04 de novembro de 2026

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Crédito rural melhora e traz esperança para a produção de alimentos

Agronegócio Crédito 04/11/2026 14:42 Teresa Cristina (Teka) Vendramini - AgFeed agfeed.com.br

O Banco Central divulgou que a inadimplência no crédito rural caiu de 9,7% para 8,7%, a maior queda desde 2011. Com menos dívidas, produtores conseguem acessar novas linhas de financiamento mais facilmente. O cenário de melhora deve facilitar o retorno de muitos agricultores ao campo, garantindo a produção de comida no Brasil e no mundo.

Os desafios para conseguir crédito e financiar a produção agropecuária têm sido constantes ao longo de 2026. A dificuldade em encontrar linhas de financiamento com juros baixos afeta diretamente o dia a dia dos agricultores.

Como produtora rural e tomadora de recursos do Plano Safra, é difícil encontrar crédito barato quando os programas com taxas subsidiadas se esgotam rapidamente, às vezes durando apenas 10 dias. Em paralelo, os bancos ficaram mais restritivos, preocupados com a alta inadimplência e as recuperações judiciais de empresas.

  • A inadimplência do crédito rural caiu para 8,7% em setembro, a maior queda da série histórica iniciada em 2011.
  • Embora o índice ainda seja alto, a expectativa é que isso sinalize uma recuperação do setor.
  • Uma Medida Provisória foi aprovada no meio do ano para ajudar na renegociação das dívidas agrícolas.
  • O número de pedidos de recuperação judicial por produtores rurais caiu 20,7% no segundo trimestre.
  • O Brasil é visto globalmente como a principal oportunidade para aumentar a produção de alimentos sem desmatar.

Queda na inadimplência traz esperança aos produtores

O Banco Central divulgou na última semana dados que mostram uma queda significativa na inadimplência do crédito rural. A taxa, que era de 9,7% em agosto, baixou para 8,7% em setembro. Essa redução de 1 ponto percentual foi a maior registrada na série histórica, que começou em 2011.

Sabemos que ainda é um índice de inadimplência alto, acima do que o mercado gostaria. No entanto, há a expectativa de que esse recuo possa significar, finalmente, uma recuperação real para o setor agrícola.

Esforços no Congresso para renegociar dívidas

Houve um esforço dos representantes do agronegócio no Congresso Nacional e também no governo federal para aprovar uma Medida Provisória na metade do ano. O objetivo era viabilizar a renegociação de parte das dívidas agrícolas acumuladas pelos produtores.

Esse processo de renegociação não está avançando no ritmo ideal. Porém, há confiança em que isso possa levar a uma gradual retomada do acesso ao crédito para os produtores que seguem enfrentando dificuldades financeiras.

Fórum Mundial da Alimentação destaca papel do Brasil

No mês de outubro, participei como painelista do Fórum Mundial da Alimentação, promovido em Roma, na Itália, pela FAO, órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Na ocasião, a fome no mundo foi discutida como algo que pode ser evitado.

Muita atenção foi dada às perspectivas para a produção de alimentos no Brasil. Espera-se que o governo ajude a viabilizar juros mais baixos para nossos agricultores. Se a inadimplência continuar caindo, será positivo, pois o produtor poderá voltar a produzir de alguma maneira.

Segurança alimentar e sustentabilidade

O endividamento elevado exclui agricultores que antes estavam produzindo. Isso tem tudo a ver com a segurança alimentar, tanto no Brasil quanto no mundo. É positiva a notícia de que o número de pedidos de recuperação judicial entre produtores rurais no segundo trimestre teve uma queda de 20,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Precisamos olhar esses números com cautela e seguir engajados em busca de uma solução definitiva para as dívidas rurais e para o acesso dos produtores a linhas de crédito com taxas de juros viáveis.

Afinal, o mundo depende da agricultura brasileira. É no Brasil que estão as maiores oportunidades de aumentar a produção de alimentos a partir da recuperação de pastagens degradadas, sem a necessidade de abrir novas áreas, garantindo a segurança alimentar e o cuidado com nosso planeta.