto T. G. Rodrigues reflete sobre a 'solidão conectada' e mostra como as telas estão criando distância entre as pessoas, mesmo na cidade grande. Ele dá dicas simples para resgatar relações reais.

O paradoxo da conectividade

A tecnologia evoluiu muito nos últimos anos. Hoje temos ferramentas que pareciam coisa de filme de ficção científica. Mas será que essa evolução também melhorou a forma como as pessoas se relacionam Nem sempre. Muitas vezes, quanto mais tecnologia temos, mais distantes ficamos uns dos outros.

Hoje, se uma tempestade de granizo atingir uma cidade distante, ficamos sabendo em poucos minutos. As notícias viajam pelo mundo em segundos. Mas ter tanta informação não quer dizer que estamos próximos das pessoas. Pelo contrário, muitas vezes sabemos mais sobre o que acontece longe do que sobre a vida de quem está perto de nós.

  • A tecnologia trouxe muitas facilidades, mas também mudou a forma como nos relacionamos.
  • Hoje sabemos tudo o que acontece no mundo, mas muitas vezes ignoramos quem está ao nosso lado.
  • Em São Paulo, as pessoas estão cada vez mais isoladas, mesmo em lugares cheios.
  • Até nas famílias, os encontros estão ficando raros por causa das telas.
  • A disputa pela atenção atrapalha as conversas e aumenta a sensação de vazio.

Essa é a grande contradição: quanto mais conectados estamos, mais distantes ficamos das pessoas que estão ao nosso lado. Aos poucos, tudo virou digital: consultas, compras, estudos, trabalho e até os relacionamentos. Não dá para culpar só os aparelhos ou a inteligência artificial. Nós escolhemos trocar nossa atenção e tempo por comodidade.

Basta olhar ao redor: nas ruas, nos trens e nos lugares públicos, muitas pessoas andam com o celular na mão, sem ver quem está por perto. Grupos de amigos ou famílias se reúnem à mesa, mas cada um fica no próprio celular. O aparelho virou uma 'bengala' que ajuda, mas também vicia.

Famílias também sentem

Isso também afeta as famílias. Encontros como almoço de domingo ou um passeio juntos ficaram raros. A vida moderna é corrida, mas não é só falta de tempo. Em São Paulo, vejo todo dia pessoas dividindo espaços cheios, mas cada uma fica no seu próprio mundo. Há proximidade física, mas não há encontro verdadeiro.

As conversas também sofrem com a disputa pela atenção. Enquanto falamos com alguém, chegam mensagens, vídeos e notificações. A pessoa precisa competir com o mundo inteiro para ser ouvida. Fica difícil prestar atenção de verdade, notar o tom de voz ou só ficar em silêncio ao lado de alguém sem querer olhar a tela.

Quando os laços enfraquecem, aumentam a ansiedade, o estresse e o vazio. Muitas vezes dizemos que não temos tempo para ver os amigos, mas talvez já tenhamos nos acostumado à solidão a ponto de achar qualquer encontro cansativo. Conversar exige presença, paciência e interesse, enquanto o celular permite entrar e sair quando a gente quiser.

O que podemos fazer

Não estou dizendo para abandonar a tecnologia, porque ela traz muitos benefícios. O desafio é não deixar que o mundo digital atrapalhe as relações reais. Podemos recuperar hábitos simples: guardar o celular na hora da refeição, ouvir sem interromper, visitar um amigo ou aceitar um convite mesmo quando o sofá parece mais gostoso.

A gente consegue saber em segundos o que passa do outro lado do mundo, mas muitas vezes não sabe como está a pessoa ao nosso lado. Essa é a solidão conectada: cheia de contatos, mensagens e informações, mas vazia de relações verdadeiras. A tecnologia vai continuar avançando. A decisão de manter nossos laços fortes é nossa.