30 de outubro de 2026

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Chuvas extremas destruíram 80% da colheita de trigo em São Paulo

Agronegócio Trigo 30/10/2026 11:51 Assessoria de Imprensa Secretaria de Agricultura Itaberá SP

Chuvas recordes em setembro arruinaram a safra paulista, reduzindo a produção a menos de 20% do esperado.? a qualidade do grão caiu, a indústria mantém a compra e uma nova pesquisa mostra que o trigo do estado tem melhorado na comparação com o argentino.

As fortes chuvas que caíram sobre o estado de São Paulo em setembro causaram estragos graves na produção de trigo. A colheita deste ano deve ficar muito abaixo do que se esperava inicialmente, com a produção podendo chegar a menos de 20% das 350 mil toneladas planejadas. Essa quebra histórica preocupa os produtores e a indústria, criando grandes desafios para as próximas safras em um momento econômico instável. Os detalhes climáticos, as perspectivas de mercado e os planos para recuperar a agricultura de trigo em São Paulo foram debatidos na última reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo, realizada em formato híbrido na Cooperativa Castrolanda, em Itaberá.

  • Quebra de safra: A colheita deve cair para menos de 20% do previsto, devido às chuvas excessivas.
  • Risco à qualidade: Apenas 10% a 15% do trigo colhido deve ser classificado como "Tipo 1", o de melhor padrão.
  • Indústria segue comprando: O sindicato da indústria moageira garantiu que continuará adquirindo o trigo paulista apesar dos problemas.
  • Melhora na imagem: Pesquisa indica que os compradores estão mais satisfeitos com a qualidade do trigo de SP, superando o argentino em vários quesitos.
  • Plano de ação: Governo e setor privado propõem novas metas e monitoramento para fortalecer a cadeia produtiva.

Impacto das chuvas na qualidade e produção

Diante desse cenário desafiador, o Sindicato da Indústria do Trigo no Estado de São Paulo (Sindustrigo) destacou a necessidade de unir forças entre os agricultores e as fábricas de farinha. O presidente da Câmara Setorial, Ruy Zanardi, explicou que a situação ficou ainda pior do que o antecipado no encontro anterior. Naquela ocasião, já se previa uma queda na quantidade, mas a qualidade era esperada em bom nível. Agora, com as chuvas intensas durante a colheita, a qualidade do grão também sofreu prejuízo significativo. Estima-se que só uma pequena parte da produção, entre 10% e 15%, tenha a qualidade ideal (Tipo 1).

"A previsão de que a safra não seria boa, feita na última reunião da Câmara, se confirmou. Mas, pelos relatos que ouvimos aqui, a situação se agravou e foi pior do que o esperado. A expectativa era colher cerca de 350 mil toneladas, mas não chegaremos nem a 20% desse volume", detalhou Zanardi.

O líder do setor atribuiu as perdas ao clima a partir do início de setembro. As chuvas se intensificaram em todo o estado, e em algumas cidades choveu o equivalente a 629 litros de água por metro quadrado no mês. O risco continua presente, pois a previsão de mais chuva ameaça as áreas que ainda não foram colhidas.

Garantia de compra e medidas de apoio

Ainda assim, Zanardi afirmou que a indústria está disposta a comprar o trigo produzido em São Paulo. Ele mencionou, ainda, uma notícia positiva recebida na reunião: o governo editou uma medida provisória para ajudar os produtores que foram prejudicados pelos prejuízos financeiros. Para Zanardi, o futuro da lavoura dependerá da capacidade do setor de superar essa crise e manter a comunicação entre todos os envolvidos.

O presidente do Sindustrigo, Max Piermartiri, alertou que a recuperação será um caminho difícil. "O caminho daqui para frente será difícil. Ainda enfrentaremos desafios nesta safra de 2026/2027, em um cenário econômico que pode continuar complicado em 2027 e até 2028. Precisamos fortalecer a aproximação entre a produção agrícola e a indústria moageira", declarou.

Recepção do evento, José Reinaldo, vice-presidente da Câmara Setorial, descreveu as perdas como um obstáculo excepcional, mas reforçou a confiança na recuperação. "Essa foi uma safra bem diferente das demais, com grandes desafios pela frente, mas seguimos firmes com nossos propósitos e confiantes na capacidade de recuperação da triticultura do estado de São Paulo", disse ele, acrescentando que as próximas safras devem ter resultados melhores.

Pesquisa revela evolução da qualidade do trigo paulista

No encontro, Zanardi apresentou os dados da pesquisa sobre o trigo paulista na safra 2025/2026. O estudo mostrou um crescimento de 45,3% nas compras feitas pelos associados do Sindustrigo, subindo de 403.566 toneladas para 586.330 toneladas no período.

A satisfação geral dos compradores com o uso do trigo de São Paulo também aumentou. A nota média subiu de 7,9 em 2025 para 8,9 em 2026. Entre as características avaliadas, a cor do grão melhorou de 6,6 para 7,9, a homogeneidade (uniformidade) passou de 6,5 para 7,3, e a sanidade (livre de doenças) evoluiu de 8,0 para 8,6.

As principais utilizações do trigo paulista no último ano foram a produção de pães, representando 48,9% do volume, seguido pelo consumo doméstico (33,8%) e massas alimentícias (11,5%). Outros usos incluem pães industriais (7,6%), biscoitos (5,5%) e pães congelados (2,9%).

"Na comparação entre os anos, é importante destacar que há uma evolução consistente na percepção de qualidade do trigo paulista. Houve melhora na avaliação dos quesitos, especialmente cor, homogeneidade e sanidade. Ainda há espaço para melhorias, porém a mudança positiva tem sido consistente", explicou Zanardi.

Quando comparado ao trigo argentino, o cereal de São Paulo teve melhor avaliação de qualidade em todos os pontos, exceto na homogeneidade. Segundo Zanardi, esse resultado reflete tanto a evolução do produto local quanto a piora na percepção do trigo argentino. Ele ressaltou a importância do trabalho em equipe para desenvolver a cadeia e parabenizou os produtores da região.

Panorama internacional e planejamento setorial

A situação global do trigo foi explicada por Fabio Cruz, da StoneX. Segundo ele, a produção mundial é estimada em 882 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve atingir 824 milhões de toneladas.

"No mercado internacional, as perspectivas para Rússia e Ucrânia, assim como o ritmo das exportações norte-americanas, permanecem entre os fatores de atenção. A expectativa de recuperação dos embarques russos e ucranianos influencia as cotações, enquanto o ritmo mais lento das exportações dos Estados Unidos exerce pressão sobre os preços", contextualizou o especialista.

Para a Argentina, estima-se que as exportações não ultrapassem 19 milhões de toneladas. Apesar das chuvas, a safra argentina apresentava boas condições na análise, e seu resultado será crucial para o equilíbrio mundial, dependendo também da situação no Mar Negro.

No Brasil, espera-se que tanto as importações quanto as exportações aumentem. As variações no câmbio elevaram os preços de referência para ambas as operações, reforçando a necessidade de acompanhar o mercado internacional para planejar o abastecimento.

Novas propostas para as Câmaras Setoriais

Outro ponto da reunião foi a proposta de funcionamento das câmaras setoriais, apresentada pelo coordenador Felipe Camargo. O diagnóstico do modelo atual e as mudanças propostas visam institucionalizar a agenda de trabalho. O objetivo é ampliar o planejamento, definir metas, medir resultados e fortalecer a participação dos setores na definição das prioridades da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

A proposta prevê a construção conjunta das agendas anuais, alinhando as demandas das cadeias produtivas à agenda da secretaria. A intenção é estruturar ações com objetivos claros, acompanhar sua execução e dar transparência aos resultados.

"A mensagem que trazemos é de resiliência: o momento não é fácil, mas, quando temos um propósito, e o triticultor paulista tem essa característica, acredito que vamos fazer com que se organize a cadeia e que ela seja cada vez mais resiliente. Esse é o papel da Câmara, construir um planejamento que seja adequado ao desenvolvimento da cadeia", afirmou Camargo.