Pragas como cigarrinhas, lagartas e carrapatos estão causando grandes perdas nas fazendas de gado no Brasil. Esses insetos comem a grama que serve de alimento para os animais e adoecem o rebanho, o que reduz a produção de carne e leite. Especialistas alertam que o controle precisa ser feito cedo, com monitoramento constante e uso de tecnologias adequadas para proteger os pastos e os bois.
A pressão de pragas sobre as pastagens e os rebanhos tem se tornado uma preocupação crescente para a pecuária brasileira. De um lado, cigarrinhas-das-pastagens e lagartas comprometem a formação e a produtividade das áreas de forragem, reduzindo a disponibilidade de alimento para os animais. De outro, o carrapato-do-boi, que afeta diretamente a saúde e o desempenho do rebanho, também exige atenção, já que cerca de 80% da população total de carrapatos permanece nas pastagens, fora do animal. Em comum, essas ameaças exigem monitoramento constante e estratégias de manejo capazes de reduzir prejuízos.
O desafio torna-se ainda maior diante da importância das pastagens para a produção pecuária nacional. Quando o controle dessas pragas não é realizado no momento adequado, as perdas podem se refletir na redução da oferta de alimento, devido à diminuição da massa verde, na queda da capacidade de lotação dos pastos e no comprometimento do ganho de peso dos animais, além de exigir investimentos adicionais e prejudicar os resultados da propriedade.
- Cigarrinhas: Podem diminuir em até 70% a quantidade de comida nos pastos.
- Lagartas: Devoram as folhas das plantas em poucos dias, afetando o gado.
- Carrapatos: Causam perdas de R$ 15 bilhões por ano no setor pecuário.
- Monitoramento: Detectar a praga cedo é essencial para evitar danos maiores.
- Solução: O uso de inseticidas específicos e manejo integrado protege a fazenda.
Cigarrinha reduz drasticamente a comida dos bois
Entre as pragas que exigem atenção está a cigarrinha-das-pastagens, especialmente espécies do gênero Mahanarva. O inseto se alimenta da seiva das gramíneas e provoca danos que levam ao amarelecimento e à seca das folhas, além de reduzir significativamente a produção de biomassa.
Estudos indicam que infestações severas podem reduzir em até 70% a disponibilidade de forragem. Na prática, a perda de massa verde significa menos alimento para o rebanho, menor capacidade de lotação por hectare e maior pressão sobre os custos de suplementação. O impacto também pode se refletir no ganho de peso dos animais e nos resultados econômicos da propriedade.
A preocupação aumenta durante o período chuvoso, quando o produtor espera maior crescimento das gramíneas e melhor oferta de alimento. As condições favoráveis à proliferação do inseto, no entanto, podem transformar uma fase de elevado potencial produtivo em um período de perdas expressivas.
Lagartas destroem pastos rapidamente
Além da cigarrinha, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), também conhecida como lagarta-militar, exige manejo. Embora seja tradicionalmente associada a culturas agrícolas, a espécie também pode atacar pastagens, especialmente em áreas próximas às lavouras, comprometendo o estabelecimento das forrageiras e reduzindo drasticamente a oferta de alimento para o rebanho.
A dinâmica de desenvolvimento do inseto favorece o rápido aumento das infestações. As fêmeas podem depositar entre 300 e 1.000 ovos nas pastagens, favorecendo explosões populacionais em curto espaço de tempo. Inicialmente, as lagartas raspam as folhas das forrageiras e, conforme crescem, passam a consumir o tecido vegetal das bordas em direção ao centro, podendo comprometer completamente a área foliar.
Dados técnicos indicam que cada lagarta consome, em média, cerca de 140 cm² de folhas de capim durante seu desenvolvimento. Aproximadamente 85% desse consumo ocorre nos dois últimos estágios larvais, o que torna a identificação precoce decisiva para reduzir os danos.
O pecuarista precisa entender que o controle precoce faz toda a diferença. O monitoramento das mariposas permite antecipar possíveis surtos populacionais, dando tempo para planejar as ações antes que a infestação alcance níveis mais severos, explica Corsini.
Carrapatos: prejuízo de R$ 15 bilhões
Enquanto lagartas e cigarrinhas comprometem a produção de forragem, o carrapato-do-boi (Rhipicephalus microplus) representa um desafio adicional por afetar diretamente os animais e permanecer grande parte de seu ciclo de vida no ambiente.
Os prejuízos causados pelo parasita à pecuária brasileira são estimados em R$ 15 bilhões por ano. Além de prejudicar o desempenho do rebanho, reduzir a produção de leite e elevar os gastos com tratamentos veterinários, o carrapato pode transmitir agentes causadores da Tristeza Parasitária Bovina, comprometendo a saúde dos animais.
Um dos principais desafios para o controle é que aproximadamente 95% do ciclo do carrapato ocorre fora do animal. No ambiente, as fêmeas realizam a postura dos ovos e, após a eclosão, as larvas permanecem na vegetação à espera de hospedeiros. Dessa forma, tratar apenas os bovinos pode não ser suficiente para interromper a reinfestação. Por isso, o controle ambiental é fundamental para interromper esse ciclo invisível que se perpetua nas propriedades rurais, esclarece Corsini.
Tecnologia e prevenção salvam a fazenda
Para a IHARA, o avanço das pragas reforça a importância de uma abordagem preventiva e tecnicamente orientada na pecuária. O monitoramento permite identificar focos iniciais, acompanhar a evolução das populações e definir o momento adequado para intervir, reduzindo o risco de que danos localizados se transformem em perdas significativas.
O desafio também evidencia a necessidade de considerar a propriedade de forma integrada, levando em conta a interação entre pastagens e lavouras, as condições climáticas e a dinâmica populacional dos insetos. A escolha de forrageiras tolerantes, a diversificação das pastagens e o manejo dos piquetes também contribuem para reduzir as infestações. Os inseticidas registrados para a cultura integram esse conjunto de medidas, desde que utilizados conforme as recomendações de bula e os critérios técnicos de aplicação.
Para auxiliar os pecuaristas no manejo fitossanitário da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e da cigarrinha-das-pastagens (Mahanarva), o inseticida ZEUS apresenta ação rápida e prolongada, contribuindo para a manutenção da massa de forragem verde e favorecendo a elevação da taxa de lotação animal por área. A tecnologia também auxilia na rotação de mecanismos de ação, estratégia considerada fundamental para evitar o avanço da resistência das pragas.
Zeus também é indicado para o manejo do carrapato-do-boi. Com uma única aplicação, o produto oferece eficácia de até 90% na redução da população de larvas, contribuindo para interromper o ciclo da praga. Essa tecnologia de controle ambiental, aplicada diretamente sobre a vegetação, vem mudando a forma como o pecuarista encara o manejo. Ao tratar a área onde o parasita se desenvolve, é possível reduzir significativamente a infestação e ampliar o intervalo entre as aplicações, diminuindo custos e otimizando o manejo.
Em dois anos de ensaios com ZEUS, o produto apresentou eficácia acima de 95%, resultado extremamente relevante para o pecuarista. A eliminação eficiente das pragas nas pastagens se reflete diretamente no aumento da produtividade animal e na rentabilidade da atividade, ressalta o consultor da Fundação MT, Thiago Trento.
O produtor precisa agir de forma estratégica, olhando para a pastagem e para o rebanho como partes de um mesmo sistema produtivo. Quando o manejo é planejado e as tecnologias são utilizadas corretamente, é possível reduzir a pressão das pragas, proteger a disponibilidade de alimento e contribuir para melhores resultados na pecuária, conclui Gustavo Corsini.

Cigarrinha pode reduzir em até 70% a disponibilidade de forragem




