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O axé das Helenas do Maneco

Artigos Helenas 11/01/2026 09:11 Pai Paulo de Oxalá extra.globo.com

Viva os nomes Dandara, Ayana, Sodere, Onoryne

Há nomes que não são apenas sons, são forças.

Há nomes que carregam destino, dança, memória e axé.

Helena é um deles.

Nome que atravessa tempos, corpos e histórias, como se cada Helena trouxesse em si um chamado ancestral. No axé dos nomes, Helena vibra como rio que corre firme, suave na superfície e profundo na essência.

Nos terreiros da vida, aprendemos que o nome também dança.

E, se olharmos para as raízes africanas, veremos nomes como Dandara, Ayana, Onoryne, Sodere e Makeba. São nomes que não caminham, eles gingam e dançam ao som dos atabaques, carregando coragem, beleza, resistência e destino. Assim como Helena, cada um deles traz um propósito que não se apaga.

E foi assim que o autor Manoel Carlos, o Maneco das palavras e novelas, consagrou suas Helenas.

Cada Helena escrita por ele não era apenas personagem ou arquétipo. Cada Helena é mulher forte, amorosa e inteira. Helenas que amaram demais, erraram e também recomeçaram. Helenas que refletiam o espelho do Brasil e da alma feminina.

Com a partida de Maneco, não se encerra a história, firma-se o axé da força do nome.

Porque as Helenas permanecem vivas na memória coletiva, assim como os nomes africanos permanecem vivos na oralidade, no corpo, na dança e na fé.

Quando um nome é dito com verdade, ele não morre.

Quando uma história é contada com axé, ela se transforma em ancestralidade.

As Helenas do Maneco agora caminham entre o tempo e o eterno.

E dançam.

Porque todo nome que tem axé dança para nunca desaparecer.

Obrigado, Manoel Carlos, por nos mostrar a força de suas Helenas.

Axé para todos!

Nota: O autor de novelas Manoel Carlos morreu neste sábado, 10 de janeiro de 2026, aos 92 anos. Ele estava internado num hospital no Rio e enfrentava complicações da doença de parkinson.