O psicólogo Igor Almeida Bastos analisa o sofrimento dos jovens brasileiros e sugere caminhos para superar a crise de saúde mental, destacando a importância de políticas públicas, educação e apoio emocional.
Talvez ninguém tenha retratado tão bem o desespero da juventude como Belchior. Em sua primeira música, "A Palo Seco", ele fala sobre o desespero de um jovem de 25 anos cheio de sonhos e sangue. Em "Na Hora do Almoço", ele mostra como a convivência familiar pode ser opressora.
Nos álbuns seguintes, Belchior aprofunda o tema. Músicas como "Apenas um Rapaz Latino-Americano", "Como Nossos Pais", "Alucinação" e "Paralelas" falam de desilusão e solidão. Ele canta: "A vida realmente é diferente. Quer dizer, ao vivo é muito pior" e "Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos, nós ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais". Esse é um retrato do sofrimento, mas também há esperança, como veremos.
- A taxa de suicídio entre jovens de 15 a 29 anos é a terceira principal causa de morte no mundo.
- No Brasil, o aumento do suicídio foi de 81% entre jovens e adolescentes entre 2010 e 2019.
- Os homens são as maiores vítimas de suicídio, enquanto a depressão é mais comum em mulheres.
- As causas podem incluir fatores culturais, econômicos e o uso de redes sociais.
- Investir em políticas públicas e apoio emocional é essencial para enfrentar a crise.
O desespero em números
Se nos anos 70 os jovens já sofriam, hoje a situação é ainda mais grave. Desde os anos 80, a taxa de suicídio no Brasil nunca foi tão alta, segundo pesquisa do Our World in Data de 2026.
Além disso, o suicídio é a terceira maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos no mundo, segundo a OMS. No Brasil, entre 2010 e 2019, a taxa de suicídio cresceu 43%, e entre adolescentes e jovens o aumento foi de 81%, conforme dados do Ministério da Saúde.
Estamos diante de uma crise de saúde mental entre os jovens. O que está acontecendo
Possíveis causas
Muitas explicações são possíveis. A depressão atinge mais mulheres, mas o suicídio é mais comum entre homens. Enquanto 2 em cada 3 casos de depressão são em mulheres, quase 8 em cada 10 suicídios são de homens, segundo dados da OMS e do Ministério da Saúde.
As causas podem ser culturais, como o machismo que ensina os homens a não expressarem emoções. Podem ser econômicas, como a dificuldade de comprar uma casa ou um carro, devido à inflação e políticas neoliberais. Também podem estar ligadas às redes sociais, que aumentam a insatisfação com a imagem corporal.
Todas essas hipóteses têm fundamento, e cada caso pode ter um peso diferente.
Caminhos de esperança
Mas como manter a esperança Mudanças estruturais podem ajudar, como políticas públicas de educação emocional nas escolas, redução de juros e mais acesso à educação.
No plano individual, Belchior sugere: "Viver é melhor do que sonhar e eu sei que o amor é uma coisa boa". Ele valoriza o amor e a mudança, e sonhar é importante, mas não basta.
O caminho é buscar uma vida com significado, amor, sonhos e coragem para mudar o que for possível. Não existe receita pronta, mas é uma pergunta que cada um deve responder.

Divulgação | Arquivo pessoal


