16 de outubro de 2026

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Investidores caem no setor bilionário de máquinas agrícolas no Brasil

Agronegócio 16/10/2026 15:20 ZAXO

O mercado de máquinas agrícolas, avaliado em R$ 66,7 bilhões, atrai grandes investidores e operações de fusão. A aposta não está apenas na venda do equipamento, mas na receita recorrente gerada pela manutenção, peças e assistência técnica ao produtor rural ao longo dos anos.

O mercado bilionário de máquinas agrícolas entrou no radar do M&A (Fusões e Aquisições).

Pesquisa da ZAXO revela por que fabricantes, concessionárias e empresas de pós-venda de máquinas agrícolas passaram a concentrar o interesse de investidores. Um mercado de R$ 66,7 bilhões e uma frota que deve chegar a 1,8 milhão de máquinas até 2030 colocam o setor de máquinas e implementos agrícolas no radar dos investidores. Os números, levantados pela ZAXO, boutique brasileira de M&A, mostram um mercado que combina escala, demanda e espaço para novas operações.

  • O mercado brasileiro de máquinas agrícolas movimenta cerca de R$ 66,7 bilhões.
  • A frota de máquinas no país deve alcançar 1,8 milhão de unidades até 2030.
  • O valor de uma empresa é definido pela receita recorrente do pós-venda, não apenas pela venda inicial.
  • A aquisição da Pivot pela Cocari incorporou 12 lojas em quatro estados diferentes.
  • Empresas em crise financeira podem se tornar alvos estratégicos para reestruturação.

A receita continua após a venda do equipamento

Para quem compra uma empresa, porém, o tamanho do mercado é apenas um indicativo de que o mercado vai bem. O que determina a atratividade de uma aquisição é quanto valor aquele negócio pode gerar além das máquinas.

O setor de máquinas agrícolas tem uma característica importante nesse cálculo: a receita não precisa terminar na venda do equipamento. A relação com o produtor pode continuar por anos, ampliando as fontes de receita de quem adquire o negócio, explica Jefferson Nesello, sócio-diretor da ZAXO.

Assim, quando um investidor olha para esse mercado, não está comprando apenas uma revenda ou uma fabricante. Ele avalia tudo o que vem depois da venda da máquina, como peças, assistência técnica, manutenção e o relacionamento de longo prazo com o produtor.

Monetização do relacionamento com o produtor

Sendo assim, quanto mais etapas da relação com o produtor uma empresa consegue monetizar, menor tende a ser sua dependência de uma única venda e maior o interesse do mercado de M&A, diz.

Isso significa que empresas com faturamentos semelhantes podem ter valores muito diferentes aos olhos de um comprador. A análise considera, sim, fatores como qualidade da gestão, geração de caixa, governança, concentração de clientes, eficiência operacional, mas, além disso, receita recorrente, explica.

Estoques elevados ou envelhecidos, concentração de clientes e fornecedores e dependência excessiva do fundador, por exemplo, podem reduzir o valor percebido pelo comprador.

Neste caso, não é só receita e lucro que contam para uma boa avaliação do negócio. Se ela possui uma operação forte de pós-venda, contratos recorrentes, boa relação com produtores e capacidade de gerar caixa de forma previsível, ela passa a ser muito mais interessante para quem compra, afirma Nesello. Quanto mais etapas da relação com o produtor uma empresa consegue monetizar, menos dependente de uma única venda e mais atrativa ao mercado ela fica e pode gerar uma série de sinergias com outras operações do agro, como por exemplo em grãos e insumos, complementa.

Expansão regional através de aquisições

Esse olhar ajuda a explicar por que o M&A vem sendo usado no setor também como uma estratégia de crescimento. Em vez de construir novas operações do zero, empresas podem recorrer a aquisições para ampliar rapidamente sua presença regional, ganhar escala e complementar a oferta de produtos e serviços.

Um exemplo é a aquisição da Pivot pela Cocari, anunciada em 2026. A operação incorporou 12 lojas nos estados de Goiás, Minas Gerais, Bahia e Tocantins e ampliou a presença da cooperativa na distribuição de máquinas agrícolas. Com a aquisição, a Cocari passou a figurar entre as maiores redes de concessionárias Case IH do Brasil e se tornou a maior revenda Lindsay da América Latina.

Outro movimento ocorreu em 2025, quando o Grupo Fuganti adquiriu 100% da Rodomac Tratores, concessionária New Holland em Santa Catarina. Com a operação, a Agro Divel dobrou sua rede de lojas, passando de três para seis unidades, ampliou sua cobertura para 134 municípios e reforçou a busca por escala e presença regional.

Cada operação mostrou uma estratégia diferente. No Centro-Oeste e no Centro-Norte, geralmente o interesse está ligado à expansão agrícola e ao avanço da mecanização. Já em mercados mais maduros, como Sul e Sudeste, a oportunidade está em ampliar a cobertura territorial, a carteira de clientes e a escala de atendimento, explica Nesello.

Oportunidades em meio à pressão financeira

Para ele, esse processo de consolidação também pode abrir espaço para empresas que estejam passando por momentos de maior pressão financeira. Temos observado empresas excelentes deixando o mercado não porque perderam competitividade, mas porque enfrentaram uma combinação de fatores como crédito restrito, aumento dos custos e pressão sobre o capital de giro. Para investidores estratégicos, isso pode criar oportunidades de adquirir bons ativos e gerar valor a partir de uma reestruturação, conclui.