30 de outubro de 2026

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AGCO sofre forte queda nas vendas no Brasil e no mundo

Agronegócio Maquinário 30/10/2026 07:47 Daniel Azevedo Duarte - AgFeed agfeed.com.br

A fabricante de máquinas agrícolas AGCO reportou uma retração de 8,6% nas vendas globais no terceiro trimestre de 2026, com o Brasil liderando as perdas. No mercado nacional, as vendas de tratores caíram 17% e as de colheitadeiras, 38%, impactados por juros altos e incertezas no agro.

A AGCO, empresa responsável pelas marcas Massey Ferguson, Fendt e Valtra, anunciou uma receita global de US$ 2,26 bilhões no terceiro trimestre de 2026. Esse valor representa uma queda de 8,6% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O balanço, divulgado em 29 de outubro, mostra o enfraquecimento da demanda por máquinas agrícolas, especialmente na Europa e na América Latina, com o Brasil entre os mercados mais prejudicados.

  • A receita global da AGCO caiu 8,6%, totalizando US$ 2,26 bilhões no trimestre.
  • No Brasil, as vendas de colheitadeiras sofreram uma redução de 38%.
  • O lucro líquido da empresa despenca de US$ 302,7 milhões para apenas US$ 50 milhões.
  • A Abimaq confirma a crise: receita da indústria nacional caiu 21,6% no ano.
  • As exportações brasileiras de máquinas cresceram 12,1%, ajudando a compensar as perdas internas.

Desempenho Financeiro Global

O lucro líquido da companhia caiu de US$ 302,7 milhões para US$ 50 milhões na comparação anual. O lucro ajustado por ação também sofreu redução, passando de US$ 1,35 para US$ 1,05.

Eric Hansotia, CEO da AGCO, afirmou que o setor enfrenta seu pior ambiente de demanda global em mais de uma década. Os fatores incluem altos custos de produção, preços instáveis das commodities e incertezas comerciais.

A redução da renda agrícola e as incertezas nos mercados agropecuários globais continuaram pressionando a confiança dos produtores, com uma deterioração adicional das condições na Europa, no Oriente Médio e na América Latina, disse o executivo via comunicado oficial.

Impactos na América Latina e no Brasil

Na América Latina, a receita da companhia recuou 15,4%, para US$ 292,3 milhões. Desconsiderando o efeito cambial positivo, a retração real chegou a 19,1%.

A queda das vendas e dos volumes de produção também comprometeu a rentabilidade regional, com uma redução de US$ 13 milhões no resultado operacional em relação ao terceiro trimestre de 2025.

O Brasil ocupa posição central nesse cenário de queda. Segundo estimativas da própria AGCO, as vendas de tratores no mercado brasileiro caíram 17% em unidades nos primeiros nove meses de 2026, enquanto as de colheitadeiras recuaram 38%.

A companhia atribui a retração principalmente à menor procura por equipamentos de grande porte, diante dos juros elevados, das restrições de crédito e da pressão sobre a rentabilidade agrícola.

Projeções e Visão de Futuro

As incertezas econômicas e políticas também contribuíram para adiar decisões de investimento dos produtores, segundo a fabricante. Ainda assim, o executivo vê sinais de recuperação no horizonte.

No acumulado de janeiro a setembro, a receita da AGCO na América Latina somou US$ 775,3 milhões, uma queda de 16,8%, ou 22,7% em moeda constante.

Nas demais regiões, a Europa e o Oriente Médio registraram retração de 19,1% nas vendas trimestrais, enquanto a América do Norte apresentou crescimento de 34,8%.

Para o conjunto de 2026, a AGCO projeta receita entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões, com margem operacional ajustada próxima de 7% e lucro ajustado de aproximadamente US$ 5,50 por ação.

Os fundamentos de longo prazo que sustentam a agricultura global permanecem intactos, impulsionados pelo aumento da demanda por alimentos e pela necessidade de maior produtividade nas propriedades rurais, pontuou o CEO.

Abimaq Confirma Cenário de Crise

Os dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados em 28 de outubro, reforçam o cenário de retração apresentado pela AGCO.

Segundo a entidade, a receita líquida da indústria brasileira de máquinas e implementos agrícolas caiu 21,6% em termos reais entre janeiro e setembro de 2026, para R$ 41,47 bilhões.

As vendas destinadas ao mercado interno tiveram desempenho ainda pior, com retração de 24,8%, para R$ 34,71 bilhões no período.

Somente em setembro, a receita total do segmento atingiu R$ 5,18 bilhões, uma queda de 15,7% na comparação anual, apesar do crescimento de 8,2% em relação a agosto.

O enfraquecimento também aparece nos volumes comercializados. De acordo com a Abimaq, as vendas de tratores das fábricas recuaram 26% nos nove primeiros meses do ano, enquanto as entregas aos usuários finais diminuíram 17,7%.

Em setembro, as vendas de tratores das fábricas somaram 3.140 unidades, contra 6.084 no mesmo mês de 2025, uma redução de 48,4%.

Apesar da retração doméstica, as exportações brasileiras de máquinas e implementos agrícolas cresceram 12,1% no acumulado do ano, alcançando US$ 1,31 bilhão.

O contraste entre as vendas externas e o mercado interno evidencia a dificuldade enfrentada pelos fabricantes para sustentar o faturamento no Brasil, em um ambiente de crédito caro e investimentos agrícolas adiados.