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O papel da imprensa em uma sociedade que aprende

Artigos Imprensa 27/07/2026 03:19 Janguiê Diniz - Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)

A imprensa é essencial para uma sociedade que aprende, pois informa, investiga e fortalece a democracia. O artigo destaca como o jornalismo de qualidade, como o Prêmio ABMES de Jornalismo, ajuda a conectar diferentes realidades no Brasil, especialmente na educação superior, valorizando profissionais que contribuem para um debate público mais rico e informado.

A imprensa é uma das instituições mais importantes para uma sociedade que aprende. Mais do que apenas contar o que acontece, o jornalismo de qualidade informa, investiga, explica e amplia a conversa sobre os temas que definem o presente e o futuro de um país. Em um mundo com informações rápidas, notícias falsas e desafios complexos, a missão da imprensa fica ainda mais importante: dar à sociedade fatos bem apurados, diferentes pontos de vista e elementos para formar uma opinião livre e consciente.

Essa contribuição é essencial para fortalecer a democracia. Ao acompanhar o que os governos fazem, investigar problemas, fiscalizar o uso do dinheiro público, pedir transparência e dar destaque a temas de interesse de todos, a imprensa age como um "cão de guarda" da sociedade. Esse papel vai além de simplesmente publicar notícias, sendo fundamental para fortalecer as instituições democráticas e garantir que os cidadãos possam exercer plenamente seus direitos.

  • O jornalismo de qualidade ajuda a combater a desinformação, oferecendo fatos apurados e confiáveis.
  • A imprensa atua como "cão de guarda" da democracia, fiscalizando o governo e cobrando transparência.
  • Boas reportagens podem inspirar soluções em diferentes partes do Brasil, conectando realidades diversas.
  • Na educação, o jornalismo revela pesquisas, projetos e histórias que mostram o impacto transformador do ensino.
  • O Prêmio ABMES de Jornalismo, em sua nona edição, reconhece profissionais que melhoram o debate sobre educação superior.

O bom jornalismo também encontra soluções, mostra experiências inovadoras e dá visibilidade a iniciativas que trazem resultados concretos para a sociedade. Ao transformar boas práticas em conhecimento compartilhado, ajuda para que ideias bem-sucedidas deixem de ser casos isolados e inspirem novas políticas públicas, projetos e ações da sociedade civil.

Em um país grande e com muitas desigualdades como o Brasil, essa capacidade de conectar diferentes realidades talvez seja uma das maiores contribuições da imprensa para o desenvolvimento nacional. Uma experiência bem-sucedida em uma universidade do Nordeste, uma pesquisa no Sul ou um projeto social no Centro-Oeste podem inspirar soluções em outros lugares quando o jornalismo ajuda a ampliar seu alcance.

O papel da imprensa na educação

Na área da educação, essa dupla missão fica ainda mais clara. Ao mesmo tempo em que acompanha indicadores, analisa políticas públicas, questiona decisões do governo e mostra desafios históricos, o jornalismo também revela pesquisas científicas, projetos inovadores de ensino, experiências de inclusão e histórias que mostram o poder transformador da educação na vida das pessoas.

No caso da educação superior, essa contribuição é ainda mais estratégica. É nela que se formam profissionais qualificados, se desenvolvem pesquisas que impulsionam a inovação e se produz conhecimento para enfrentar desafios sociais, ambientais, tecnológicos e econômicos. Mesmo assim, muitos desses temas ainda estão distantes do dia a dia da população. O jornalismo é essencial para diminuir essa distância e ajudar a sociedade a entender o papel da educação superior como motor de desenvolvimento, competitividade, inovação e redução das desigualdades.

O Prêmio ABMES de Jornalismo

Foi pensando nisso que, em 2017, na minha primeira gestão como presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), criei o Prêmio ABMES de Jornalismo. Hoje em sua nona edição, a iniciativa nasceu com o objetivo de reconhecer e valorizar profissionais que ajudam a melhorar o debate público sobre a educação superior, estimulando uma cobertura jornalística com apuração rigorosa, análises profundas e compromisso com o interesse público.

Em quase uma década, o prêmio se tornou uma referência para os profissionais da imprensa, acompanhando o amadurecimento da produção jornalística sobre o tema. Essa evolução é perceptível não só no aumento da participação, mas principalmente na qualidade dos trabalhos apresentados.

A edição de 2026 teve um recorde de 322 inscrições e, segundo a comissão julgadora, formada pelos imortais da Academia Brasileira de Letras Arnaldo Niskier, Antonio Secchin e Merval Pereira, escolher os vencedores foi um desafio por causa do alto nível das reportagens finalistas. A avaliação considerou aspectos como relevância, qualidade narrativa, consistência editorial e rigor na apuração.

Também merece destaque a variedade de temas abordados pelas produções vencedoras. As reportagens premiadas trataram de questões centrais para entender as mudanças pelas quais o ensino superior brasileiro passa, como a regulamentação da educação a distância, os impactos da inteligência artificial e das novas tecnologias nas universidades, o aumento de pessoas com mais de 60 anos nas salas de aula e a influência da graduação na melhoria da renda das famílias. Embora tratem de assuntos diferentes, todas têm uma coisa em comum: mostram como a educação superior se relaciona com os grandes desafios de hoje.

Mais do que reconhecer boas reportagens, o Prêmio ABMES de Jornalismo reafirma uma convicção que se fortalece a cada edição: uma educação superior forte depende de um debate público igualmente qualificado. E esse debate só é possível quando existe uma imprensa livre, ética, plural e comprometida com a produção de informação confiável.

Valorizar jornalistas que se dedicam à cobertura educacional significa incentivar uma sociedade mais bem informada, fortalecer a circulação de boas ideias e ampliar a visibilidade de iniciativas capazes de inspirar transformações em diferentes partes do país. No fim das contas, reconhecer o jornalismo comprometido com a educação superior é reconhecer que democracia, conhecimento e informação de qualidade andam juntos. Afinal, sociedades que valorizam a liberdade de imprensa e a educação constroem instituições mais sólidas, cidadãos mais conscientes e um futuro muito mais promissor.