A falta de dinheiro e o medo do futuro estão afetando a saúde mental dos brasileiros e, como consequência, o desempenho no trabalho. Entenda como isso acontece e o que as empresas podem fazer para ajudar.
A ansiedade por causa do dinheiro virou um dos maiores problemas de saúde mental hoje em dia, e isso já afeta diretamente as empresas. Para o RH, é um desafio cada vez maior: lidar com funcionários que estão sempre preocupados com as contas, não conseguem planejar o futuro e vivem com medo do que pode acontecer.
Segundo dados da ANBIMA, 61% dos brasileiros não têm nenhum tipo de investimento, 51% não investem porque não sobra dinheiro e só 8% pensam em aposentadoria. Isso mostra que muita gente vive no aperto, e esse estresse vai para o trabalho, causando falta de concentração e queda na produtividade. Quando a pessoa não consegue pagar as contas, não tem reserva para emergências e não vê perspectiva de melhora, a ansiedade só aumenta.
Para entender melhor o impacto da ansiedade financeira, veja alguns dados:
- 61% dos brasileiros não têm investimentos
- 51% não investem porque não sobra dinheiro
- 66% dos trabalhadores dizem que problemas financeiros afetam sua saúde mental
- 64% têm dificuldade para manter o foco por causa das dívidas
- 71% se saem melhor no trabalho quando as contas estão em dia
Isso fica ainda pior porque a maioria das pessoas não entende bem de finanças. Um relatório do Banco Central mostra que o brasileiro acerta apenas 53% das perguntas sobre inflação, juros e riscos, ficando abaixo da média mundial e em 33º lugar no ranking global.
Os erros mais comuns estão nos assuntos mais importantes para o futuro: 87% erram cálculos de juros e 42% não entendem de diversificação de risco. Além disso, o Pisa mostra que os jovens brasileiros têm um dos piores níveis de educação financeira do mundo, ou seja, esse problema vem de gerações.
Para o RH, isso quer dizer que muitos funcionários passam por dificuldades financeiras sem ter como resolver, e por isso vivem estressados. Isso afeta o comportamento e o desempenho de forma direta.
Uma pesquisa da Creditas com a Opinion Box mostra que 66% dos trabalhadores sentem que problemas com dinheiro afetam sua saúde mental, e 50% têm ansiedade por causa das dívidas. Isso faz com que 64% tenham dificuldade para cumprir horários e manter o foco. Por outro lado, 71% se saem melhor quando estão com as contas em dia, provando que estabilidade financeira ajuda na produtividade e no bem-estar.
O impacto não é só emocional. A OMS calcula que ansiedade e depressão causam perdas de US$ 1 trilhão por ano no mundo. No Brasil, só em 2025, foram mais de 500 mil afastamentos do trabalho por problemas mentais, custando cerca de R$ 3,5 bilhões ao INSS.
Esses números mostram que o problema emocional afeta o mercado de trabalho e que a falta de dinheiro é uma das causas. Por isso, a ansiedade financeira deve ser tratada como um risco para as empresas, e não como problema só de cada pessoa.
O medo do futuro, a falta de reserva e a dificuldade de planejar geram um ciclo de estresse que prejudica o trabalho e aumenta a rotatividade. Para resolver isso, as empresas precisam investir no bem-estar financeiro dos funcionários. A previdência complementar fechada é uma ferramenta importante porque ajuda a garantir uma renda no futuro, reduzindo a ansiedade sobre a aposentadoria. Quando essa previdência é oferecida pela empresa, ela se torna uma proteção contra o estresse crônico.
Mas a previdência só funciona se a empresa também oferecer educação financeira. Programas de orientação, simuladores de renda futura e ações de conscientização ajudam os funcionários a entender melhor como planejar o futuro. Isso não só melhora a vida deles, mas também reduz problemas como falta de foco e rotatividade.
Empresas que ignoram a ansiedade financeira estão ignorando um dos maiores problemas de saúde mental da atualidade. O medo do futuro já afeta a produtividade e a qualidade de vida, por isso, cuidar do preparo financeiro dos funcionários é cuidar da própria empresa. O RH tem um papel fundamental na criação de um ambiente de trabalho estável e saudável, entendendo que segurança financeira é essencial para a gestão de pessoas.

Cristiano Verardo, da Vexty (foto: Nicolas Siegmann)


