13 de julho de 2026

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Aprendizado contínuo: o segredo para uma carreira longa e de sucesso

Artigos Carreira 13/07/2026 15:34 Bibiana Salles MTB 23409

Com a expectativa de vida maior e as mudanças rápidas no trabalho, aprender sempre virou necessidade, não mais um diferencial. A especialista Sandra Quinteiro explica que saber desaprender é tão importante quanto aprender, e ensina como se adaptar para ter uma carreira duradoura.

A ampliação da expectativa de vida e as rápidas transformações no mundo do trabalho tornaram a aprendizagem contínua uma necessidade, e não mais um diferencial. Neste artigo, Sandra Quinteiro parte de uma conhecida reflexão de Alvin Toffler para discutir por que aprender, desaprender e reaprender são competências centrais em carreiras cada vez mais longas. O texto propõe uma leitura que vai além da atualização técnica e convida à reflexão sobre desenvolvimento humano, identidade profissional e capacidade de adaptação ao longo da vida.

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  • O que é desaprender: Desaprender não é esquecer, mas sim questionar velhos hábitos que já não funcionam mais.
  • Por que é difícil: Muitas vezes, nossa identidade profissional está ligada ao que sabemos fazer bem, e mudar isso gera desconforto.
  • Carreira longa: Com a vida mais longa, passamos mais tempo trabalhando, e precisamos nos adaptar a novas realidades.
  • Humildade para aprender: É preciso ter humildade para admitir que a experiência, sozinha, não resolve tudo em um mundo que muda rápido.
  • O futuro é de perguntas: Mais do que ter respostas prontas, o importante é ter disposição para fazer novas perguntas e se reinventar.

"Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender e reaprender."

A frase de Alvin Toffler já está desbotando de tanto uso. Ainda assim, continua provocando uma reflexão importante.

Quando Toffler escreveu isso, a expectativa de vida era outra, as trajetórias profissionais eram mais previsíveis e poucas pessoas imaginavam que poderiam permanecer 40, 50 ou mais anos no mundo do trabalho. Aprender era importante, mas ainda podia ser entendido como uma etapa da formação ou como uma exigência pontual da carreira.

Hoje, esse cenário mudou. Vivemos mais, trabalhamos por mais tempo e passamos por transformações tecnológicas, sociais e culturais em uma velocidade que tende a ser difícil de acompanhar. Para muitas pessoas, aprender deixou de ser um diferencial para se tornar uma condição de permanência no trabalho e, também, de participação na vida em sociedade.

Quando releio a frase, penso que o maior desafio não está em aprender. Nem em reaprender. Está em desaprender.

Aprender amplia o que sabemos, aumenta o repertório. Reaprender exige reorganizar aquilo que já sabemos. Desaprender exige mais. É preciso rever referências, questionar hábitos e reavaliar modos de agir que, durante anos, trouxeram bons resultados. Não é difícil apenas porque exige esforço. É difícil porque parte desses hábitos sustenta a maneira como nos reconhecemos e somos reconhecidos pelas outras pessoas. É aí que a resistência costuma aparecer e pode travar o processo. Portanto, não é um exercício simples.

Desaprender pede que se revisem convicções, hábitos, formas de trabalhar, de liderar e de se relacionar. Em alguns momentos, pede também que se coloque em suspenso a própria imagem construída sobre quem se é como profissional. Afinal, parte da nossa identidade costuma estar apoiada justamente naquilo que sabemos fazer bem.

É por isso que desaprender costuma provocar tanto desconforto. Não porque aprender algo novo seja difícil, mas porque abrir mão de uma resposta que já funcionou exige um tipo de humildade pouco valorizado. Significa admitir que a experiência, por si só, não garante boas respostas para contextos inéditos e complexos.

Tenho encontrado essa questão com frequência nas conversas sobre longevidade profissional, reinvenção de carreira e desenvolvimento de lideranças. Não porque as pessoas resistam ao novo por princípio. Muitas vezes, elas resistem porque aquilo que precisam rever foi exatamente o que lhes trouxe reconhecimento e segurança durante anos.

Essa me parece uma das questões centrais das carreiras longas. Quanto mais tempo acumulamos de experiência, maior tende a ser o repertório que construímos. Mas também aumenta a possibilidade de carregarmos respostas que já não conversam com as perguntas do presente.

Por isso, a reflexão proposta por Toffler continua atual, embora talvez peça uma ampliação.

Em um contexto de longevidade profissional, a pergunta não é apenas como continuar aprendendo ao longo da vida, mas o que é preciso cultivar para continuar desaprendendo

Porque, ao que tudo indica, o futuro exigirá menos apego às respostas e mais disposição para revisitar as perguntas.