16 de outubro de 2026

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Verão provoca estresse em tilápias e aumenta mortalidade nos criadouros brasileiros

Agronegócio Tilápia 15/10/2026 10:51 Ascom ADM São Paulo SP

Calor excessivo reduz o oxigênio na água, afetando a saúde dos peixes que respondem por 70% da produção nacional. Nutrição específica e monitoramento contínuo são essenciais para evitar perdas e manter a produtividade do setor aquícola.

O verão chega com temperaturas altas, trazendo sérios desafios para a criação de tilápias. Esse peixe é muito importante para o Brasil, pois representa cerca de 70% de toda a produção nacional de pescado, segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Quando a água esquenta, o oxigênio dissolvido nela diminui. Essa falta de oxigênio, junto com mudanças na qualidade da água, exige que os criadores observem de perto o ambiente e ajustem a alimentação dos peixes para evitar problemas.

A alimentação certa é uma das principais ferramentas para cuidar da saúde e da defesa natural dos peixes. Água muito quente guarda menos oxigênio, o que pode causar dificuldade para respirar, falta de apetite e até a morte dos animais. Além disso, a imunidade fica mais fraca, abrindo espaço para ataques de vírus, bactérias e parasitas.

  • A tilápia responde por 70% da produção de peixes no Brasil.
  • O consumo de tilápia cresce 10,3% ao ano no país.
  • Águas quentes têm menos oxigênio, estressando os peixes.
  • Novas dietas podem aumentar a biomassa em até 16%.
  • Fator El Niño exige cuidados extras com o clima extremo.

O consumo de tilápia tem crescido em média de 10,3% ao ano no Brasil, o que incentiva a expansão do cultivo, aponta Ricardo Garcia, Gerente de Produtos de Aquicultura da ADM. Ele explica que os sistemas de criação são muito sensíveis ao ambiente. É preciso identificar os desafios locais e adotar medidas preventivas, principalmente quando se prevê clima extremo, como nos anos influenciados pelo fenômeno El Niño.

Para o produtor, o trabalho é complexo porque envolve controlar várias coisas ao mesmo tempo. Além da temperatura, é preciso checar a qualidade da água e ajustar a ração conforme o nível de oxigênio. O objetivo final é evitar que os peixes fiquem estressados, o que pode prejudicar todo o ciclo produtivo.

Nova solução nutricional melhora desempenho em águas com pouco oxigênio

O problema de manter a produtividade quando falta oxigênio na água motivou a criação da Nutripiscis Oxygen. Essa solução da ADM foi desenvolvida para ajudar tilápias a se saírem bem em ambientes estressantes. Testes mostram que essa dieta pode gerar um ganho de até 16% a mais na biomassa (peso dos peixes) em comparação com ração comum. Isso ajuda no crescimento, mesmo em águas com pouca oxigenação, muitos peixes juntos e variações de temperatura.

O crescimento da aquicultura também aumenta a importância de estratégias para fortalecer a imunidade. A ADM usa um conceito que inclui diversos produtos para peixes e camarões. O objetivo é melhorar a resposta dos animais ao estresse, reduzindo a necessidade de usar medicamentos. Fortalecer as defesas naturais é uma prioridade para manter a sanidade do rebanho.

Planejamento estratégico é fundamental no verão

Uma dieta adequada ajuda a preparar os peixes para os períodos difíceis. Na hora de formular a ração, não basta olhar apenas para as necessidades nutricionais da espécie em cada fase da vida. Também é preciso considerar como o peixe absorve e usa os nutrientes, a saúde do intestino e o apoio às defesas do corpo.

A nutricionista, entretanto, deve fazer parte de um plano completo, diz o especialista. Monitoramento da água, densidade de cultivo, sanidade e redução de manejos desnecessários são fatores que precisam ser avaliados em conjunto, explica Ricardo Garcia. Tudo isso é crucial nos períodos em que o ambiente pressiona os animais.

Pesquisa aplicada apoia a produção nacional

Para desenvolver novas soluções, a ADM mantém o Centro de Excelência e Inovação em Aquicultura em Aparecida do Taboado, Mato Grosso do Sul. É um dos maiores polos de pesquisa aquícola da América Latina. Essa estrutura permite testar e criar novas tecnologias e estratégias de nutrição para ajudar os produtores no dia a dia, inclusive nas situações mais difíceis.

A ideia é entender o impacto das tecnologias nutricionais em diferentes situações e apoiar os piscicultores com ferramentas e serviços técnicos que permitem manter a produtividade mesmo em condições adversas, destaca Ricardo. Com dados e evidências, é possível criar abordagens mais integradas. No Brasil, trabalha-se cada vez mais com o conceito de prevenção.